Na noite do dia 12 de abril, a do último domingo, o rei dos indies Mac Demarco finalmente estreou nos palcos belorizontinos, completando o sexto show de sua turnê pelo Brasil, que tem sequência nesta terça em Curitiba.
Em BH, ele veio no melhor jeitinho mineiro: de fininho, sem pressa e com bastante simpatia pelas ruas da capital. Em vez de se limitar ao tradicional circuito Rio-São Paulo, roteiro “normal” dos gringos pelo Brasil, o músico canadense elevou o nível e, além de BH, passou por Recife e a esta altura está terminando a tour pelo sul: hoje no Paraná, amanhã, quarta, em Santa Catarina, e por último no RS, em Porto Alegre.

Sobre essa preferência (já antiga) por inserir no roteiro cidades fora do eixo mais óbvio das turnês internacionais, Mac DeMarco conta à Popload, em entrevista horas antes do show, que essa inclusão é, também, motivada por sua preferência em tocar nesses lugares “menos óbvios”.
“Eu prefiro tocar em cidades como aqui [Belo Horizonte], por exemplo. Eu já toquei no Rio e em São Paulo antes e é incrível, fico muito feliz de fazer isso, mas acho que, não só no Brasil, mas nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa, eu me interesso mais por ir a lugares onde ainda não estivemos. Belo Horizonte tem tanta coisa, tantos músicos e tanta história musical”, falou o músico canadense.
E, entre os discos dos integrantes do Clube da Esquina, um músico da banda praticamente mineiro (o guitarrista Pedro Martins é nascido em Brasília mas filho de pais mineiros), os bares de comida típica e a simpatia com os fãs pelas ruas da cidade, Demarco diz ter encontrado em Belo Horizonte um cenário que dialoga diretamente com o tipo de público com quem tem mais afinidade: mais conectado à música e menos atravessado pela lógica acelerada das redes.
“Sinto que aqui tem menos essa coisa de ‘cérebro de TikTok’. Não que isso seja algo ruim, mas é diferente. Talvez a relação com o ‘rock de guitarra’ ainda seja mais viva por aqui do que nos Estados Unidos hoje em dia”, afirmou na conversa com a gente.
Sem pressa e sem excessos
No último álbum de sua carreira, o “Guitar”, lançado em agosto de 2025 e feito há mais de um ano, Mac Demarco reforça o caráter intimista que tem guiado sua produção recente. Gravado de forma caseira, com Mac responsável por todos os instrumentos dos arranjos, o disco aprofunda a relação íntima do cantor com a guitarra e aposta em composições mais contemplativas e que tratam de temas profundos e dolorosos, como rupturas e decepções.
Segundo o que o artista nos contou, o ponto alto do último disco é o fato de ele ser completamente espontâneo e refletir muito bem o período de sua vida em que ele foi composto. “Para mim, as notas, as músicas, os sons, tudo isso é legal, mas essa ideia de pureza musical também é um objetivo. E sinto que consegui isso com esse disco”, comentou.

Para alguém que vai na contramão da indústria, seja escolhendo cidades fora do eixo, seja apostando em discos feitos sem pressão, a passagem de Mac Demarco por Belo Horizonte parece sintetizar bem o atual momento de sua carreira.
Entre a recepção calorosa de um público ainda profundamente conectado à música e a busca por uma criação mais livre, como em “Guitar”, o canadense segue tranquilo em seu próprio ritmo: sem pressa e cada vez mais interessado no que foge do óbvio.
Se os próximos passos prometem um som mais divertido, ainda que, nas palavras dele, isso “nunca dê certo”, BH já mostrou que, por aqui, a simplicidade continua sendo mais do que suficiente para músicos como ele. E, a julgar pelo que aconteceu mais tarde na Autêntica no domingo, pouco tempo depois desta entrevista, deu “match” perfeito.
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* As fotos que ilustram este post, as daqui desta página e a da home da Popload, são do show de Mac DeMarco em BH, no domingo. Todas de autoria de Bárbara Moreira