Top 10 Gringo – Wet Leg chega no topo, claro. Miley Cyrus invade o pódio. E a St. Vincent frita pega o terceiro

Minas no topo para variar. E, desta vez, em uma combinação que vai da barulheira da Wet Leg a também barulheira da pop Miley Cyrus (!!!). Ainda no campo da guitarrada, nossa musa St. Vincent nunca foi tão Prince e o Hives nunca foi tão… Hives! 

Faltam 100 dias para o novo álbum da banda inglesa Wet Leg. Sabemos disso porque as donas do rolê, Rhian Teasdale e a Hester Chambers, liberaram o pre-save de “Moisturizer’, segundo álbum delas, a continuação após sua estreia em 2022 na esteira de dois hits: “Wet Dream” e “Chaise Longue”. O norte do novo trabalho é a diversão, música pensada a partir do que é legal ser tocado ao vivo. Faz sentido, já que é a primeira vez que a banda toda participou do processo criativo – no caso os meninos Henry Holmes, Josh Mobaraki, Ellis Durand, que até deram as caras no material de divulgação. “Catch These Fists” mantém de pé a construção delas até aqui. Refrão pancada antecipado por versos quase falados embalados por um riff viciante. A inspiração da letra veio após Rhian fazer um rolê com ninguém mais ninguém menos que Chapell Roan. Após assistirem um show juntas e curtirem muito, elas tiveram uma noite horrível em um bar com todo mundo querendo invadir o espaço delas. O ódio motivou Rhian. Apesar da vontade dela de socar os malas, ela não conseguiu. Essa trava é o motor da música. “Fight, fight, man down.”

50 dias antes do novo álbum do Wet Leg teremos o novo da Miley Cyrus. Antes que alguém grite “E daí?”, é preciso dizer: gostamos bem dos dois singles que antecipam a nova jornada dela. Depois do pop correto de seu álbum anterior, “Endless Summer Vacation”, Miley se arrisca um tanto mais em “Something Beautiful”. A faixa começa supertradicional, meio jazz acompanhado por um beat eletrônico muito suave, com ela soltando o vozeirão, e logo caí em um refrão barulhento, solto, meio perdido. É uma viagem. A brisa fica maior quando se descobre que se trata de um álbum conceitual. E as faixas vão dialogar em conjunto também em um projeto audiovisual. Vamos ver onde chega. 

“DOA” é tudo que a gente queria da St. Vincent, mas não sabia como pedir. Um som 100% fritado. Uma junção de New Order com Chic. Mas antes que geral se empolgue essa música fora da curva é “só” uma contribuição para a trilha do filme “Death of a Unicorn”, a nova bizarrice da produtora hype A24. Já sabem o plot do filme? Paul Rudd e Jenna Ortega fazem pai e filha que acidentalmente matam um unicórnio e vivem altas confusões. Sério! 

A gente viu de perto no ano passado que o Hives não só segue vivo, como segue bem vivo. Daí a gente entende de onde eles tiraram a ideia do novo álbum, “The Hives Forever Forever The Hives”. Se eles sabem fazer bem seu rock energético e veloz, por que reinventar a roda? Tem um certo quarteto nova-iorquino que soube fazer isso bem e suas músicas estão vivas até hoje. Por isso que “Enough Is Enough” chega chutando os modismos (“You’re unbelievable/ Eating anything they serve you at all”). Mike D dos Beastie Boys e Josh Homme do Queens Of The Stone Age estarão entre os feats.

Em 2022, poucos dias antes de lançar seu segundo álbum, o Black Country, New Road se viu sem o vocalista e líder Isaac Wood e tomou uma decisão: não tocar mais o material escrito com ele. Com uma turnê agendada foi preciso ser criativo, tudo até ali estava “perdido” e eles iam começar um repertório do zero. Parecia impossível, mas foi dando certo, tão certo que eles chegam inteiros ao terceiro álbum, que saiu nesta semana. É outra parada, mas o pessoal está gostando. As resenhas de quem já ouviu estão positivas. Por aqui, só ouvimos os três singles lançados e aprovamos também. Agora vamos direto para o álbum todo. 

“Lonely People with Power”, nome do novo álbum da banda americana de um certo post-metal Deafheaven, é um senhor título. Daqueles que abrem margem para muitas interpretações. Está falando dos bilionários desconectados de qualquer humanidade regulando o mundo ou está falando de nós, cada vez mais solitários e cheio de bugigangas? A banda aceita essas leituras, mas o vocalista George Clarke comenta em uma entrevista para “Kerrang” que o nome do disco foi pensado de olho nos pais, professores, amigos… São esses solitários que sem querer (querendo) moldam em parte toda nossa vida para o bem e para o mal. É daqueles percepções que parecem óbvias, mas são capazes de tirar o sono, não? Tão assustador quanto Elon Musk. Por essas e outras que esse é o álbum que coloca a sonoridade do Deafheaven no lado mais sombrio de seu blackgaze – quem conheceu só o trabalho anterior deles, o “fofo” “Infinite Granite”, pode ser se assustar. 

Indies históricos já da cena canadense, o New Pornographers, mais coletivo do que uma banda, fez uma parada bem indie: lançou duas músicas inéditas apenas em vinil e que só podem ser compradas pelos assinantes do Substack do vocalista A.C. Newman. Para não deixar o mundo de fora da brincadeira, eles liberaram semanas depois de  “Ballad of the Last Payphone” no streaming. Mas o lado B do single segue exclusivo para os fãs meeeesmo.

Mais uma pista do próximo disco do Car Seat Headrest, o conceitual/ópera-rock “The Scholars”.  “CCF (I’m Gonna Stay with You)”, assim como a faixa anterior, é uma canção bem longa (8 minutos, certo?) e cheia de diferentes momentos. Aqui conhecemos mais um personagem da fictícia Parnassus University, um tal de Beolco, que acredita que é a reencarnação do fundador da escola. Acho que só vamos entender tudo (ou não) quando o disco sair mesmo. Mas o caminho até lá tem sido no mínimo curioso

Winona Fighter é um baita nome para uma banda punk. E o talento do trio de Nashville também aparece na hora de nomear suas músicas. “You Look Like a Drunk Phoebe Bridgers” vem de um comentário que a vocalista loira Coco Kinnon recebeu. Será que isso foi um elogio? Achamos que a postura no palco do Coco não lembra nada a Phoebe, de “Friends”. Nos remete mais a um Kurt Cobain sóbrio. Será que isso é um elogio? 

1º de abril e o Skrillex lança um álbum onde a primeira faixa anuncia que ele está morto. É assim que começa “F*CK U SKRILLEX YOU THINK UR ANDY WARHOL BUT UR NOT!! <3”, um título que também parece piada. São 34 músicas em pouco menos de 30 minutos e mais de 20 convidados especiais. Tudo soa grandioso e apressado e provavelmente não é por acaso. O trabalho parece colocar Skrillex de volta na sonoridade do dubstep mais exagerada. Parece um contra golpe, dado não sem ironia. Agora que o pop mais radiofônico deixa ele soando quase fofo, é hora de tomar de volta o que é seu.

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* Na vinheta do Top 10, a incrível Rhian Teasdale, da banda inglesa We Leg.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.