Top 10 Gringo – Sim, eles têm Charli XCX e Strokes. E quase não dá para falar outra coisa além dos novos discos dessa galera. Pro bem ou pro mal
POSTADO DIA 26/07/2026

Se lá fora Strokes e Charli causam juntas, o Brasil apresenta Anitta e Pabllo na mesma semana. A gente sabia que esse pessoal estava represando energia para o segundo semestre… Parece que 2026 começou (de novo!).

Um dos aspectos mais legais do gigantesco projeto “Equilibrium”, da Anitta, que chega a sua segunda parte, é o espaço que ela dá para artistas imensos que ainda não alcançaram o público na proporção merecida. Sim, o novo álbum tem as participações gigantescas de Maria Bethânia e Alceu Valença, mas também abre espaço para Katu Mirim, Leticia Fialho e Mc Tha, que tanto já frequentou nosso top 50. Anitta conheceu o trabalho de Tha, que já ligava a linguagem do funk com a linguagem da umbanda, através dos fãs clamando por uma parceria. Atenta, Anitta fez o convite para as duas se esbaldarem juntas na gostosinha “Sem Pressa”, um chamado a dar tempo ao tempo. “Vou passeando devagar/Com calma pra aproveitar/Prefiro até me atrasar/Porque a vida com pressa não presta”.
Você vai ler o título, ver a capa, ver o visual dela e pensar que a Pablo resolveu imitar a fase roqueira da Charli XCX – amplificadores, guitarras, visual dark. Mas é só dar play em “Rockstar” para ver a real, não é nada disso, Pabllo segue fissurada em clube, música para dançar legal – mais e mais eletrônica e cantando em inglês e em espanhol com a porto-riquenha Villano Antilano. Se pá, a missão de “Love In Lust”, seu próximo álbum, é conquistar o mundo.
Por falar em conexões, semana passada Leoni postou em seu Instagram uma foto compondo uma parceria inédita com Sophia Chablau. O resultado dessa nova liga ainda não veio a público, mas temos a duplinha entregando uma versão ao vivo para a clássica “Exagerado”. De acordo com Sophia, uma das primeiras que ela aprendeu no violão e responsável por embalar muitas paixões exageradas suas.
Enquanto toca sua própria carreira, Rodrigo Vellozo pensa bastante no quanto a música de seu pai, Benito Di Paula, fica de canto quanto ao reconhecimento de premiações e da mídia. Com os 85 anos de Benito, uma das missões do filho parece ser promover alguma justiça à uma obra tão bem acabada. Recorreu aos amigos Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça para um conjunto de releituras que abraça parte do repertório do álbum “Benito de Paula” de 1976 e outras músicas menos conhecidas, inclusive, “Último Andar”, gravação que não aparece em nenhum dos discos oficiais do cantor. O encontro da voz de Rodrigo com a visão de samba aberta do time de músicos deu muita liga.
Cumulonimbus, de acordo com a Wikipédia, “é um tipo de nuvem (…) diretamente associada com a ocorrência de tempestades com raios, trovões, chuva forte, ventos fortes, granizo e, às vezes, tornados”. “Cumulonimbus” também é o nome do próximo álbum do Rashid, previsto para agosto. Este “YOWA”, primeiro single, dá uma ideia dos motivos por trás do título do disco – a faixa é tensa. Yowa é o cosmograma bakongo, uma representação gráfica dos ciclos da vida, do universo e do tempo. Ao formar uma cruz, o símbolo apresenta a encruzilhada constante da vida, o trânsito; para se ter o dia é preciso passar pela noite. A maturidade de Rashid se apresenta ao saber aceitar esse movimento. Lembram quando o rapper teve duas apresentações no Lollapalooza canceladas pela chuva? Ele lembra e avisa: “Pra quem viu o que eu vi, realidade deu só o que restou/ Sabem que a maior tempestade que eu vivi não foi a que parou meu show”. O conselho é “saber que o caminho de ida também é a volta”.
Por falar em encruzilhada: “Só a guerra faz nosso amor em paz”, versou Gil em melodia de João Donato. A imagem de paz e guerra surgiu na mente de Gilberto Gil ao ver João Donato dormindo enquanto ambos ouviam novas composições do pianista, suas diversas “Leilas”. Gil escolheu “Leila IV” e fez “A Paz”. A regravação ao lado de Mônica Salmaso será parte de “Viva Donato”, tributo promovido pelo selo Sesc.
O Black Pantera e sua habilidade para criar versos curtos que viram gritos de guerra. “Fim do Mundo é só uma fase/ Final Boss é a Humanidade” é um desses megaacertos, parte de ‘Start the Game”, primeiro som de “Continental”, o quinto álbum da banda formada por Charles Gama, Chaene da Gama e Rodrigo Augusto. À alusão ao mundo dos games está nos versos e segue no vídeo dirigido por Pedro Hansen que coloca o trio dentro de vários jogos – Guita Hero, Sim City, Mortal Kombat, Pac Man, entre outros.
Talvez você já conheça Manoel Cordeiro, o pai do guitarrista Felipe Cordeiro, dois nomes que todo mundo pensa quando se fala em guitarrada. E o tio Barata? É outro dos músicos da família de Felipe, um menos conhecido, mas que o sobrinho faz questão de resgatar a obra enquanto pensa no seu próximo trabalho, que será mais voltado a esta sonoridade que é a cara do Pará. “A Festa” apareceu pela primeira vez no terceiro álbum do tio, daqueles sons que você só vai encontrar no YouTube salvo por alguma boa alma.
Se o mundo ainda mantém suas fronteiras, azar do mundo. Talvez essa seja a ficha que caiu para Bruno Berle. O alagoano nos últimos anos atravessou muitos países; seja chegando virtualmente nos ouvidos de um BTS ou fisicamente fazendo turnês por aí – muitas vezes com os parceiros, como Batata Boy e Nyron Higor. Só nos últimos três meses ele passou por Portugal, Inglaterra, Alemanha, Dinamarca, Suécia e Suíça. A jornada tem sido intensa, mas compartilhada. Além de andar com os colegas, co-produziu Nyron e Phylipe Nunes Araujo, o que com certeza ajudou a elaborar ideias para suas próprias músicas. De timbres a soluções melódicas. Uma insistência saudável não só em soar autêntico ou novo ou algo do tipo, mas tentar respeitar a si mesmo e os outros. Sem cópia, sem pensar no mercado, basta soar bem aos ouvidos. E o play em “Sem Fronteiras” é bem isso: soa bem aos ouvidos. Transporta o ouvinte ao imaginário de Bruno, permeado por amores, noites e manhãs e muitos sonhos. Bom saber que a maioria está virando realidade.
“ATÉ QUANDO” vamos viver na era “PÓS-VERDADE”? Ainda que sejam muito populares, os livros de autoajuda foram transferidos para os feeds sociais e tentamos evitar o celular ouvindo pessoas falando ao celular sobre como evitar tanto celular. Tratamos os hormônios, “DOPAMINA” e “CORTISOL”, como drogas de olho na performance individual. Todos contra todos. Em “DELÌRIO” empurramos nossa “DISTIMIA”. É se aproveitando dos títulos das músicas que tentamos descrever a experiência de “DELÍRIOS ANARCO-NIILISTAS”, nova pancada do SEXCORP., um dos projetos de parte do Orphans Club, “selo fluminense de música MUITO barulhenta”, como se apresentam. O novo trabalho avança na proposta de funk bruxaria, dando som não à luta contra o neoliberalismo, santa inocência!, já fomos derrotados. Aqui é a trilha dos escombros.
11 – Plebe Rude – “Até Quando Esperar – 40 anos” (2)
12 – João Bosco – “Sinhá (com a NDR Bigband de Hamburgo)” (2)
13 – Karen Jonz – “Sessão de Horror (com Fernanda Takai” (2)
14 – Joyce, Tutty Moreno e Adrian Younge – “Is This Love?” (2)
15 – Rincon Sapiência – “Homem Gol” com Marissol Mwaba e Péricles (3)
16 – Julia Guedes – “Contra o Medo” (3)
17 – Liniker – “Melhor Notícia” (3)
18 – Linn da Quebrada – “Nuvem Negra” com Fernando Catatau (4)
19 – Ema Stoned e Edgard Scandurra – “Conza das Horas” (4)
20 – Teresa Cristina – “Quando a Onda Passar” (5)
21 – Lô Borges – “Última Parada”/”Chegada” (6)
22 – Thiago Jamelão – “Apaixonado” (6)
23 – Alice David – “Terra Sem Rei” (6)
24 – Ítallo – “Nina do Avon” (7)
25 – Cidade Dormitório – “Vertigem Neon” (7)
26 – ULTRALEVE – “Negativo” (7)
27 – João Carvalho – “Serra do Caraça/Itaúnas (Para Milton)” (7)
28 – Lulina – “Outras Vezes (com Ana Frango Elétrico)” (8)
29 – Luedji Luna – “Ela É o Que Há (com Jadsa)” (8)
30 – Michelle Abu – “Talvez Amor” (8)
31 – Bebé – “Meu Peito” (8)
32 – Exclusive Os Cabides – “Castelos de Areia” (9)
33 – Tangolo Mangos – “Vou Acordar com Essa Nova Ideia na Cabeça” (10)
34 – Marina Liori – “Água na Boca (com Tori)” (10)
35 – Juçara Marçal e Thais Nicodemo – “Cavaquinho” (11)
36 – Zélia Duncan – “Agudo Grave” (12)
37 – Marcelo Cabral – “Grito” (14)
38 – Marabu – “Manda Beijo” (14)
39 – Buhr – “Voaria” (14)
40 – Novíssimo Edgar – “Zum Zum Zum” (15)
41 – Silva – “ROLIDEI” (15)
42 – Febem, Fleezus & CESRV – “M.P.B” (16)
43 – Rael – “Forma Abstrata” (16)
44 – Marina Lima – “Um Dia na Vida (com Ana Frango Elétrico)” (17)
45 – Cidadão Instigado – “Medo do Invisível (com Kiko Dinucci e Jadsa)” (17)
46 – Schlop – “Clássicos” (17)
47 – Seu Jorge – “River Man (com Beck)” (17)
48 – Kuczynski – “Music 4 a Strip Club” (17)
49 – Ottopapi – “Meus Podres” (18)
50 – Mombojó – “Abaixo a Realidade (com Letrux” (18)
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* Entre parênteses tem a indicação de quantas semanas a música está neste Top 50.
** Na vinheta do ranking, Anitta.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.