Top 10 Gringo – O melhor ranking possível para estes dias. As novas de Charli XCX, Fat Dog e Jungle

Não resta dúvida. Todo single da Charli XCX desde “Brat” vai ser número 1 do nosso top, é o que parece. Não está dando para evitar. A artista inglesa mais do que fazer um baita som puxa a linha para papos mais abrangentes do universo pop. Na mesma pegada, Olivia Rodrigo começa a mostrar seu potencial ao caprichar em uma canção cheia de recados. Mas, se o lance for dançar e f*ck tudo, chegam Fat Dog e Jungle para resolver a parada.

“SS26” firma o que Charli queria dizer com “disco de rock” – vamos ter os clichês do gênero revirados por intensa edição digital. Dá para comparar com o mesmo processo feito com o pop no bem-sucedido “Brat”. Mas se na experiência verdinha muita gente deixou escapar a ironia da artista britânica, dessa vez ela deixa mais na cara do que e de quem está tirando sarro. Em “SS26” os alvos são muitos: da indústria da moda e seu contínuo estímulo ao consumismo enquanto o mundo caminha para o inferno até as celebridades que adequam seus discursos políticos conforme o espírito da época – e se pegar mal, tudo bem, é só alegar que foi hackeado e pedir desculpas. É o olhar de quem viu a feiura da indústria de perto. Imagina quantas pessoas que faziam pouco caso da Charli antes reapareceram agora como bons amigos depois do seu sucesso? Não tem mente que aguente.    

Nova música dos farrentos ingleses do Fat Dog, uma das bandas mais legais de uma certa cena despirocada que faz música boa e um tanto quanto divertida, em que podemos botar na mesma pratileira os ótimos Mind Enterprises e Getdown Services, para ficar nesses exeplos. “Go Fuck Urself” já é das mais comemoradas desde o ano passado nos bombados shows ao vivo do quarteto de Londres. E agora ganha uma pulsante versão oficial de estúdio, numa versão talvez menos punk e mais electrodisco anos 80. Mas sempre dançante. E, claro, divertida. O mundo precisa de mais bandas como o Fat Dog. Alô, galera da Chaotic Good Projects, corre aqui um minutinho.

Gosta de se organizar? Então prepara o seu 2027 com a gente. No dia 30 de março do ano que vem a incrível banda de neo-soul britânica Jungle se apresenta em São Paulo. Os ingressos provavelmente já estarão à venda quando você estiver lendo isso. Por uma coincidência bonita, o anúncio do show veio no mesmo dia em que eles soltaram mais uma prévia do álbum “Sunshine”. Aquilo de sempre, o que economizam em arte para capa dos álbuns é entregue em música delícia para dançar. Jungle nunca decepciona.

No bonitinho, mas ordinário filme “Nick & Norah’s Infinite Playlist”, Norah acha que o The Cure deveria se chamar The Cause por conta das músicas para momentos de tristeza, em especial tristezas quanto a relacionamentos. É bem capaz que Olivia Rodrigo concorde com Norah. É em “The Cure”, este seu novo single, que Olivia derrama todas as suas inseguranças: consigo, com todas as outras garotas do mundo e com o cara que conseguiu chateá-la. É legal a brincadeira sugerida no insistente verso: “Ele nunca vai ser a cura”. O rapazinho tanto não é a cura para suas dores quanto nunca vai ser tão bom quanto The Cure, a banda. É uma lição que todos nós acabamos aprendendo um dia. 

Os sumidos do Gilla Band voltaram! Nossos irlandeses demolidores favoritos seguem barulhentos em “Giraffe”, primeiro sinal de vida desde “Most Normal”, lançado em 2022. Segue sendo aquele caos sonoros pós-punk dando margem para o falatório do indecifrável Dara Kiely. Repara na hora que eles citam meio sem querer querendo “I Want You (She’s So Heavy”)” replicando um trecho da música dos Beatles ao mesmo tempo que zoam o McCartney. (“Now McCartney is cool/That also means Wings”). No fim, a faixa vira um batidão eletrônico. Igual a vida real. 

Diferentes artistas tentam capturar o que é viver em 2026. Nessas de encapsular o espírito de tempo, o troféu talvez acabe nas mãos dos duo The Femcels. De saída, temos a ironia com a figura do incel já no nome. Esse tipo de apropriação típico do punk também aparece na sonoridade, eletrônica e super editada, mas com lampejos toscos: o timbre dos violões lembram as piores demos das nossas bandas de rock favoritas. A diferença é que aqui é valendo, essa a intenção, esse é o choque. 

Foram 15 anos entre o último disco dos Beastie Boys e aparição solo de um dos dois integrantes vivos do clássico trio. Para o próximo som foram necessários 15 dias. “What We Got” é a mais nova de Mike D e chega bem aos moldes do seu antigo grupo: a voz distorcida em um rap acelerado. Não temos notícias de um álbum cheio, mas ele já está com algumas datas de show na Europa. Onde tem fumaça costuma ter fogo. Vamos ver. Aliás, ele está felizão com o seu Arsenal e o Knicks! Bom demais. 

“Ambigous Desire” da Arlo Parks é um belo trabalho sobre se reconectar consigo mesmo através de se reconectar com o corpo, em especial através da dança, dos clubes e sua coletividade. E sua beleza está em não ilustrar apenas o resultado, Arlo descreve como poucos o processo de superação de sua crise e tristeza. “Me trato com essa impaciência/Nunca faria isso com um amigo”, são alguns dos versos de “Senses”. A faixa vai relatar o intervalo pouco lembrado entre se tocar de que está mal e resolver mudar a própria vida, um processo doloroso e lento, geralmente. Mas a dor vira um refrão de chorar na voz de Arlo e Sampha. 

Master Peace é um artista inglês que vem ganhando destaque aos poucos. Fez barulho com sua estreia “How To Make A Master Peace”. É um cara que cresceu ouvindo um pouco de tudo Calvin Harris, Arctic Monkeys e muito rap, segundo ele próprio – ele é novinho de tudo, sua banda favorita é o The 1975, mas ama Smiths também. Já é um cara querido por nomes como Serge Pizzorno do Kasabian e Mike Skinner, o Sr. The Streets. Dos muitos gêneros onde tentam enquadrar sua música, nosso favorito é o termo “Indie sleaze”. 

Sem querer querendo o Rivers Cuomo jogou em sua conta de YouTube um monte de covers acústicos gravados toscamente por ele. Em tese, o material seria “private upload for playlist: randum cuverz”. Agora é nosso. É aquele repertório de apaixonado por rádio: Outkast, Eagles, Michael Jackson, Nirvana, Guns, Metallica… Gostosinho de ouvir. 

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* Na vinheta do Top 10, ela, Charli XCX.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix