
Faz o L. De Lulina, pô. De Luedji Luna também. Nossos destaques da semana tranquilizam o clima da semana. Lulina com uma suave canção abrindo os trabalhos do seu próximo álbum, “Sinuosa”, e Luedji Luna em modo acústico para viajar pelo Brasil todo. Mais: um disco que não pode passar batido de tão bonito, Michelle Abu, percussionista de diversas bandas brasileiras, arrepia em trabalho solo. O ranking saiu bonito nesta semana.

A vida é uma só, mas nós, não. E essa multiplicidade se apresenta nos relacionamentos, é preciso entender isso. É o que canta Lulina na delicadíssima “Outras Vezes”, esbanjando essa sabedoria ao lado de Ana Frango Elétrico, que surge na voz e no piano elétrico pontual. “O arranjo tem elementos sonoros sutis que parecem transformar a música a cada ouvida”, pontua Lulina. Faz todo o sentido. O som é o primeiro single do próximo disco da artista recifense, “Sinuosa”. “O nome do álbum é inspirado na temática que costura as diferentes canções: o fato de nossos caminhos tomarem rumos inesperados e desvios que nos escapam do controle e que nos levam muitas vezes a boas surpresas e descobertas”, avisa a cantora.
Pensando em poder tocar em mais lugares deste país, a baiana Luedji Luna desenvolveu um belo projeto acústico – custos menores com uma proposta artística diferente. No álbum para reunir esse material ao violão não há apenas as tradicionais releituras típicas desses projetos. Entre seis inéditas, uma bela canção escrita e com participação da conterrânea Jadsa.
Michella Abu faz a diferença na percussão de diversos artistas há muito tempo: Ira, Fresno, Pitty, Arnaldo Antunes e Catto. De carreira solo ocasional, a artista volta a fazer um disco 12 anos depois de sua estreia solo para também comentar o lugar da percussão na música brasileira – elemento fundamental, mas cada vez mais apagado em turnês que cortam gastos. Ao ressaltar a força e importância da mão humana no tambor fica ainda mais belo o momento introspectivo do álbum ao lado de Catto. Ouça com atenção para notar o número de elementos percussivos – não é um beat eletrônico, distraído. Mais uma do disco: a maravilhosa “Samba da Ribeira”.
Um climinha tranquilo, jazzy total, é preenchido por um vocal gutural na primeira parte desta “Taxidermia”. É o jeitinho Papangu de ser, uma habilidade de soar leve mesmo no momento em que riffs distorcidos e um pedal duplo entram na música. É um jeito diferente e único de fazer metal – sempre com a masterização mais baixa que o padrão, exigindo que aumentemos o volume; uma raridade nessa guerra de volume alto e compressão na música digital.
As bandas jovens deste Brasil gostam de fazer música com nome de jogador de futebol, né? “Modrić”, da Pelados, “A Vida de Messi”, da Chococorn and The Sugarcanes, e agora “Maradona”, do Morro Fuji, faixa que conta com versos do tipo “Tão invencível quanto o Vasco na série A”. É o humor dessa geração, né? O quinteto do ABC Paulista junta MPB, city pop e um shoegaze moderado em seu álbum de estreia. Ficou bonito.
“Dissolução”, terceiro álbum da Bebé, escorre em pouco mais de meia hora. A solução delícia é o resultado da proposta da cantora, compositora e agora produtora do seu disco do começo ao fim em apresentar seu processo de reconstrução. Ou melhor, nas palavras dela: “Não é sobre destruir. É sobre mudar de estado”. Apresentar ideias guardadas há muito, rascunhos retrabalhados, deixar tudo exposto, é de uma sinceridade e coração aberto raros. Só reparar em “Meu Peito”, faixa de abertura do disco”. Concisa, suas estrofes tem força de refrão, um refrão que não vem, uma música que se resolve em aberto, mas sem suspense. Não ficamos apreensivos, pelo contrário, é um acolhimento. “Defeito, só pela forma/o mais complexo me fez gostar”. Perfeito, assim.
Encontrar a música dentro das palavras é a mágica que acontece na energética “Janeiro”, faixa de “Catatau”, quarto álbum de Ítallo, onde cada palavrinha parece carregar/conter a melodia. Compartilhada com Tori, a faixa também deseja transformar o mundo enquanto canção: “Colapsar o capital/ Complementar a munição/ Um outro mundo genial/ Baleias vivas no sertão”. Mais do que escrever canções, aliás. A mudança vem pelo verbo: cantar. Cantar alto. Cantar forte. Cantar até derrubar os muros.
Talvez o humor do Exclusive Os Cabides esteja em encerrar um EP com o som de uma descarga sendo acionada. Talvez não. Certamente não é marketing para a camiseta “Exclusive os Cabides É uma Merda”, merch deles infelizmente esgotado. Talvez seja uma indireta aos críticos. Talvez não signifique nada e tudo bem. “Feliz e Triste ao Mesmo Tempo” é um título para lidar com essa e outras dualidades da vida. De som e produção mais garageiros, velocidade quase pop punk e canto dobrado de inspiração sertaneja, a banda vem com o puro feeling da estrada a ponto de dispensar o metrônomo e ser só coração pulsante. Bate diferente.
“Casamata de Amoreiras”, novo single do próximo álbum do pai do Tim Bernardes, já é histórico por ter estreado ao vivo no último dia da rádio Eldorado no ar. A parceria de Maurício com Romulo Fróes é um samba sem ser – um meta-samba? “Torturar a torto e a direito/ pra ver o que esse samba fala”, diz um dos versos. O interesse na criação e seu sentido em existir em si mesmo além de possíveis significados: “Hoje eu vou deixar queimar o bolo/pra não ter que entender jamais/ que o amor possa ser algo mais/ que o amor possa ser algo mais do que um rolo”. Ah, repara na dinâmica da música, em especial no baterista. Conhece de algum lugar? É o Bielzinho!
Um dos últimos registros em vídeo de João Gilberto é uma gravação dele cantando com a filha mais nova. Ensaiavam um número que ela treinava para a escola. Aquele fragmento raro de João parece a forma que Luisa (ou Loulu) lembra dele. “A memória de meu pai é como um quebra-cabeça”, diz a cantora. Ela só se deu conta do tamanho de João Gilberto quando entrou na faculdade, onde todos reverenciavam seu pai. No processo de (re)descoberta de sua música, ela aprendeu a cantar e faz sua estreia com um álbum reunindo as pecinhas mais raras de João: lados B e canções favoritas do pai, um repertório que ela ouvia ao vivo ele aperfeiçoar em casa.
11 – Tangolo Mangos – “Vou Acordar com Essa Nova Ideia na Cabeça” (2)
12 – Marina Liori – “Água na Boca (com Tori)” (2)
13 – Os Garotin – “Uma Noite Só (com Arthur Verocai)” (2)
14 – Juçara Marçal e Thais Nicodemo – “Cavaquinho” (3)
15 – Giovani Cidreira – “Música de Trabalho” (3)
16 – Bruno Berle – “Manhã” (3)
17 – Seu Jorge – “River Man (com Beck)” (3)
18 – KUCZYNSKI – “MUSIC 4 A STRIP CLUB” (4)
19 – Zélia Duncan – “Agudo Grave” (4)
20 – Mombojó – “Abaixo a Realidade” (5)
21 – Marcelo Cabral – “Grito” (6)
22 – Anitta – “Bemba (com Luedji Luna)” (6)
23 – Marabu – “Manda Beijo” (6)
24 – Buhr – “Voaria” (6)
25 – Novíssimo Edgar – “Zum Zum Zum” (7)
26 – Silva – “ROLIDEI” (7)
27 – Febem, Fleezus & CESRV – “M.P.B” (8)
28 – Rael – “Forma Abstrata” (8)
29 – Jovem Dionísio – “Nada Mais” (8)
30 – Vandal – “AH VERDADEH DAH CIDADEH” (8)
31 – Marina Lima – “Um Dia na Vida (com Ana Frango Elétrico)” (9)
32 – Cidadão Instigado – “Medo do Invisível (com Kiko Dinucci e Jadsa” (9)
33 – Schlop – “Clássicos” (9)
34 – MINTTT – “Liberdade Trade Mark” (9)
35 – Ottopapi – “Meus Podres” (10)
36 – Tiny Bear – “Mathpop” (10)
37 – Getúlio Abelha – “Zé Pinguelo” (11)
38 – Chococorn and the Sugarcanes – “Mais Gentil” (11)
39 – Jonnata Doll e os Garotos Solventes & YMA – “Calçadas” (11)
40 – Thalin – “Vagando” com Nina Maia (12)
41 – Pedro Lanches – “Vergonha” (12)
42 – Antropoceno – “Ayaba Oxum” (13)
43 – VHOOR – “Me Faz um Favor” (13)
44 – Romulo Fróes – “A Vida Que Já Era” (14)
45 – Julieta Social – “Cê La Vie” (14)
46 – Marcelo Callado – “Casca” (14)
47 – Lucas Santtana – “Liga (com Cocanha)” (15)
48 – Liniker – “Charme” (16)
49 – Vitor Araújo e a Metropole Orkest – “Toque N.3” (17)
50 – Isma – “Made In Cohab” com Tasha & Tracie, Carlos do Complexo e CARLO (17)
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* Entre parênteses tem a indicação de quantas semanas a música está neste Top 50.
** Na vinheta do ranking, a cantora Lulina.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.