CENA – Salsa, “Thriller” e romance: “Vampira”, o novo single de Julia Mestre

Exploradora do pop brasileiro dos anos 70, Julia Mestre agora resolveu investigar um pouco os anos 80 nos campos internacionais. Ligada em Sade e Michael Jackson, seu novo single, lançado hoje, é uma versão requintada com cordas e trovões (sim, trovões) de uma salsa pouco conhecida – “Vampira”, canção dos anos 1990 gravada por Rey Reyes, artista da República Dominicana que o Google teima em confundir o Ray Reyes, que fez parte do Menudo. 

Aproveitando a metáfora da música, uma mistura de romance e terror, o vídeo para a faixa tira Julia da sua estética road movie apresentada até aqui em “Sou Fera”, primeiro single lançado em janeiro, e leva ela para um território mais dark/gótico/VHS. “Vampira” também é mais uma amostra do seu próximo disco solo, ainda sem nome divulgado. 

Conversamos com ela rapidinho sobre tudo isso. 

Popload – Digamos que o Rey Reyes não é um artista do seu tempo. Onde “Vampira” te achou?
Júlia Mestre – “Vampira” me achou numa dessas noites de imersão da criação do novo álbum. Quem me apresentou foi um dos produtores, Gabriel Quirino, que assim como eu se conecta muito com a música latina. Sempre tive um fascínio por canções que transitam entre o português e o espanhol, até porque minha mãe é espanhola, e essa mistura sempre esteve presente na minha vida. Quando ouvi a versão original, percebi que ela tinha um tom divertido, quase caricato, mas vi ali uma oportunidade de transformar a narrativa num thriller sensual, algo mais misterioso e magnético. Foi um processo muito instintivo, e acho que a sonoridade que construímos trouxe ainda mais essa atmosfera de suspense e sedução para a música. Essa faixa de “Vampira” eu assino a produção musical junto com Gabriel Quirino, Gabriel Quinto e João Moreira.

Popload – É uma faixa que tem referências sonoras ainda não tão evidenciadas no seu trabalho: Sade, Michael Jackson. Isso é um anúncio de que o álbum vai extrapolar o que foi apresentado até aqui? “Thriller” influenciou o vídeo também?
Julia – Com certeza, esse álbum traz um novo universo sonoro para mim. Sempre fui apaixonada pelo pop dos anos 70 e 80, pelo groove, pelos arranjos sofisticados, pela dramaticidade da interpretação. Em “Vampira”, essas influências aparecem de forma muito orgânica, desde a atmosfera meio noir, meio cinematográfica, até o uso de cordas e camadas vocais mais trabalhadas. O vídeo “Thriller”, do Michael Jackson, veio como uma referência no sentido de criar uma experiência sensorial, em que o ouvinte não só escuta a música mas sente essa ambientação de mistério e sedução. A ideia era mesmo que a música tivesse um clima de filme de suspense, com o toque meio sensual da letra, e acho que conseguimos traduzir isso tanto no som quanto na estética.

Popload – O disco ainda não foi anunciado, não temos um título, por exemplo, mas você consegue adiantar quais seriam as linhas condutoras dele? Quais assuntos e provocações serão feitas?
Julia – Quando ouvi a versão de Rey de “Vampira”, percebi que tinha muito a ver com o tema central do disco, que é o romance. O álbum inteiro gira em torno dessas diferentes faces do amor, que é desejo, mistério, intensidade, saudade, contradição. É um disco que caminha entre luz e sombra, e acho que “Vampira” já entrega um pouco disso. Também estou explorando muito a textura da minha voz, brincando com sussurros, camadas, silêncios. Ainda não posso revelar o título, mas posso dizer que ele representa maravilhosamente bem essa dualidade entre entrega e controle, entre se deixar levar e se proteger. Acho que quem já acompanha meu trabalho vai se surpreender com o quanto esse álbum vai além do que já fiz até aqui.

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* Abaixo, o vídeo de “Vampira”, do novo single de Julia Mestre