
Com 76 anos bem vividos, Tom Waits voltou aos holofotes, mas não exatamente pelo caminho que a gente ainda sonha em ver. Em vez de anunciar um novo álbum, o cantor e compositor reaparece no cinema com destaque em “Wild Horse Nine”, novo filme de Martin McDonagh que estreia em 6 de novembro e reforça uma fase em que o ator tem estado bem mais ativo do que o músico.
No longa, ambientado nos anos 1970, Waits divide a cena com John Malkovich, Sam Rockwell, Steve Buscemi e Parker Posey, interpretando o irmão do personagem de Malkovich em uma trama que acompanha dois agentes da CIA envolvidos em um plano para derrubar o governo chileno, com a história passando pela Ilha de Páscoa.
A escalação faz sentido dentro da trajetória recente dele. McDonagh já havia dirigido Waits em “Sete Psicopatas”, de 2012, e desde então o artista foi construindo uma presença cada vez mais sólida em filmes de diretores muito específicos, com sua aura um tanto estranha e ao mesmo tempo magnética.
Nos últimos anos, Waits apareceu em trabalhos dos irmãos Coen, David Lowery, Paul Thomas Anderson e voltou a cruzar caminhos com Jim Jarmusch, parceiro antigo, em “Father Mother Sister Brother”.
O curioso é que esse retorno às telas reacende, inevitavelmente, a velha pergunta sobre a música. O último álbum de estúdio de Waits, “Bad as Me”, saiu em 2011. Desde então, o que veio foram aparições pontuais, gravações esparsas e um silêncio discográfico que só aumentou a expectativa em torno de sua voz marcante.
Ainda assim, existe um pequeno sinal de vida no horizonte musical. Waits foi confirmado em um álbum-tributo ao grande Shane MacGowan, do Pogues, e essa participação deve render sua primeira gravação inédita de estúdio em oito anos.
A seguir, o trailer de “Wild Horse Nine”, em que aparece o grande Tom.