São Paulo, enfim, bota o New Order numa… nova ordem

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* Pelo menos nos últimos cinco shows a que eu fui do New Order, aqui no Brasil ou fora, de Coachella a Sonar-Barcelona, passando pelo Lolla BR, Anhembi e Oya norueguês, esse recentíssimo foi tudo meio caricato. Banda antiga se portando como tal, as canções maravilhosas da vida sendo executadas como um rascunho apagado do que um dia representaram, parecendo uma banda cover de si mesmo. Old Order total.

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Ontem, aqui em São Paulo, no show esgotado e único brasileiro realizado no Espaço das Américas, eu quase não fui, por todas as razões acima. Mas dei sorte. Fui e foi muito bom. Devolveram uma nova ordem ao New Order, a banda que jogou cor e luz dance na penumbra do pós punk no future, no luto da morte de Ian Curtis e o consequente fim do Joy Division. Simplesmente porque no Espaço das Américas, por “culpa” ou da técnica local ou do técnico gringo que trabalha pela banda, acertaram no som. Acertaram no som num lugar não propriamente feliz com o som, pelo menos e como parâmetro os shows de Morrissey e Noel Gallagher.

Estouraram tudo. Ficou estridente. Sem controle até. Nas primeiras músicas quase não se ouvia a voz já fraca de Bernard Sumner. Depois foi tudo calibrado, a voz melhorou, mas a sonzeira continuou alta. E todo o clima quase punk, pós punk, flerte com eletrônica, indie dance de outrora, que deu notoriedade à banda no calor das revoluções musicais de 70-80, pareceu ter às vezes voltado, independente da idade da banda e ainda da idade da maioria do público. Nem algumas versões “erradas” de atualização dos muuuuuuitos clássicos da banda pareciam atrapalhar. Até as músicas novas deu uma contemporaneidade da boa, no mínimo decente, para o velho New Order.

Desabafo feito, porque eu precisava e sempre quis fazer, quase morri com a fantástica “Your Silent Face”, executada ontem. Monumental música de muitos significados que consta do álbum “Power, Corruption & Lies”, da gravadora Factory, segundo disco do grupo e um dos mais importantes da história, lançado em maio de 1983 e que tinha, entre outras, “The Age of Consent” e “Blue Monday”, responsável principalmente por tirar Manchester, a música inglesa e o indie mundial do fundo do poço de tristeza e desesperança jogado pelo suicídio de Curtis. Ainda carregando vibes do pós punk, jogou a música britânica jovem para outras direções.

Sem mais, “Your Silent Face”.

* Foto do New Order na home da Popload é do gênio Flavio Florido para o site brother e massa Music Non Stop, da Cláudia Assef. A imagem do show da banda deste post é do Instagram de @daguitorodrigues.

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