O Lollapalooza Brasil 2026 chegou. E o primeiro graaaaaande festival do ano ganha, na nossa modesta opinião, um raio X rápido dia a dia do mais vale a pena conferir nos três dias de evento lááá em Interlagos.
Começamos falando desta sexta-feira, com os headliners Sabrina Carpenter e Deftones, mas também com muitas outras coisas legais pelo caminho. Aí vão cinco shows imperdíveis, três artistas para descobrir, um conflito (quase) cruel e um show que pode te surpreender hoje.

* Deftones
A atração mais pesada do dia (e, possivelmente, do festival todo) chega a um dos melhores momentos de sua carreira de 30 anos. Ano passado lançaram “Private Music”, seu décimo álbum, um trabalho tão bom que compõe quase um terço do setlist da banda. O resto deve trazer todos os hits que os fãs esperam, bem como algumas surpresas. É raro que uma banda desse gênero rock/metal/alt passa por aqui em uma fase tão boa.

* Sabrina Carpenter
Não tem como não falar da pequena musa pop Sabrina Carpenter. A headliner do primeiro dia do festival, o primeiro com ingressos esgotados, deve ser o nome que mais chama a atenção em todo o line-up desta sexta. Mesmo para quem não é tão fã de pop, vale a pena ver a produção enorme que Sabrina traz ao palco – e ver qual será a piadinha que ela fará no meio do hit “Juno”.

* Viagra Boys
Aquela banda perfeita para o meio da tarde de sexta-feira no Palco Samsung Galaxy, para quem conseguir chegar a Interlagos na hora. Os suecos do Viagra Boys têm um rock animado, cheio de guitarras rasgadas e um toque alternativo com teclados e saxofone, só para deixar tudo um pouquinho esquisito. O sideshows deles na Audio, ontem (quinta) foi beeeeeeem animado. O vocalista Sebastian Murphy sempre comanda o público com facilidade, mas a banda inteira merece sua atenção. O Interpol vai parecer pequeno em comparação. Ok, pelo menos na animação.

* Blood Orange
Um veterano em sua primeira passagem pelo Brasil, Blood Orange é o nome artístico que o inglês Dev Hynes usa em seu projeto de R&B alternativo. Cheio de batidas eletrônicas criativas e uma influência inusitada de jazz, é um som perfeito para aproveitar o fim de tarde no Palco Budweiser. Ele é claramente precursor dessa onda de indie cool que tem Steve Lacy e Dijon atualmente. Com uma bandaça, fez uma apresentação solo linda de morrer no Cine Joia, ontem. Prepare-se para ficar rendido, aos pés de Dev Hynes, quando ele tocar a antiga mas inesquecível “Champagne Coast”. Tem até Smiths de um modo estranho no setlist.

* Men I Trust
Os canadenses do Men I Trust retornam ao Brasil com seu indie mais tranquilo. Liderados pela quietinha, porém carismática Emmanuelle Proulx, são uma ótima alternativa ao rock e ao pop que dominam o line-up desta sexta-feira.

* Doechii
Se você não se interessa tanto pelo pop brilhoso de Sabrina Carpenter, talvez prefira o hip-hop da Doechii. Em 2024 ela lançou o excelente disco “Alligator Bites Never Heal”, que compõe a maior parte de seu setlist. Espere uma produção quase tão grande quanto a de Sabrina Carpenter, mas com uma pegada musical bem diferente.

* Terraplana
Um dos destaques nacionais do festival, o paranaense Terraplana faz um som que claramente remete ao som de guitarras intenso e introspectivo, até shoegaze, de bandas como o My Bloody Valentine. Mas o Terraplana imprime seu próprio toque. É bem provável que você já conheça a banda, pois lançaram seu disco de estreia em 2023. Mas, se não conhece, o show deles deve ser a perfeita apresentação. Chegue cedo para ver.

* DJ Diesel
Quer se arriscar no Palco Perry? Vá de DJ Diesel. Simplesmente é a lenda do basquete estadunidense Shaquille O’Neal fazendo seu set de DJ. Vai mudar sua vida? Provavelmente não. Mas você vai poder dizer que viu o Shaquille O’Neal ao vivo. E fora de uma quadra.
O primeiro dia do Lolla é relativamente leve nas questões de horário batendo. Se tivéssemos que eleger um como o mais cruel, seria o das 19:05, que trará Doechii e Men I Trust em palcos completamente opostos do festival. Não são do mesmo gênero, nem têm o mesmo público, mas são dois shows que valeriam a pena conferir. Pela distância, só daria para ver um trechinho de cada.
Interpol já fez várias passagens pelo Brasil, está longe de ser uma novidade. E provavelmente não será a última vez que se apresentarão por aqui. Mesmo assim, tocando entre Viagra Boys e Deftones, é possível que a banda nova-iorquina entregue uma performance um pouco diferente, algo para limpar o paladar entre duas bandas relativamente bem mais pesadas. Como show de festival é mais curto que uma apresentação solo, como fizeram ontem na Audio Club, prepare-se para um caminhão de hits despejado pela turma de Paul Banks.
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* Equipe Popload no Lollapalooza: Lúcio Ribeiro, Carolina Andreosi, Fernando Scoczynski Filho, Marcela Andreosi e Vinicius Dota.