Com Paul McCartney, Robert Smith e até o Charlie Watts, Rolling Stones desafia o tempo com novo álbum gravado em apenas um mês
POSTADO DIA 10/07/2026

Entre temas sentimentais e temas mais agressivos, a música brasileira se apresenta nesta ressaca do fim do mundial de futebol – talvez o período mais desértico de lançamentos que encaramos desde que este Top existe. Pouca gente se aventurou a competir com as atenções ao mundo da bola. Aos corajosos, parabéns!

Se o mundo ainda mantém suas fronteiras, azar do mundo. Talvez essa seja a ficha que caiu para Bruno Berle. O alagoano nos últimos anos atravessou muitos países; seja chegando virtualmente nos ouvidos de um BTS ou fisicamente fazendo turnês por aí – muitas vezes com os parceiros, como Batata Boy e Nyron Higor. Só nos últimos três meses ele passou por Portugal, Inglaterra, Alemanha, Dinamarca, Suécia e Suíça. A jornada tem sido intensa, mas compartilhada. Além de andar com os colegas, co-produziu Nyron e Phylipe Nunes Araujo, o que com certeza ajudou a elaborar ideias para suas próprias músicas. De timbres a soluções melódicas. Uma insistência saudável não só em soar autêntico ou novo ou algo do tipo, mas tentar respeitar a si mesmo e os outros. Sem cópia, sem pensar no mercado, basta soar bem aos ouvidos. E o play em “Sem Fronteiras” é bem isso: soa bem aos ouvidos. Transporta o ouvinte ao imaginário de Bruno, permeado por amores, noites e manhãs e muitos sonhos. Bom saber que a maioria está virando realidade.
“ATÉ QUANDO” vamos viver na era “PÓS-VERDADE”? Ainda que sejam muito populares, os livros de autoajuda foram transferidos para os feeds sociais e tentamos evitar o celular ouvindo pessoas falando ao celular sobre como evitar tanto celular. Tratamos os hormônios, “DOPAMINA” e “CORTISOL”, como drogas de olho na performance individual. Todos contra todos. Em “DELÌRIO” empurramos nossa “DISTIMIA”. É se aproveitando dos títulos das músicas que tentamos descrever a experiência de “DELÍRIOS ANARCO-NIILISTAS”, nova pancada do SEXCORP., um dos projetos de parte do Orphans Club, “selo fluminense de música MUITO barulhenta”, como se apresentam. O novo trabalho avança na proposta de funk bruxaria, dando som não à luta contra o neoliberalismo, santa inocência!, já fomos derrotados. Aqui é a trilha dos escombros.
A regravação de “Até Quando Esperar”, feita 40 anos depois do lançamento do hit nacional, respeita o original. Tanto que reaparece por aqui o improvável violoncelo de Jaques Morelenbaum para dar melancolia ao riff punk. O que emociona é um detalhe: a participação especial tanto de Herbert Vianna, produtor do álbum original, quanto de Clemente, incorporado à banda ja tem 20 anos. Sobreviventes de dramas pessoais intensos, seus backings adicionam à regravação um peso único. Não há tempo para esperar.
A parceria de João Bosco com a banda de jazz orquestral NDR Bigband de Hamburgo não é de hoje. Em 2008, rendeu o álbum “Senhoras do Amazonas” e agora gera “Horda”, uma gravação ao vivo em estúdio. O repertório é uma festa aos 80 anos de João e celebra desde material mais antigo (“Incompatibilidade de Gênios” e “Caça à Raposa”) até as invenções mais recentes (“Mano Que Zuera” e a absurda “Sinhá”, parceria com Chico Buarque). Dá para dizer categoricamente que João está de parabéns!
A cantora e campeã de skate (aqui nesta ordem) Karen Jonz continua com suas releituras especiais de seu “Guizmo”, álbum de 2025 que tem ganhado reinterpretações e convidados especiais para constituir sua versão “Deluxe”. Aqui, “Sessão de Horror”, uma das principais músicas do disco, conta com colaboração vocal da grande Fernanda Takai, do Pato Fu, segundo Jonze uma heroína sua na música. “O Pato Fu é uma das minhas maiores influências. Aprendi a tocar violão ouvindo a banda. O John anda de skate também, então sempre existiu essa identificação. E a Fernanda é uma mulher de uma banda dos anos 2000 que foi muito importante para a minha formação musical.” Ornou bem demais.
Na longa série de parcerias de Adrian Younge no projeto Jazz Is Dead, repleto de gênios da música brasileira, o nome da vez é a dupla Joyce e Tutty Moreno, em um álbum que teria originalmente a batuta do mestre João Donato. Sem João por perto, o trio superou a dor e deu continuidade à ideia, se rendendo a temas instrumentais amarrados com improviso no estúdio e esbanjando amor. Uma homenagem linda a João.
O homem tirou um tempo para pensar. Depois de dois álbuns seguidinhos que popularizaram ainda mais seu nome, “Galanga Livre” e “Mundo Manicongo: Dramas, Danças e Afroreps”, lançados entre 2017 e 2019 respectivamente, Rincon chega sete anos depois com o recém-promovido álbum “Corpo Preto”. A capa do álbum já ilumina as ideias: Rincon aparece em um campinho de quebrada cercado por camisetas de seleções africanas, com especial destaque a camiseta do Congo – que quase eliminou a Inglaterra nesta Copa do Mundo. Vale lembrar que o rapper jogou bola e era dos bons: o apelido Rincon veio daí. Discutir a diáspora em torno das batidas e da bola é o meio. Em “Homem Gol”, por exemplo, se apresenta o antigo dilema do esporte como das poucas oportunidades de ascensâo social: “Dúvida, crime, o trampo, o campo/ Qual a opção pra dizer ‘fita boa’/ Sem poder saber qual vai ser pra vencer/ E alcançar o clichê, uma casa pra coroa”.
Ouvimos a mineirinha Julia Guedes por aí há tempos, especialmente em faixas de outros músicos, onde costuma participar com seu piano – são dela quase todas as teclas em “Areia e Voz”, de Tori. Mas vem logo mais sua estreia solo prevista para agosto antecipada em um especial single triplo com as músicas “Contra o Medo”, “Poesia Total” e “Zóim”, essa última com arranjos de Wagner Tiso. Aliás, um dos trunfos de Julia parece ser unir a geração de seu avô, Beto Guedes, com sua geração, formada pelas amigas Dora Morelenbaum, Tori e Luiza Brina. Passado + presente = futuro.
Prestes a uma série de shows grandões para se despedir do imenso “Caju”, Liniker resolveu já dar uma pista do futuro em novo single. “Melhor Notícia” segue a dica da excelente “Charme”. Soul de presença radiofônica com refrão viciante e letra apaixonada derretida entre sopros e uma guitarra que parece saída diretamente dos anos 1970. Ela vai dizer adeus a “Caju”, mas a melhor notícia é que os futuros hits já estão a caminho.
Alguns vão dizer que a Winter é mais norte-americana que brasileira e tudo bem. Ela foca mesmo sua carreira mais no exterior do que aqui, mas se ela nasceu em Curitiba quer dizer que ela é muito nossa também. E adoramos a nova versão para “Hollow”, som que encerra seu mais recente álbum, “Adult Romantix”, lançado em 2025. Traz uma vibe mais sujinha e direta para canção.
11 – Raquel Diamantas – “Meu Bebê” (1)
12 – Linn da Quebrada – “Nuvem Negra” com Fernando Catatau (2)
13 – Gilberto Gil – “Palco – Ao vivo em São Paulo” (2)
14 – Ema Stoned e Edgard Scandurra – “Conza das Horas” (2)
15 – Teresa Cristina – “Quando a Onda Passar” (3)
16 – MOMO. – “Morena” (3)
17 – Os Fugitivos – “Perdido no Mesmo Lugar” (3)
18 – Capsula – “Dopamina” (3)
19 – Lô Borges – “Última Parada”/”Chegada” (4)
20 – Triste – “Falta” (4)
21 – Thiago Jamelão – “Apaixonado” (4)
22 – Alice David – “Terra Sem Rei” (4)
23 – Ítallo – “Nina do Avon” (5)
24 – Cidade Dormitório – “Vertigem Neon” (5)
25 – Deafkids – “Parasita” (5)
26 – ULTRALEVE – “Negativo” (5)
27 – João Carvalho – “Serra do Caraça/Itaúnas (Para Milton)” (5)
28 – Lulina – “Outras Vezes (com Ana Frango Elétrico)” (6)
29 – Luedji Luna – “Ela É o Que Há (com Jadsa)” (6)
30 – Michelle Abu – “Talvez Amor” (6)
31 – Bebé – “Meu Peito” (6)
32 – Exclusive Os Cabides – “Castelos de Areia” (7)
33 – Tangolo Mangos – “Vou Acordar com Essa Nova Ideia na Cabeça” (8)
34 – Marina Liori – “Água na Boca (com Tori)” (8)
35 – Juçara Marçal e Thais Nicodemo – “Cavaquinho” (9)
36 – Zélia Duncan – “Agudo Grave” (10)
37 – Marcelo Cabral – “Grito” (12)
38 – Marabu – “Manda Beijo” (12)
39 – Buhr – “Voaria” (12)
40 – Novíssimo Edgar – “Zum Zum Zum” (13)
41 – Silva – “ROLIDEI” (13)
42 – Febem, Fleezus & CESRV – “M.P.B” (14)
43 – Rael – “Forma Abstrata” (14)
44 – Marina Lima – “Um Dia na Vida (com Ana Frango Elétrico)” (15)
45 – Cidadão Instigado – “Medo do Invisível (com Kiko Dinucci e Jadsa)” (15)
46 – Schlop – “Clássicos” (15)
47 – Seu Jorge – “River Man (com Beck)” (15)
48 – Kuczynski – “Music 4 a Strip Club” (15)
49 – Ottopapi – “Meus Podres” (16)
50 – Mombojó – “Abaixo a Realidade (com Letrux” (16)
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* Entre parênteses tem a indicação de quantas semanas a música está neste Top 50.
** Na vinheta do ranking, o músico Bruno Berle.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.