Top 50 da CENA – Vitor Araújo na Holanda. Isma na Cohab. Larissa Luz no Carnaval. Temos nosso ranking

No pódio de uma semana qualquer no Brasil cabe música instrumental gravada na Holanda, funk aceleradíssimo e uma marchona de Carnaval – tá perto, hein? E ainda novidades do rock brasileiro e das novas e velhas gerações do rap nacional. 

De qual Carnaval você conhece Vitor Araújo? Pode ser do seu trabalho solo, das músicas compostas para filmes ou de sua incendiária participação no Tiny Desk do parceiro Arnaldo Antunes. E a Metropole Orkest, conhece? Sediada em Amsterdã, eles se apresentam como “uma orquestra de pop e jazz única, com um som inigualável”. Não é por menos, já colaboraram com nomes como Jacob Collier, Snarky Puppy e Louis Cole. Vitor agora entra para o seleto time com um álbum gravado ao vivo na Holanda em que viajam por diferentes “Toques”, a forma que eles nomearam as diferentes aventuras gravadas – indo da música instrumental brasileira mais tradicional (Villa-Lobos, Santos, Jobim) até experimentalismos mais modernosos e pop. Vamos ver qual diretor esperto de cinema vai chamar o Vitor para assinar uma trilha sonora completa de um filmão. O próximo Oscar brasileiro viria dali fácil.

“A gente é travesti, a gente não é medrosa”, explicou Isma em entrevista à youtuber Foquinha quando foi questionada sobre o fim no auge das Irmãs de Pau. E é nesse pique que ela apresenta seu primeiro álbum solo, “Made in Cohab”, lançado simbolicamente no dia 29 de janeiro, dia da Visibilidade Trans. Juntando produções de Cyberkills, Fuso, 2B e Clementaum, entre outros, Isma mantém a pegada consagrada pelas Irmãs de Pau e expande o contato com outros gêneros – afrobeat, hip hop, trap e drill. Repara na velocidade na faixa-título, 140 bpm para deixar qualquer um suado. 

Por falar em recado bem dado, Larissa Luz chega assim em “Marchona”, seu single para o Carnaval: “Deixa a cabeleira do Zezé/ E ele ser o que ele quiser (Bicha!)”. Dando a letra sobre o Carnaval ser tocado pelas monas e pelas maria sapatonas. A “Marchona” não julga ninguém, mas tira onda com justiça com os moleques novos tomando remédio para aguentar o tranco, se é que me entende. Risos. 

Coincidências da cena, rappers jovens convocando seus ídolos para um feat. celebratório. Borges convocou Emicida para homenagear o novo rap nacional em um salve gigantesco para geral. Já a parceria entre Teto e WIU conseguiu trazer Don L para o encerramento do álbum “Colapso Global”, onde eles provam serem seguidores de L desde os tempos de Costa a Costa.

Contrariando a lei das bandas que voltam preguiçosas de longos hiatos, a turma do Rancore quando retornou em 2023 agilizou dois singles e agora firma o compromisso de um álbum completo para este ano. “Brio” (alô, professor Clóvis de Barros?) chega 15 anos depois de “Seiva”. O primeiro single apresentado fala sobre a vontade de viver e sair do marasmo, escapar da morte. Também cita um certo “brilho dessa luz que não se apaga” (alô, Morrissey?). Gostamos.

Ainda que seja um disco em trio criativo, “Criolo, Amaro e Dino” em uma primeira audição deixa a gente pensando muito em Criolo. Após o dolorido “Sobre Viver”, lançado em 2022 refletindo a pandemia e suas dores, a fama e uma profunda depressão, este novo trabalho parece um reencontro de Criolo com um bem-estar imaginativo. Entram as cores, as possibilidades e encontro com dois ídolos contemporâneos seus: Amaro e Dino. É como abrir um sorriso vendo o sol chegar depois de muitos dias nublados.  

Com um carreira de 15 anos, o maceioense Lan é produtor requisitado e premiado. Ele é uma das mentes por trás de “Um Mar pra Cada Um”, de Luedji Luna, por exemplo. Em lenta construção, montou seu primeiro álbum solo, oferecendo músicas para os amigos colarem na voz: Bebé, JOCA, Marissol Mwaba são algumas das estrelas em “Estelar”. A gente sabe que ele demorou a soltar o trabalho porque o JOCA fala sobre 2024 em “Tão Bom Lembrar”, hehehe. Tudo bem. A hora certa é o agora. 

“Amores e Vícios da Geração Nostalgia”, discaço da Supervão lançado em 2024, segue rendendo frutos. Depois de um EP ao vivo, a novidade é uma versão deluxe com três inéditas: a demo de “Yolo”, “Nostalgia” com Ottopapi e um belo encontro de gerações indies com Carlinhos Carneiro em ““Tudo Certo pra Dar Errado”. A pergunta lançada no ar é: e o próximo? A banda toca daqui uns dias no Bar Alto, boa chance de perguntar sobre isso. Vamos?  

Enquanto soltava em seu Facebook análises precisas sobre a crueldade e estupidez da indústria fonográfica brasileira, Guilherme Arantes escreveu e produziu entre Brasil e Espanha um novo álbum. Após fases mais roqueiras e progressivas, a ideia de “Interdimensional” é voltar a uma sonoridade pop brasileira, marca de um dos períodos de maior sucesso de Guilherme, em especial nos anos 1980. Pop e profundo, como deve ser. A interdimensionalidade no título é sobre a capacidade de uma canção levar a gente para mundos paralelos. Talvez o único erro de Guilherme seja na avaliação dada recentemente em entrevistas que sua música está por ser descoberta. Olha, a nova geração mais ligada em som já sabe bem sobre seus feitos e te admira, viu? 

11 – Zé Ibarra – “Segredo – DJ Marky Remix” (1)
12 – Marcelo Cabral – “O Herói Vai Cair” (2)
13 – Maria Bethânia – “Vera Cruz” (2)
14 – Thalin – “Salah Salah” (2)
15 – Letuce – “Baliza” (2)
16 – Ratos de Porão – “Direito de Fumar/Nós Somos a Turma” (2)
17 – Luiza Sonza – “Nós e o Mar” (2)
18 – Janine- “Dorotá ( p.0, p.1, p.2, p.3, p.4)” (4)
19 – Marina Sena – “Saí para Ver o Mar” (com Rachel Reis) (4)
20 – Tuxe – “Nada a Pulso” (4) 
21 – Parteum – “10, Talvez 9” (4)
22 – Don L – “Iminência Parda” (4)
23 – Emicida – “Quanto Vale o Show Memo?” (4)
24 – Lia de Itamaracá e Daúde – “Bordado” (4)
25 – Tori – “Ilha Úmida” (4)
26  – Mateus Aleluia – “No Amor Não Mando” (4)
27 – Jadsa – “Big Bang”  (4)
28 – Cajupitanga e Arthus Fochi – “Flamengo”  (4)
29 – Joca – “BADU & 3000” (com Ebony)  (4)
30 – Chico César – “Breu”  (4)
31 – Clara Bicho – “Meu Quarto”  (4)
32 – Nigéria Futebol Clube – “Preto Mídia”  (4)
33 – BK – “Só Quero Ver” (4) 
34 – Vera Fischer Era Clubber – “Lololove U”  (4)
35 – Zé Ibarra – “Segredo”  (4)
36 – Lupe de Lupe – “Vermelho (Seus Olhos Brilhando Violentamente Sob os Meus)”  (4)
37 – Marabu – “Rubato”  (4)
38 – Joca – “BADU & 3000” (com Ebony)  (4)
39 – Mateus Fazeno Rock – “O Braseiro e as Estrelas”  (4)
40 – Valentim Frateschi – “Mau Contato”  (4)
41 – Eliminadorzinho – “Você Me Deixa Coisado”  (4)
42 – Douglas Germano – “Tudo É Samba”  (4)
43 – Oruã – “Casual”  (4)
44 – PUSHER174 – “Eu Sou do Contra”  (4)
45 – Sophia Chablau & Felipe Vaqueiro – “Cinema Total”  (4)
46 – Teago Oliveira – “Desencontros, Despedidas”  (4)
47 – Dadá Joãozinho – “As Coisas”  (4)
48 – ÀIYÉ e Juan De Vitrola – “De Nuevo Saudade”  (4)
49 – Gabriel Ventura – “Fogos”  (4)
50 – Nyron Higor – “São Só Palavras”  (4)

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* Entre parênteses, agora, tem a indicação de quantas semanas a música está neste Top 50.
** Na vinheta do ranking, o músico Vitor Araujo, em foto de Manoel Borba.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro Vinícius Felix.