Popnotas – Os bons novos discos que você não estava esperando. Estrelando: Joshua Chuquimia Crampton, do Los Thuthanaka, Ratboys e o J. Cole

O ano ainda está engatinhando em termos de novas músicas e álbuns, mas a semana traz alguns discos bons que não estavam tão no radar assim nas listas dos “discos mais esperados para 2026”. Vamos a alguns deles nesse dump Popload.

*** Se você ainda está com o ouvido preso naquele impacto do Los Thuthanaka, pode ficar tranquilo: tem mais de onde veio. Joshua Chuquimia Crampton solta “Anata” de forma independente e mantém esse encontro delicioso entre tradição andina e psicodelia eletrônica que parece música feita para abrir portais. O disco é dedicado à “Anata”, cerimônia andina de celebração da Pachamama antes da temporada de chuvas, com agradecimentos pela colheita e a ideia de reciprocidade entre humanos e natureza, e isso dá o tom do álbum inteiro. As guitarras hipnóticas dele são o gancho principal, sempre puxando para dentro, enquanto as texturas e batidas trabalham como névoa em volta, num clima que é ao mesmo tempo ritual, dança e sonho acordado.

*** Já o Ratboys, banda algo veterana do indie rock puxado para o “alt-country”, como dizem os americanos, soltou o novo álbum “Singin’ to an Empty Chair”, que vem sendo bem badalado pela mídia especializada por lá. É “indie rock com coração de alt-country, feito por uma banda que já fazia esse cruzamento antes de virar tendência”, estão dizendo, e que hoje colhe o resultado de anos lapidando o próprio som. Com produção de Chris Walla, ex-Death Cab For Cutie e que já assinou trabalhos com nomes como The Decemberists, Tegan and Sara e Nada Surf, o maior destaque do álbum parece ser a longa “Just Want You to Know the Truth”. Ouvindo e curtindo.

*** Para fechar nossa trinca de improváveis bons discos, temos o álbum duplo “The Fall-Off”, que marca a volta do rapper J. Cole. Ele divide o projeto em “Disc 29” e “Disc 39”, como se fossem duas viagens para casa em momentos diferentes da vida, e usa essa estrutura para contar uma história de maturidade, ambição e paz buscada a duras penas. O disco tem um lado bem confessional e outro mais “rap de homem crescido”, mirando aquele território de reflexão que lembra momentos tardios de gigantes do gênero, só que com a obsessão técnica de sempre. A produção traz nomes como The Alchemist, T-Minus e Boi-1da, e a lista de participações amplia o alcance do álbum com Erykah Badu, Burna Boy, Future, Tems e Westside Gunn.