Top 10 Gringo – Arctic Monkeys is back. Mais ou menos. Harry electro Styles. E o Fcukers fcuking. Este é o ranking desta semana

O Arctic Monkeys teve que revirar o baú para sacar uma inédita ao passo que Bruce Springsteen precisou de três dias para fazer uma do zero para amassar Donald Trump. Diferentes dinâmicas. Tão normal quanto termos um Harry Styles ousado apresentando bandinha desconhecida em turnê por estádios do planeta. Para acreditar em alguma coisa certa neste mundo, o James Blake segue fazendo música tristonha. 

Se “Opening Night” for mesmo a última música do Arctic Monkeys, como especulam, seria um fim meio triste. Ou melhor: anticlimático demais. Mas grandes bandas também acabam com um single requentado, não seriam os primeiros. “Opening Night” foi retrabalhada a partir de uma demo de dez anos atrás – informação importante para quem especula uma retomada no som anterior da banda, mais roqueiro. Não é bem isso. Dias depois do lançamento, Matt Helders, baterista da banda, disse que eles sempre farão músicas juntos. Meio vago, né? E lá se vão 20 ANOS do lançamento de “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”. 

Deixando um pouco de lado o espírito retrô grandioso de seus álbuns solos até aqui, Harry Styles solta um som eletrônico que parece ter sido produzido em um computador qualquer. Quem imaginaria um astro pop tão fofo e popular com um baixo tão estourado e deslocado? Não é estranha a ponto de não tocar 1 bilhão de vezes no rádio, pode muito bem ser uma nova “As It Was”, mas pô, achamos ousado. Ele deve estar pirando tanto em música eletrônica que até chamou o Jamie XX para abrir 30 datas dele no Madison Square Garden. “Kiss All the Time. Disco, Occasionally”, seu próximo solo, será lançado no dia 6 de março. 

Melhor que “Aperture”, mas aqui embaixo por questão de roteiro, é o novo single do Fcukers, a banda escolhida para abrir os shows do Harry no Brasil. O duo de música eletrônica formado por Shanny Wise e Jackson Walker Lewis só tem singles e EPs até aqui, mas “L.U.C.K.Y” será parte de “Ö”, álbum de estreia deles também previsto para março. O cheiro de balada do começo dos anos 2000 talvez te espante – ou te agrade. Alguém comentou no YouTube deles: “bloghouse is so back!”

James Blake até aumentou o bpm de suas músicas nos últimos tempos, mas a tristezinha, a sombra, sempre foi sua maior companhia. Por isso não é de se estranhar ele retornar a música mais lenta e melancólica apelando para um sample sombrio de Leonard Cohen, a poderosa “You Want It Darker”. Permitindo múltiplas leituras, o retrato da distância assassina do amor pode ser tanto sobre um relacionamento ou sobre a humanidade.  A faixa fará parte de “Trying Times”, seu sétimo disco. Está previsto para o dia 13 de março. 

Outro aniversário para deixar a gente se sentindo velho. São dez anos de “Adore Life”, o segundo e último álbum das maravilhosas Savages. Para celebrar o momento, Ayşe Hassan, Fay Milton, Gemma Thompson e Jehnny Beth soltaram duas gravações inéditas: “Prayer”, composição própria indicando rumos promissores do que elas poderiam ser, e um cover assombroso para “Paranoid” do Black Sabbath.

No começo do ano, uma matéria do jornal inglês “The Guardian” explicava como 2025 tinha sido o ano mais violento do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos). 32 pessoas morreram sob custódia deles. 2026 começou no mesmo ritmo e a brutalidade do grupo resvala agora nos cidadãos norte-americanos: Alex Pretti e Renee Good foram assassinados pelo ICE em Minneapolis. Assumindo o papel de trovador, Bruce Springsteen organiza o ódio nesta “Streets of Minneapolis”. Escrita, gravada e lançada em um período de apenas três dias, a canção deixa bem pontuada a situação: é o exército privado de Trump contra o povo. 

Achou a abordagem do Boss muito suave com a Gestapo do Trump? Ok, fique então com o grupo punk californiano NOFX dando a letra: “Se aqueles nazistas de Minnesota/ Têm tanta certeza de que fazem parte de uma raça superior/ Por que cobrem seus rostos brancos?”. Catapóf!!!!

Por falar em revolta contra os imbecis, o grupo irlandês Kneecap está de volta. “Liars Tale”, primeiro single do próximo disco, “Fenian”, é supergentil com o primeiro ministro britânico: “Não, que se foda Keir Starmer, cadela do Netanyahu, defensor de genocídio”. Pesado, literalmente. O novo álbum do trio de Dublin chega em abril. 

No filme dos outros, Charli XCX faz a trilha. No filme dela, quem cuida é o seu superamigo A.G Cook. São instrumentais eletrônicos bem dos derretidos tirados a partir da sonoridade do “Brat”. Não é remix, são músicas totalmente novas. O vídeo de “Residue” aponta possibilidades do roteiro de “The Moment” ao mostrar Kylie Jenner como uma das muitas clones de Charli. 

Em 2012, um punhado de artistas prestou homenagem a Caetano Veloso na coletânea “Tribute to Caetano Veloso”. Entre eles, Céu, Chrissie Hynde, The Magic Numbers, Devendra Banhart, Seu Jorge e Beck. Mesmo sendo muito chique, o disco não existe nos streamings da vida. Só algumas versões foram também lançadas em singles e coletâneas. E é o que acontece agora no miniálbum “Everybody’s Gotta Learn Sometime”, onde Beck reúne alguns covers, raridades e músicas suas presentes em trilhas sonoras. Além de Caetano, temos Beck cantando John Lennon (“Love”) e o magistral Daniel Johnston (“True Love Will Find You in the End”).  

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* Na vinheta do Top 10, o monkey Alex Turner, em foto de Samir Hussein/WireImage/GettyImages.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix