Segunda-feira, meio-dia em ponto. Como prometido, um vídeo preto e branco toma as redes: imagens de jogos olímpicos em algum lugar do passado (se não for IA), modalidades aquáticas (referência ao nosso país tropical?), toda aquela glória antiga.
A música de fundo? “Hollywood Forever”, da underscores. Isso, com “u” minúsculo mesmo, puro capricho estético. E aí, antes mesmo de qualquer nome aparecer na tela, quem conhece já entendeu o recado.
Depois de dois anos em hiato, a terceira edição do festival mais cool da Europa em sua versão América Latina voltou oficialmente para São Paulo. E trouxe underscores na bagagem.
A referência olímpica também não é gratuita. O anúncio do Primavera Sound Barcelona deste ano já tinha construído toda sua identidade visual em torno da tocha e dos anéis olímpicos, uma homenagem direta dos Jogos de 1992, que residiram em Barcelona e até hoje redefinem a forma como o mundo enxerga a cidade como vitrine global. O festival entende esse legado e, conscientemente, se insere nele.
Já a underscores, por trás a jovem April Grey, é uma das melhores “atletas do momento” que poderia ser convocada. Produtora e DJ americana, ela opera num cruzamento de hyperpop, glitch, dubstep e até um pouco de emo, e faz tudo isso conviver harmonicamente nos seus projetos. Talvez seja hoje o produto mais honesto do que aconteceu quando a internet descobriu que podia inventar gêneros sozinha.

E dá para ser mais cool que tingir um “fone de ouvidos” no cabelo?
Isso bem antes de a Rosalía aparecer com a auréola na era “Lux”, ou o “halo hair” da Alysa Liu, a patinadora americana ouro nos Jogos de Inverno de Milão (oh, os esportes de novo) e que por conta de uma coreografia viralizada em cima do gelo ainda impulsionou o #1 lugar de “Stateside”, da Pink Pantheress e Zara Larsson, nas paradas americanas. Como não amar o mundinho pop?
O que também é cool, e isso quem diz são as críticas, é seu último álbum, “U”, lançado em Março e que tem grandes chances de emplacar várias listas de melhores do ano lááááá em dezembro, coincidindo com a data do Primy (apelido curto e carinhoso para o nosso Primavera).
A faixa “Do It” é imperdível, evoca todo um R&B dos anos 2000. É bem Timbaland, bem Justin Timberlake, bem Britney Spears, de uma forma estranhamente boa que ninguém poderia imaginar em pleno 2026.
Ao vivo, tudo isso tende a ganhar outra dimensão. Acredite, a apresentação da underscores no Primavera Sound SP 2026 é, por enquanto, um dos pontos altos do festival e aquele show que você vai querer ter estado.