Top 50 da CENA – Yes, nós temos Anitta e Pabllo. Parece que o ano (re)começou na música brasileira. Confira as 50 mais mais da cena BR
POSTADO DIA 26/07/2026
Semana de lançamentos gigantes causaram um choque na música. Gostamos. O badalado novo álbum da Charli XCX briga por atenção com a volta (sempre polêmica) dos Strokes. E isso é só a ponta do iceberg. Por que é que ninguém mais está falando das novidades do ainda pouco conhecido Love Spells ou da Natalia Imbruglia ou da volta da Noname?

Charli XCX ama cinema. Mantém um agitado Letterboxd e agora uma agitada carreira de atriz. Interpretou a si mesmo em “The Moment”, estará no próximo do cult Greg Araki e arrasou em “Erupcja” de Pete Ohs – Richard Brody, crítico de cinema da cultuada revissta americana “New Yorker”, imaginou o quanto alguém que não sabe que ela é uma popstar ficou intrigado com a energia de sua performance se perguntando: que atriz é essa? E pelo visto a pergunta ressoa na própria Charli, conforme diz a letra de “Camera”, onde ela considera em voz alta abandonar a música em troca do prazer que sente ao atuar. “Posso ser o que eu quiser ser/ E posso sentir coisas que normalmente não sinto”, diz em dos versos. E esse é só um dos momentos confessionais de “Music, Fashion, Film”, seu novo álbum. Em “I’m Afraid” acompanhada de um violão podre e sujo, ela expõe seu medo de destruir o amor de sua vida, em “Persona” mostra uma conversa honesta da Charli que só ela conhece com a Charli que o mundo passou a conhecer. Outro sentido do disco é de colocar o rock em xeque; uma discussão já posta no glitch da guitarra em “Rock Music” ou na mínima “Yeah”, basicamente uma homenagem metalinguística à estrutura de composição loud-quiet-loud consagrada por Pixes e Nirvana. Vai dar o que falar. “Music, Fashion, Film” tem um pouco de “White Album” dos Beatles ou “In Utero” do Nirvana no sentido de serem discos para limpar o terreno depois de uma festa com muita gente, muita confusão e vários malentendidos. Este vai para os verdadeiros.
Quando entrevistou o economista Richard D. Wolff, Julian Casablancas abriu a conversa com um alerta vindo de Jung: “Se uma pessoa sabe mais do que as outras, ela se torna solitária”. Funciona como piada e como verdade. Pensar é perigoso, vai te isolar e te causar problemas. Mas é verdadeira a noção de que, quando todos buscam mais informações e se interessam pela vida, estamos mais perto de uma sociedade saudável; talvez daí o malestar atual do mundo, porque a busca prioritária de todos parece ser inversa a isso. Ignoramos o colapso ambiental, somos cínicos com possibilidades radicais de transformação política, terceirizamos o pensamento para a IA e desconversarmos sobre o genocídio em Gaza. Julian há muito anos parece em choque com a dificuldade de transmitir noções tão claras sobre a situação do mundo. As letras de “Reality Waits”, sétimo álbum dos nova-iorquinos, discutem isso de passagem – nosso consumismo como fuga (“Going Shopping”), os parasitas no poder (“Psycho Shit”), a arte enquanto mero produto (“Lonely in the Future”) e por aí vai. “Reality Waits” traz referência também de outro momento da conversa de Julian com Wolff, quando o economista tenta explicar Marx para o vocalista descrevendo ele como alguém que enxergou cedo a realidade do capitalismo: a promessa de democracia e liberdade não se apresentaram, o mundo estava segregado de novo, o rei perdeu a cabeça e a coroa foi para os dono dos meios de produção. É simples de entender, mas quem enxerga isso? A realidade aguarda. E vai engolir nós e o Elon Musk também. Quem viu, quem não viu e quem fingiu que não viu. E pode sair no soco com quem reclamar de autotune na voz do Julian. Pelamor.
Às vezes é preciso transcrever um verso, às vezes é preciso transcrever uma estrofe inteira. É o caso desta “I Feel Hope Coming”, do Alabama Shakes. “Será preciso mais que orações pra mudar esse lugar/ Vai dar muito trabalho, não sei se consigo/ Eles nos derrubam, nos deixam malucos/ Nos deixam doentes, nos chamam de preguiçosos/ Eu não quero sua lei marcial, eu quero ar limpo/ Não quero inimigos que nem existem/ Fazem a gente trabalhar, mas não podem nos pagar/ Eu quero trabalhar pra que eles não possam nos explorar”. Brittany Howard e companhia fazem aqui uma perfeita descrição do peso dos anos Trump nos Estados Unidos e no mundo, onde a extrema-direita avança com igual força apoiada em desesperança coletiva. A crença deles é que as novas gerações estão mais atentas e podem ser o motor de uma mudança a caminho. Refuse. Resist.
Muito antes de nepobaby ser um termo quase pernicioso, Dhani Harrison, filho de George Harrison, já aparecia como figura luminar em manter a obra do pai viva. Além de ser a cara de George, o que sempre chamava a atenção. Embora sempre envolvido com música, Dhani só tem dois discos solos. E na produção do último, “Innerstanding”, que ele estabeleceu uma parceria musical com o super produtor Nigel Godrich (Radiohead, Paul McCartney, Beck, Air, entre outros). Na hora de produzir um novo material, a dupla transformou o que poderia ser mais um disco solo de Dhani em uma banda: Dragonflies. É Dhani que canta, mas a composição é da dupla, uma das criações bissextas de Nigel, que já participou de bandas como Atoms For Peace ou o Ultraísta.
Nossa rapper e bibliotecária favorita Noname está de volta. Pronta para celebrar nos palcos o aniversário de dez anos de sua mixtape “Telefone”, ela também está preparando uma nova mix, “Cartoon Radio”. Uma preparação sem pressa, o single anterior foi lançado ano passado!
A sorte dos escoceses em copas do mundo segue a mesma, na música também. Que bom! O Teenage Fanclub chega ao 13° álbum, “Do Not Dare To Dream” em forma. É o que diz o single “Day in the Sun” iluminando a faceta mais Beach Boys da turma liderada por Norman Blake: harmonias vocais e uma letra chamando alguém para curtir um dia juntos, ouvir um som. Se a pessoa disser sim, pronto, você tem o seu dia sob o sol.
Quem também aparece com bonitas harmonias vocais e metáforas luminosas é Lizz McApine. Deixando seu folk moderninho cada vez mais cheio de elementos, a norte-americana que fez sucesso viralizando no Tik Tok apresenta as cores de um romance no comecinho. Tão apaixonada que o tempo até para: “O tempo passa mais devagar em um momento como este”, canta ela em um dos versos. A música é a primeira prévia de seu quarto álbum de estúdio, “Angel”, dono de uma capa com uma pintura abstrata lindíssima.
O Avalanches segue sem anunciar disco novo, mas (ainda bem) não para de lançar singles. Depois de uma parceria com Jamie xx, o encontro da vez é com Karen O do Yeah Yeah Yeahs. O trio australiano mandou um monte de base para a vocalista pensar, ela devolveu de pronto justamente essa track com seus vocais incríveis. Se fosse mais planejado, não ficaria tão perfeito.
Não é de hoje que falamos por aqui o quanto chapamos com a voz e as músicas de Love Spells, a persona artística do jovem texano Sir Taegen C’aion Harris. Agora com um álbum lançado, a magistral estreia “Love Is the Law”, o mundo talvez passe a dar mais atenção para este príncipe dos nossos tempos. É questão de prestar atenção. “Heart for Eyes” era para estar no repeat de geral.
Gente, há quanto tempo não ouvíamos falar na Natalie Imbruglia. Descobrimos não só que ela está super na ativa como também está preparando um disco novo, “Algorithm”. Diferente do pop rock do seu big hit solitário “Torn”, os temperos da fase atual são mais eletrônicos. Um loop gostosinho para dirigir noite à fora.
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* Na vinheta do Top 10, a cantora britânica Charli XCX, de novo.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.