A sexta-feira esgotada já era, dois dias mais “tranquilos” pela frente. O sábado do Lollapalooza Brasil 2026 aparentemente vai ser no solzinho gostoso e sem sustos climáticos ou de fãs-clubes muito ardorosos como ontem (e como vai ser amanhã, no domingo). Mas ainda assim guarda algumas boas coisas para conferir se você estiver em Interlagos. Toma aí nosso raio X rápido do que, na nossa opinião, mais vale a pena conferir neste segundo dia de evento.

* Jadsa
A baiana tem o molho: dona do bem bom “Big Buraco”, um dos melhores álbuns nacionais de 2025 segundo a curadoria do time da Popload, Jadsa abre o sábado do Lolla com uma verdadeira aula de brasilidade, navegando por gêneros que vão do samba-reggae ao neosoul, reafirmando seu lugar como uma das cabeças mais interessantes e cheia de recursos da MPB hoje.

* Marina
Sua terceira passagem pelo Lolla não é toa. Marina, com seu pop teatral e apresentações sempre muito confiantes, serve exatamente o que um Lolla pede: um show que funciona tanto para quem chegou por curiosidade (ou para guardar lugar pro headliner no front) quanto a quem já sabe cada verso de suas músicas de cor. Nessa passagem pelo final da tarde de sábado, seu desafio vai ser encaixar um belo pôr do sol (se São Pedro ajudar) com seus hits da carreira e faixas mais recentes do seu último álbum de estúdio, “Princess of Power”.

* TV Girl
Se você nunca viu um show dos californianos do TV Girl e for procurar pela internet informações sobre, possivelmente encontrará algo como “um clima meio nostálgico, meio hipnótico, que parece trilha sonora de filme indie”. Num dia que promete ser intenso, seria um momento pra desacelerar e fazer do talvez chão molhado e barrento do autódromo uma pista suave? Vale super dar uma chance aqui.

* Cypress Hill
Donos de um repertório que moldou o rap dos anos 90, o veterano Cypress Hill chega ao Brasil provocando um encontro raro: o choque de gerações no melhor sentido. De um lado, quem viveu o auge dos anos 90 e carrega cada verso na memória; do outro, uma nova leva que abraçou (ou vai abraçar) os clássicos como se fossem lançamentos. A expectativa é um show sem firula, guiado por graves pesados, atitude e tudo soando ainda muito atual.

* Chappell Roan
Com um público que cada vez mais não está só pela música, mas também pelo que a arte representa e pelo ativismo social, Chappell Roan faz sua estreia no Brasil como uma espécie de embaixadora de uma nova fase do pop: mais consciente, mas não deixando de ser puro entretenimento. Vocal ela tem, e letras chicletes também.
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* 2Hollis
Com apenas 22 anos, o rapper norte-americano faz parte dessa nova geração “sem gênero fixo”: mistura hip-hop, eletrônico, hyperpop e até punk num som caótico e emocional ao mesmo tempo. Relatos que no seu “show não dá pra ter descanso” e a intensidade vai do início ao fim.
* Riize
O RIIZE é um boy group sul-coreano da SM Entertainment, mesma empresa por trás de nomes gigantes do K-pop, formado por 6 integrantes que tem o conceito do grupo girando em torno do chamado “emotional pop”. Relatos que estamos literalmente prestes a assistir um grupo em ascensão global ao vivo, no começo da história, antes de explodirem.
* Foto em Grupo
A Foto em Grupo é praticamente um “supergrupo indie brasileiro” formado por Ana Caetano (do duo Anavitória), Pedro Calais (vocalista do Lagum), Zani (guitarrista do Lagum) e João Ferreira (da banda Daparte). Eles surgiram meio sem pretensão, a partir de encontros entre amigos que já compunham juntos, até decidirem transformar isso num projeto oficial. Relatos que “o melhor dos mundos” de cada um pode se transformar em algo único, que não se repete igual em nenhum outro projeto deles. Veremos.
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Sem crueldades aqui. A grande parte de sets que colidem são de gêneros diferentes, não configuram exatamente um drama. Mas talvez fique apertado para alguém mais eclético, já que o k-pop do Riize e o pop sáfico da Chappell Roan acontecem simultaneamente.
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Skrillex carrega a fama de nunca repetir a mesma fórmula. Seus sets são mutáveis, imprevisíveis e cada vez mais livres. Em apresentações recentes, chegou a transformar arenas gigantes em verdadeiras “raves-surpresa”, quebrando o formato tradicional de festival. No Lolla, isso ganha um tempero extra: um show eletrônico ocupando um palco que não é o dedicado ao gênero. O resultado? Uma experiência que pode bagunçar expectativas e envolver o público.
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* Equipe Popload no Lollapalooza: Lúcio Ribeiro, Carolina Andreosi, Fernando Scoczynski Filho, Marcela Andreosi e Vinicius Dota.