Mike D para presidente do indie. A grande apresentação do ex-Beastie Boys no programa do Jools Holland

Nessa coisa de parecer que o mundo indie resolveu acordar do casulo, estamos aqui acompanhando de perto o que está rolando com o Mike D e as últimas notícias que apontam que o eterno e lendário MC do fundamental e hoje extinto trio Beastie Boys quebrou o silêncio de 15 dolorosos anos sem lançar nada inédito e botou o pé na porta com um novo projeto solo, batizado apropriadamente de Mike D 5D.

Nesses 15 anos depois do derradeiro suspiro de estúdio do trio, com Hot Sauce Committee Part Two (2011) e do trágico fim do grupo após a morte do gigante Adam “MCA” Yauch em 2012, Mike Diamond resolveu sacudir a poeira. O resultado? Um disco solo de estreia chamado Thank You, prometido para o dia 28 de agosto.

Para quem achava que o músico de 60 anos ia ficar curtindo a aposentadoria no surf em Malibu (aparentemente sua principal atividade, já que ele não engata muito como produtor), o músico nova-iorquino armou sua grande volta para 2026 com o lançamento de três singles. E o anúncio do primeiro álbum que um beastie boy vai lançar desde que a popularíssima banda parou de ser notícia (musical).

Mas o choque de realidade veio em rede nacional britânica no último fim de semana. Mike e sua nova gangue fizeram a estreia na TV no tradicionalíssimo e intocável Later… with Jools Holland, da BBC. E, olha, foi um absurdo.

Se você tinha alguma dúvida de que o DNA caótico, divertido e inovador dos Beastie Boys continuava vivo, a apresentação do hoje sessentão membro daquele “grupo moleque” destruiu qualquer desconfiança. A estética clássica estava toda lá: a banda inteira subiu ao palco usando agasalhos esportivos vermelhos combinando, exatamente como na fase de ouro do marcante álbum Hello Nasty.

Acompanhado por uma banda que inclui ninguém menos que seus próprios filhos, Skyler e Davis Diamond, Mike D descarregou dois singles fresquinhos:

* “Switch Up”: Uma paulada de “break-hop” que mistura rimas afiadas com batidas aceleradas de drum’n’bass.

* “What We Got”: Um som barulhento, guiado por guitarras distorcidas com muito efeito de fuzz e um pisar de pé digno de hino de arena.

O pique do homem no palco continua inacreditável. Pulando, comandando o microfone com aquela voz anasalada inconfundível e esbanjando uma energia que muito menino de 20 anos derrapa para entregar. Em entrevista ao piano com Jools Holland, ele mandou o recado: a ideia era fazer música despretensiosa, divertida e cercada por quem ele ama. Sem textão, sem sisudez. Apenas arte e conexão em um mundo que anda esquisito demais.

A Popload já andava de olho nas movimentações misteriosas do rapper, que começou o ano soltando teasers analógicos com cartões postais digitais e um site no formato de proteção de tela de DVD antigo. Depois de testar o material em portinhas minúsculas e clubes de surf na Califórnia, ele engatou uma turnê europeia histórica por inferninhos e festivais de peso. Quem viu o show dele semanas atrás no Primavera Sound Porto relatou uma catarse coletiva, com direito a faixas novas misturadas a clássicos dos Beasties (o hino “So What’cha Want” foi uma delas e encerrou a apresentação).

O álbum Thank You promete ser um verdadeiro playground auditivo que chuta para escanteio qualquer rótulo engessado, misturando pós-eletrônico, pós-punk e grooves hipnóticos.

Diz se um retorno desses, desse tamanho e com essa vitalidade, não é exatamente o que a gente precisava para salvar um ano de lançamentos (ou relançamentos) digamos titubeante até agora?