Não tem como… A inglesada se rendeu ao Geese, “a banda mais empolgante de sua geração”

Fotos: Lewis Evans

Pareeeece, o show do Geese em Londres nessa semana gerou dentro da bolha indie burburinho nível Oasis em Wembley. A potente banda nova-iorquina saiu do palco da tradicional casa de shows Apollo com a sensação de que já joga na primeira divisão do rock contemporâneo e trata cada show como um “eu estava lá” em tempo real. 

Diante de milhares de pessoas, o grupo estreou sua fase de arena com um espetáculo que misturou caos de mosh pit, melodias de estádio e uma confiança de veteranos em plena terceira fase da carreira. E olhe lá.

Originalmente marcado para uma casa menor, o show em Londres migrou para o histórico Hammersmith Apollo depois que o terceiro álbum, “Getting Killed”, explodiu e levou junto a carreira solo de Cameron Winter, hoje um dos rostos mais fortes da nova geração do rock norte-americano. Mesmo com a mudança para um espaço quase três vezes maior, os ingressos esgotaram e ainda renderam mais duas datas marcadas para o Troxy, consolidando o status do Geese como atração grande no circuito britânico.

Na estrada com a “Getting Killed Tour”, o Geese tratou o disco como eixo de uma verdadeira “era” ao vivo, alternando peso e catarse sem perder o senso de espetáculo. Faixas como “Islands of Men”, “100 Horses” e “Bow Down” apareceram retorcidas, cheias de ruído e improviso, com a guitarra de Emily Green e a bateria de Max Bassin empurrando tudo para um território mais áspero do que no estúdio. Já “Cobra”, “Au Pays du Cocaine” e “Taxes” ficaram mais fiéis às gravações e foram recebidas como hinos geracionais por um público que sabia cada verso, enquanto copos caros voavam sobre um mosh pit cada vez maior.

“2122” abriu seu tradicional espaço de firulinha cover para “Come Down Easy”, do lindo Spacemen 3.

O encerramento com “Trinidad” resumiu o clima de comunhão: o fosso virou um mar de gente, milhares de pessoas se balançando em uníssono como se estivessem em final de campeonato, enquanto a banda detonava um dos refrões mais intensos do repertório. No centro da cena, Cameron Winter assumindo o papel de anti-herói carismático, um narrador meio maluco capaz de transformar frases absurdas em slogans prontamente gritados por todo o Apollo, como o já célebre “there’s a bomb in my car!” da própria “Trinidad”.

Para a imprensa britânica, e aqui estamos falando de uma mescla de reviews de canais como The Telegraph e Rolling Stone, foi uma noite alucinante com “a banda mais empolgante de sua geração”, reforçando a sensação de que o Geese está bem longe de ser apenas mais um hype relâmpago. A leitura geral é de que o grupo virou ponto de referência: uma banda em torno da qual se formam memes, paixões exageradas, backlash e, principalmente, uma comunidade de fãs que se reconhece ali. Enquanto “Getting Killed” desce ladeira abaixo como um rolo compressor e a inédita “Apollo” aponta o próximo capítulo com Cameron repetindo “I’m going to the moon!”, a apresentação no Apollo parece já ter entrado na temporada como forte candidato a “show do ano”.

Pena que em Londres…