Ela é elétrica. Charli XCX na “Vogue” inglesa, decretando a morte da pista de dança e anunciando que está fazendo um disco de… rock

Charli XCX parece pronta para fazer a curva mais brusca possível depois de “Brat”. Em uma nova matéria de capa da edição britânica da Vogue, com referência a Oasis e tudo, a cantora deu pistas bem concretas sobre o próximo álbum de estúdio e resumiu a virada com uma frase que já nasceu pronta para circular por aí: “Acho que a pista de dança morreu, então agora estamos fazendo rock”. 

O novo disco está sendo feito com dois parceiros antigos, A. G. Cook e Finn Keane, o Easyfun, nomes fundamentais para o som que ela construiu nos últimos anos. Segundo a reportagem, os três estavam trabalhando nesse material em Paris durante a última Fashion Week, em outubro, num ambiente que parecia combinar bem com o espírito do projeto. 

“Nós sabíamos que queríamos ir para Paris para fazer isso. Sabíamos que seria um período muito caótico, intenso, e nós gostamos de criar nesse tipo de atmosfera”, disse ela. O detalhe curioso é que A. G. Cook, normalmente associado à vanguarda eletrônica e ao hyperpop, agora aparece tocando guitarra nesse novo álbum, o que ajuda a reforçar a promessa de uma “mudança de direção”.

Essa guinada também nasce de uma necessidade de não repetir “Brat” no automático. Charli reconhece que seria estranho continuar insistindo na mesma linguagem agora. “Se eu tivesse feito outro álbum com uma pegada mais voltada para a dança, teria parecido muito difícil, muito triste. Mas o que é interessante para mim é dobrar as possibilidades do que a minha perspectiva sobre isso poderia ser”.

Ao mesmo tempo, a cantora também admite que o peso da exposição mudou o jeito como ela encara o próprio trabalho. “Agora existe tanto barulho em torno de qualquer outra coisa que eu faça, de um jeito que às vezes eu acho meio sem sentido. Fico tipo: ‘Por que eu não faço simplesmente o álbum e escuto com A. G. e Finn?’ Mas obviamente existe um narcisismo que me impede de fazer isso”. 

A reportagem ainda aponta que Charli está gravando a voz com menos Auto-Tune e buscando algo mais cru, embora continue filtrando tudo pela própria estética. Ela mesma resumiu isso com humor: “Nós estávamos fazendo a nossa versão do analógico, o que é tão bobo e engraçado. Mas passar isso pelo nosso olhar, e garantir que nada parecesse macho demais, era importante”.

A Vogue ainda descreve algumas das músicas que já existem nesse álbum em andamento, e elas parecem apontar para um trabalho mais áspero, de guitarra e “menos preocupado em ser imediatamente sedutor”. 

Outro ponto interessante é que, ao contrário do que muita gente poderia esperar, Charli disse que não quer continuar escrevendo canções centradas no marido, George Daniel, do The 1975. Em vez disso, o novo álbum deve olhar para a relação dela com aquilo que parece ser o outro grande amor da sua vida: a arte. Como ela coloca, o disco “está comentando sobre como eu interajo com o grande amor compartilhado da minha vida além do George e o que aconteceria se isso fosse tirado de mim, como eu não teria propósito, e como, para o bem ou para o mal, a arte realmente me dá propósito na vida”.

No meio de tudo isso, ainda existe o lado físico da coisa. A matéria revela que Charli está lidando com um dano nervoso sério no pescoço, resultado das performances intensas da era “Brat”, o que ajuda a dar outro peso a essa ideia de mudança. Ela mesma comenta: “Eu nunca achei que fosse tocar em arenas na minha vida, e quem sabe se vou de novo. Talvez não, mas depois que você faz algumas, você fica tipo: ‘Ah, esse lugar.’ Isso realmente acontece”. 

A matéria completa pode ser conferida aqui.

*** Todas as fotos do post são da matéria original da Vogue UK, feitas por Rafael Pavarotti.