
O grande Ladytron está de volta com um disco novo e bem interessante, para dizer o mínimo. Lançado nesta sexta, 20 de março, “Paradises” pinta como oitavo álbum da banda britânica e mostra o grupo em modo renovado, sem perder o charme frio, noturno e sofisticado que sempre definiu seu som.
Com 16 faixas, “Paradises” foi produzido por Daniel Hunt e mixado por Jim Abbiss, parceiro antigo da banda, e vem sendo apresentado como o trabalho mais dançante do Ladytron desde “Light & Magic”, além de representar um novo salto desde “Witching Hour”, disco que completou 20 anos recentemente.
O álbum foi escrito e gravado em um processo espalhado por cidades como a Liverpool deles, a São Paulo nossa, Montrose e Dalston, antes de ser finalizado em Londres. No resultado, o grupo mistura disco, electro, synthpop, sombras balearic e aquele senso de tensão elegante que sempre foi sua assinatura.
O big jornal inglês The Guardian soltou uma matéria nos últimos dias que ajuda a costurar muito bem a história da banda com o presente. O texto relembra como o Ladytron surgiu no começo dos anos 2000 cercado pelo clima do electroclash, com Nova York, Berlim e Liverpool formando uma espécie de triângulo de influência estética, sonora e comportamental.
Mira Aroyo contou ao jornal que aquele universo era “hedonista, não binário e extravagante”, lembrando uma época em que ela e Reuben Wu foram convidados para tocar em uma festa em Nova York dedicada a sons eletrônicos queer e esquecidos dos anos 1980. Dali para frente, muita coisa do imaginário da banda parece ter se consolidado.
Foi nesse caldo que nasceu “Seventeen”, single de 2002 que virou uma das marcas definitivas do grupo. O Guardian destaca a música como a declaração mais emblemática da fase electroclash do Ladytron, ao mesmo tempo em que mostra como a banda sempre teve certa resistência a ser encaixada em rótulos fáceis. Daniel Hunt lembra na reportagem que eles nunca quiseram simplesmente “jogar o jogo” da indústria britânica da maneira tradicional e que havia um desejo de fazer as coisas do próprio jeito, olhando para fora, para a Europa, para as cenas alternativas, para a cultura de pista, sem pedir licença para Londres ou para qualquer script pronto do indie britânico.
Esse espírito segue muito vivo em “Paradises”. Em vez de soar como um disco de veteranos tentando recapturar um momento perdido, ele passa a sensação de uma banda que reencontrou o prazer de criar. O próprio Hunt disse ao The Guardian que o princípio orientador do álbum foi “diversão”, e essa ideia ajuda bastante a entender o que está acontecendo aqui. Depois de um trabalho anterior mais melancólico, o Ladytron decidiu se aproximar mais da pulsação da dance music e daquele impacto que a música eletrônica e pop pode causar quando parece “vir do futuro”, na definição da própria banda.