Voltando a se divertir e tendo São Paulo como inspiração, Ladytron solta novo single “urbano”. Disco de inéditas será lançado em março

Ladytron está voltando com disco novo e, do jeito que a coisa vem se desenhando, dá para dizer que a banda inglesa encontrou um jeito bem elegante de soar nostálgica sem virar refém do próprio passado. 

O trio formado em Liverpool vai soltar “Paradises”, o novo disco cheio, dia 20 de março, e dele tomamos conhecimento de “A Death in London”, faixa atmosférica que chegou acompanhada de um clipe em preto e branco, daqueles que combinam com luz baixa, fone de ouvido e um certo drama urbano. Super Ladytron.

A música ainda vem com uma curiosidade perfeita para virar lenda indie instantânea. Segundo a banda, ela foi escrita no “Casio do Leonard Cohen”. Eles não explicam se isso é literal ou só uma forma poética de dizer que a canção nasceu sob uma sombra bem específica, mas eles deixaram a dúvida no ar. 

“Paradises” vem na sequência de “Time’s Arrow”, de 2023, e chega em um momento de reorganização interna. Hoje o Ladytron é Helen Marnie, Daniel Hunt e Mira Aroyo, depois da saída do membro fundador Reuben Wu em 2023. O disco foi produzido por Hunt e mixado pelo colaborador de longa data Jim Abbiss, que já chegou elogiando o material com entusiasmo total: “Quando eu ouvi as demos de ‘Paradises’, fiquei genuinamente impressionado. A variedade nas composições e nos arranjos me lembrou ‘Witching Hour’, mas com uma atmosfera, uma sonoridade e uma atitude próprias.” Marnie reforça esse sentimento de reencontro com o parceiro de estúdio. “Foi como voltar para casa. A gente simplesmente se encaixa. O entusiasmo dele é contagiante e ter isso ali na sala realmente cria uma espécie de magia.”

A construção de “Paradises” também parece ter sido uma viagem no tempo e no mapa. O álbum foi escrito e gravado ao longo de cinco meses a partir do fim de 2023 e terminou de ser finalizado no começo de 2025, com etapas acontecendo em, atenção, São Paulo, Liverpool, Montrose, Dalston e no Dean Street Studios, em Soho, Londres. 

Mira Aroyo contou que a intenção era a de recuperar a vibração do começo da banda. “Eu queria escrever a partir dessa perspectiva e canalizar aquela sensação divertida de quando começamos a trabalhar juntos, lá no fim dos anos 90, quando não tínhamos nada a perder. Estar à vontade tira o melhor de nós, e havia um burburinho no estúdio em torno do material, que parecia novo.” 

O discurso foi endossado por Daniel Hunt. “Cada vez que eu entrava no estúdio, eu saía uma hora depois com uma faixa nova. A principal motivação era a diversão. Tudo voltou a ser divertido de novo. Existe uma coceira que a gente nunca coçou, que é: apesar das nossas origens no mundo dos DJs, nós nunca fizemos de fato um disco ‘disco’. Só que ‘disco’, no nosso contexto, tem um significado um pouco diferente.”

Antes de “A Death in London”, a banda já vinha soltando pistas do álbum com uma sequência de singles, como “I Believe in You”, “I See Red”, “Kingdom Undersea” e “Caught in the Blink of an Eye”.