Top 50 da CENA – O bang bang de VHOOR. O Carnaval emo do Chococorn. As línguas de Lucas Santtana. A social do Julieta. Este é o nosso bloco

Funkeiros fazendo house, emos fazendo música de Carnaval, uma banda de rock tentando ser todas as bandas de rock possíveis, tudo em bom português. Mais um Top 50 mostrando a vivacidade e variedade da CENA brasileira.  

VHOOR, produtor e DJ dos mais respeitados de BH, prepara para abril o sucessor de “Resenha”, álbum lançado em 2024. Não tá ligado? Bom, você certamente conhece o VHOOR de sua popular parceria com o rapper FBC em “Baile”, o mais tocado em 2021. Sabendo muito de funk, ele foi estudar melhor o house. E, nessa conexão dos graves de Chicago com os de BH, o resultado é de velhos amigos se trombando. Resta dançar. 

Segue o projeto da banda paulista Chococorn and the Sugarcanes, de Santa Bárbara D’Oeste, de lançar uma música por semana em fevereiro. E desta vez os representantes do emo caipira surpreenderam geral com uma música (ligeiramente) carnavalesca com doses de ska. O que uma paixão e o Rio de Janeiro não fazem com as pessoas, né? O emo até sorri e samba. Sem jeito, mas é Carnaval. Tudo cabe. 

Cocanha é uma dupla francesa formada por Caroline Dufau e Lila Fraysse que recupera canções tradicionais da Occitânia, região histórica onde hoje é o sul da França. Uma das missões delas é proteger a memória da língua occitana, uma língua românica antiga que foi sendo apagada pela força da imposição francesa. Ou seja, um projeto em perfeito diálogo com a ideia de “Brasiliano”, novo álbum de Lucas Santtana, onde o compositor quis exibir a vitalidade das línguas românicas, salvando o nosso português, por exemplo. “O brasiliano, o italiano, o occitano, o hauça, o francês… todas as línguas têm suas raízes… O bonito é ver como cada uma se transforma ao viajar pelos territórios através do tempo…”, escreveu Lucas em seu Instagram. Como definem de forma poética o trio: “Escuta tua língua, reconhece teu povo”. 

O “social” no nome Julieta Social não está ali por acaso. A ideia do projeto tocado por Rafael Bastos, João Durão e Rodrigo Mattos é mesmo ser o mais social possível. São os diferentes line-ups de banda que dá a cada faixa do álbum de estreia, “Julieta”, um saborzinho especial, como se de cada som pudesse surgir outro projeto totalmente diferente. Uma banda de rock mais indie, outra mais brasileira, outra mais pop, outra mais experimentalzinha. Para não perder nenhuma possibilidade, Julieta Social encara todas elas. 

Enquanto se prepara para os shows de despedida do álbum/fenômeno “Caju” fazendo show em estádios de futebol, Liniker soltou a versão de estúdio da inédita “Charme”, apresentada pela primeira vez no Tiny Desk Brasil. Talvez seja sua música mais pop até aqui. Pense na Marina Lima, no Lulu Santos e Gap Band. É disco, é pop, é muito radiofônica, enquanto a letra faz um relato encantado com charme da Ilha de Marajó, no Pará. “Charme” tem produção de Liniker, Fejuca e Nave. Estádio vai começar a ficar pequeno desse jeito. Praia de Copacabana tá aí.    

Engatando na tristezinha tropical, vale ouvir Pedro Lanches aka o sadboy do Mato Grosso do Sul. Na preparação de um EP, “Adesivos” é coisa de Pedro, mas também de sua banda, formada por Pedro Zurma, Guido Almeida, Leonardo Sardela e Lucas Anderson, e por YMA, que não entra só como feat., mas também como compositora. O clima melancólico da faixa vem de um punhado de saudade e lembranças, os tais adesivos, por exemplo, e muita São Paulo cortando o horizonte. 

Fã de Billie Eilish, Marina Lima deve ter pirado também no Bad Bunny e traz o reggaeton para uma pistinha mais comedida, mais caseira, para cantar aos sussurros sobre a festa de uma certa Olivia, a mulher da Virgínia. A festinha ferve, mas não no bom sentido. Tanto que ouvimos na música uma conversa que ou já saiu da nossa boca ou dá de algum amigo: “Gente louca do caralho! Ah, eu vou chamar um Uber agora!”. A faixa estará em “Ópera Grunkie”, novo álbum da cantora, previsto para o dia 24 de março.

De qual Carnaval você conhece Vitor Araújo? Pode ser do seu trabalho solo, das músicas compostas para filmes ou de sua incendiária participação no Tiny Desk do parceiro Arnaldo Antunes. E a Metropole Orkest, conhece? Sediada em Amsterdã, eles se apresentam como “uma orquestra de pop e jazz única, com um som inigualável”. Não é por menos, já colaboraram com nomes como Jacob Collier, Snarky Puppy e Louis Cole. Vitor agora entra para o seleto time com um álbum gravado ao vivo na Holanda em que viajam por diferentes “Toques”, a forma que eles nomearam as diferentes aventuras gravadas – indo da música instrumental brasileira mais tradicional (Villa-Lobos, Santos, Jobim) até experimentalismos mais modernosos e pop. Vamos ver qual diretor esperto de cinema vai chamar o Vitor para assinar uma trilha sonora completa de um filmão. O próximo Oscar brasileiro viria dali fácil.

“A gente é travesti, a gente não é medrosa”, explicou Isma em entrevista à youtuber Foquinha quando foi questionada sobre o fim no auge das Irmãs de Pau. E é nesse pique que ela apresenta seu primeiro álbum solo, “Made in Cohab”, lançado simbolicamente no dia 29 de janeiro, dia da Visibilidade Trans. Juntando produções de Cyberkills, Fuso, 2B e Clementaum, entre outros, Isma mantém a pegada consagrada pelas Irmãs de Pau e expande o contato com outros gêneros – afrobeat, hip hop, trap e drill. Repara na velocidade na faixa-título, 140 bpm para deixar qualquer um suado. 

Por falar em recado bem dado, Larissa Luz chega assim em “Marchona”, seu single para o Carnaval: “Deixa a cabeleira do Zezé/ E ele ser o que ele quiser (Bicha!)”. Dando a letra sobre o Carnaval ser tocado pelas monas e pelas maria sapatonas. A “Marchona” não julga ninguém, mas tira onda com justiça com os moleques novos tomando remédio para aguentar o tranco, se é que me entende. Risos. 

11 – Borges – “Vença (com Emicida e Ajax)” (2)
12 – Teto e WIU – “À Beira (com Don L e Lamar)” (2)
13 – Rancore – “Eu Quero Viver” (2)
14 – Criolo, Amaro Freitas e Dino d’Santiago – “E Se Livros Fossem Líquidos_ (Poeta Fora da Lei Pt II)” (3)  
15 – Lan – “Tão Bom Lembrar (com JOCA)” (3)
16 – Supervão – “Tudo Certo pra Dar Errado (com Carlinhos Carneiro)” (3)
17 – Guilherme Arantes – “Puro Sangue (Libelo do Perdão) (3)
18 – Zé Ibarra – “Segredo – DJ Marky Remix” (3)
19 – Marcelo Cabral – “O Herói Vai Cair” (4)
20 – Maria Bethânia – “Vera Cruz” (4)
21 – Thalin – “Salah Salah” (4)
22 – Letuce – “Baliza” (4)
23 – Ratos de Porão – “Direito de Fumar/Nós Somos a Turma” (4)
24 – Luiza Sonza – “Nós e o Mar” (4)
25 – Janine- “Dorotá ( p.0, p.1, p.2, p.3, p.4)” (6)
26 – Marina Sena – “Saí para Ver o Mar” (com Rachel Reis) (6)
27 – Tuxe – “Nada a Pulso”  (6)
28 – Parteum – “10, Talvez 9”  (6)
29 – Don L – “Iminência Parda”  (6)
30 – Emicida – “Quanto Vale o Show Memo?”  (6)
31 – Lia de Itamaracá e Daúde – “Bordado”  (6)
32 – Tori – “Ilha Úmida”  (6)
33  – Mateus Aleluia – “No Amor Não Mando”  (6)
34 – Jadsa – “Big Bang”   (6)
35 – Cajupitanga e Arthus Fochi – “Flamengo”   (6)
36 – Joca – “BADU & 3000” (com Ebony)   (6)
37 – Chico César – “Breu”  (6)
38 – Clara Bicho – “Meu Quarto”   (6)
39 – Nigéria Futebol Clube – “Preto Mídia”   (6)
40 – BK – “Só Quero Ver”  (6)
41 – Vera Fischer Era Clubber – “Lololove U”   (6)
42 – Zé Ibarra – “Segredo”   (6)
43 – Lupe de Lupe – “Vermelho (Seus Olhos Brilhando Violentamente Sob os Meus)”   (6)
44 – Marabu – “Rubato”   (6)
45 – Joca – “BADU & 3000” (com Ebony)   (6)
46 – Mateus Fazeno Rock – “O Braseiro e as Estrelas”   (6)
47 – Valentim Frateschi – “Mau Contato”   (6)
48 – Eliminadorzinho – “Você Me Deixa Coisado”   (6)
49 – Douglas Germano – “Tudo É Samba”   (6)
50 – Oruã – “Casual”   (6)


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* Entre parênteses, agora, tem a indicação de quantas semanas a música está neste Top 50.
** Na vinheta do ranking, o produtor mineiro VHOOR, sob foto de Celso Luthuli (@cebocaptures).
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro Vinícius Felix.