Ainda a Grimes em San Francisco. O que está acontecendo, Claire?

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* Desculpe-me usar o mesmo título que eu usei ontem para o show da banda Chvrches, com os endereçamentos modificados, claro, mas fiquei com a mesmíssima sensação ao ver a performance “muito louca e colorida” da canadense querida Grimes no Fox Theater, em Oakland, no mesmíssimo palco. Seria problema do lugar? Tentei pensar um pouco sobre isso, no texto que saiu publicado na Folha de hoje, no caderno Ilustrada, dentro da série de shows californianos. Seu último disco, “Art Angels”, é tão bom, Claire. O que pega?

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A heroína indie eletrônica canadense Grimes tinha algumas opções para levar ao palco as músicas de seu elogiado álbum “Art Angels”, o quarto de sua jovem carreira, o segundo a realmente tirá-la de Vancouver para o mundo e um dos últimos belos discos a serem editados em 2015, quase para fechar o ano de tantos bons lançamentos.

Ou ela montava uma banda “orgânica” para dar vida a suas eletronices cool de estúdio, na linha de LCD Soundsystem e Hot Chip, por exemplo, ou seguia “pequena” e se mantinha atrás de uma mesa de sintetizador “tocando” seu som e botando sua voz de fada a serviço do chamado “dream pop” viajante.

Mas ela foi forçada a escolher um terceiro caminho, como pode ser visto anteontem à noite no teatrão de Oakland, o Fox Theater, em outra visita ao local nesta semana para a nossa série de shows californianos da nova música.

A multitalentosa Claire Elise Boucher, a persona que se confunde com o projeto Grimes, cresceu muito de uns dois anos para cá, vende bem, toca bastante em rádio, foi adotada pela moda e, por tanto, acabou empurrada a palcos grandes, a esta altura da carreira. Seja grande como o do Fox Theater ou os do Coachella, onde é uma das atrações top do festival amanhã.

E, para preencher esse palco grande para o tamanho de seu sucesso além-indie, Grimes optou por chamar um time de dançarinas e caprichar em cenário e nas luzes hipnóticas.
O início do show é sintomático. As luzes se apagam, a platéia grita (2800 pessoas esgotaram ingressos para o show de ontem, há meses) e entra uma garota morena que não é a loirinha Grimes, sob um som etéreo, fazendo uns movimentos que oscilam entre dança do ventre ou algo mais performático nível Cirque du Soleil. Daí logo entra a canadense e suas outras amigas “bem escolhidas”: uma negra e uma oriental. A composição racial está harmônica.

Os sintetizadores estão lá também, em duas mesas lindas ao fundo, mas Grimes na maioria das vezes apenas comparece a elas nos começos das músicas, para dispará-las apertando um botão e em seguida correndo para e correr para frente do palco com o microfone, para dançar e cantar.

De garota esquisita de cabelo descolorido que grita dos dois primeiros discos (os dois bem undergrounds, ambos de 2010) até a apresentação de ontem em Oakland, é inegável que Grimes cresceu e apareceu, por causa de seus dois álbuns mais recentes.
O problema é que, também, pelo menos a respeito de performances ao vivo, a garota anda fazendo escolhas erradas.

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* As fotos, deste post e da home da Popload, novamente, são de Ian Young, desta vez publicadas no “Bay Brigded“, site que cobre música independente na San Francisco Bay Area.

** A Popload viaja pela Califórnia em shows a convite do VisitCalifornia.

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