Top 50 da CENA – Bruno Berle apaixonado. Teresa Cristina caindo no samba. E o Momo. bonito na ponte Brasil-UK. É o nosso tricampeonato da semana

Que silêncio na cidade. São tempos de jogo do Brasil e poucos se arriscaram a soltar música nesta semana tumultuada. Os diminutos lançamentos da semana chegaram devagar durante ela, se arriscando a competir com a Copa do Mundo. Por isso, nossa busca incessante achou diversos bons momentos para se ouvir. Vamos! 

Ê, paixão. É o que indica a nova de Bruno Berle, mais uma pista de “Sem Fronteiras”, futuro álbum do alagoano. “Não Posso Viver Sem Você” é uma declaração de amor acompanhada de camadas de teclados unidos a um bonito quarteto de cordas trabalhando de forma bem minimalista. Um brilho clássico no modelo de inspiração lo-fi tocado pela produção de Bruno e Batata Boy. Para ouvir sentindo o dia perto da Lagoa Mundaú ou do Tâmisa.   

Uma promessa antiga de Teresa Cristina é um disco composto apenas por sambas inéditos escritos por ela. Conhecida mais pela veia de intérprete e por ter criado a live mais acolhedora durante a pandemia em 2020, a cantora tem poucas músicas suas gravadas. O problema será resolvido finalmente com “Tudo Que Eu Tenho”, previsto para 24 de julho. O primeiro samba revelado é a bonita “Quando a Onda Passar”, uma parceria com Xande de Pilares e Mosquito sobre saber desistir de um amor na hora certa. Daquelas para cantar junto emocionado. 

Mineiro vivendo em Londres já há algum tempo, Marcelo Frota continua dando corda à distância em uma música brasileiríssima. “Tum Tum Tum” é o segundo álbum de sua jornada londrina e segue pulsando corações e ritmos do Brasil. O jogo fica ainda mais ganho quando o piano de Marcos Vale surge para completar o toque de “Morena”, composição que ainda tem também as digitais do hermano Marcelo Camelo.

Por falar em cantar juntinho emocionado, se liga em “Perdido no Mesmo Lugar”, single do duo Os Fugitivos, formado em Maceió por Nayane Ferreira e Thiago Mata. Eles vão pelo caminho de um R&B e soul music para lá de chique e apaixonado, daqueles que vai te mostrar o quanto esses dois gêneros influenciaram o pagode dos anos 1990. Não estranharia o Thiaguinho resolver regravar essa.   

Capsula é a união de metade do Skank com metade do Penélope. Mais especificamente a união de Erika Martins e Fernando Americano com Haroldo Ferretti e Lelo Zaneti. Voz e guitarra da banda de Salvador com a cozinha dos mineiros. Um projeto talhado na paciência do encontro e da curtição da criação, um ponto que gostam muito de frisar. Inteligência artesanal é o termo usado nas redes do grupo. Bom de se ouvir. 

Lô Borges nos deixou ano passado. Nos arquivos, um disco póstumo contemplando muitas parcerias com seu irmão Márcio. Certamente, o plano não era esse, mas quis o destino que “A Estrada” com sua capa em preto-e-branco ficasse como uma grande despedida de um dos nossos maiores compositores. Em especial, as duas últimas faixas do trabalha falam com serenidade sobre conclusão, “Chegada”, inclusive é uma letra do próprio Lô, dono de poucas letras. Com sua sonoridade caipira de Liverpool, é para ficar com o peito apertado de saudade.   

Vamos combinar que Triste é um baita nome para banda, né? Começa por aí o acerto do duo formado por Brenda Mayer e Rafael Brasil, rostinho conhecido pela presença no Far From Alaska e Swave. “Falta” é uma tristezinha minimalista tocada pelo vocal suave de Brenda. Ficaria ainda mais tristinha e bela toda em português, mas aí é questão de gosto da gente. 

Para entender boa parte da remexida sonora da fase madura do Emicida é bom dar uma olhada nas ideias musicais do seu parceiro Thiago Jamelão, muito mais que backing vocal do rapper. “Apaixonado” é uma boa mescla de R&B, pagode romântico e Djavan. Pode mandar para o seu amor com flores e bombons. Ou melhor: com sua presença! 

Alice David é artista cearense já com uma boa estrada e querida por muita gente bem conhecida nossa: Karina Buhr, Tulipa Ruiz, Romulo Fróes, Fernando Catatau. Depois de muitos singles e experimentos, ela chega ao seu primeiro álbum com firmeza e frescor. “Análise Selvagem” mistura sons analógicos e texturinhas eletrônicas para dar conta das composições de Alice em sua doce voz. Um dos ouros do disco são as letras espertas e complexas, definidas pelo pai da artista como “technopoética pinkfreudiana”.

2002 e “ A Nina” são palíndromos, ou seja, lidas de trás para frente carregam o mesmo sentido. Dessa observação poética, Ítallo reúne as lembranças do seu 2002 e de sua mãe, Nina, a Nina do Avon aqui. A história de uma geração toda que viu Lula ser eleito e transformar o Brasil (“Pouco antes de 2002, PFL/ Partindo pra 2002, mapa da fome”), que viu o penta, que nem sonhava com o iPhone e a histórias das lutas de sua mãe naquele ano reunidas em um poema concreto, praticamente. Palíndromos lembram ruas sem saída. Seriam memórias engasgadas de tempos melhores? Duros, é verdade, mas esperançosos. Talvez Ítallo também fale disso. Seu álbum “Catatau” ainda tem muito a ser ouvido.  

11 – Cidade Dormitório – “Vertigem Neon” (2)
12 – Deafkids – “Parasita” (2)
13 – ULTRALEVE – “Negativo” (2)
14 – João Carvalho – “Serra do Caraça/Itaúnas (Para Milton)” (2)
15 – Lulina – “Outras Vezes (com Ana Frango Elétrico)” (3)
16– Luedji Luna – “Ela É o Que Há (com Jadsa)” (3)
17 – Michelle Abu – “Talvez Amor” (3)
18 – Papangu – “Taxidermia” (3)
19 – Morro Fuji – “Maradona” (3)
20 – Bebé – “Meu Peito” (3)
21 – Exclusive Os Cabides – “Castelos de Areia” (4)
22 – Mauricio Pereira – “Casamata de Amoreiras” (4)
23 – Loulu Gilberto – “Avarandado (com Tom Veloso)” (4)
24 – Tangolo Mangos – “Vou Acordar com Essa Nova Ideia na Cabeça” (5)
25 – Marina Liori –  “Água na Boca (com Tori)” (5)
26 – Juçara Marçal e Thais Nicodemo – “Cavaquinho” (6)
27 – Giovani Cidreira – “Música de Trabalho” (6)
28 – Seu Jorge – “River Man (com Beck)” (6)
29 – KUCZYNSKI – “MUSIC 4 A STRIP CLUB” (7)
30 – Zélia Duncan – “Agudo Grave” (7)
31 – Mombojó – “Abaixo a Realidade” (8)
32 – Marcelo Cabral – “Grito” (9)
33 – Anitta – “Bemba (com Luedji Luna)” (9)
34 – Marabu – “Manda Beijo” (9)
35 – Buhr – “Voaria” (9)
36 – Novíssimo Edgar – “Zum Zum Zum” (10)
37 – Silva – “ROLIDEI” (10)
38 – Febem, Fleezus & CESRV – “M.P.B” (11)
39 – Rael – “Forma Abstrata” (11) 
40 – Marina Lima – “Um Dia na Vida (com Ana Frango Elétrico)” (12)
41 – Cidadão Instigado – “Medo do Invisível (com Kiko Dinucci e Jadsa” (12)  
42 – Schlop – “Clássicos” (12)
43 – MINTTT – “Liberdade Trade Mark” (12)
44 – Ottopapi – “Meus Podres” (13)
45 – Tiny Bear – “Mathpop” (13)
46 – Getúlio Abelha – “Zé Pinguelo” (14)
47 – Chococorn and the Sugarcanes – “Mais Gentil” (14)
48 – Jonnata Doll e os Garotos Solventes & YMA – “Calçadas” (14)
49 – Antropoceno – “Ayaba Oxum” (16)
50 – Romulo Fróes – “A Vida Que Já Era” (17)

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* Entre parênteses tem a indicação de quantas semanas a música está neste Top 50.
** Na vinheta do ranking, o músico alagoano Bruno Berle.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro Vinícius Felix.