
O Boards of Canada voltou. Depois de 13 anos sem um álbum de inéditas, a dupla escocesa formada pelos irmãos Michael Sandison e Marcus Eoin lançou “Inferno”, seu quinto disco de estúdio. O trabalho chega como sucessor de “Tomorrow’s Harvest”, de 2013, encerrando o maior intervalo da carreira do projeto.
A volta não aconteceu de forma direta. Nas últimas semanas, o Boards of Canada alimentou o mistério com uma campanha cheia de pistas. Primeiro, fitas VHS misteriosas começaram a chegar à casa de alguns fãs. Depois, cartazes enigmáticos apareceram em cidades como Londres, Nova York, Los Angeles e Tóquio, gerando especulações em fóruns, redes sociais e comunidades dedicadas à banda. A Warp, gravadora deles, confirmou a movimentação em abril, e logo depois o próprio grupo publicou um vídeo nas redes, deixando claro que a campanha fazia parte do novo ciclo.
O primeiro sinal musical veio com “Prophecy At 1420 MHz”, lançada no começo de maio. Pouco depois, “Inferno” foi apresentado em sessões exclusivas de audição em cidades como Tóquio, Berlim, Barcelona, Londres, Glasgow, Nova York e Los Angeles.
Agora, o álbum chega completo com 18 faixas e também em uma versão continuous mix, além de edições em vinil, CD e formatos digitais.
Desde os anos 1990, o Boards of Canada se tornou um dos nomes mais cultuados da música eletrônica por construir uma sonoridade própria, baseada em sintetizadores analógicos, melodias distorcidas, samples nebulosos e uma sensação constante de memória fora de foco.
Discos como “Music Has the Right to Children”, “Geogaddi”, “The Campfire Headphase” e “Tomorrow’s Harvest” ajudaram a consolidar a dupla como referência para a IDM, o indie-ambient e boa parte da eletrônica experimental que veio depois.
“Inferno” mantém esse universo de atmosferas sombrias, nostalgia deformada e tensão pós-apocalíptica. O álbum, que tem recebido críticas bastante positivas na gringa (a Pitchfork deu nota 8.6, por exemplo) traz faixas como “Hydrogen Helium Lithium Leviathan”, “Age Of Capricorn”, “Father And Son”, “Naraka” e “Acts Of Magic”, compondo um repertório de quase 70 minutos.
Tudo isso podendo ser coferido abaixo e com calma.