
Morrissey finalmente fez aquilo que parecia sempre estar quase acontecendo: o álbum novo, o primeiro em seis anos, saiu hoje. “Make-up Is a Lie” chega às plataformas como um disco de retorno em vários sentidos. Não só por encerrar um período de promessa eterna, mas também por marcar a volta dele ao selo Sire, ligado ao guarda-chuva da Warner, e por reunir novamente o cantor com o produtor Joe Chiccarelli.
O lançamento ainda é algo relevante justamente porque, nos últimos anos, a carreira do Morrissey virou um misto de suspense e desgaste. Entre polêmicas políticas, declarações que geram reação imediata e uma relação cada vez mais instável com a própria agenda, ele se tornou um artista difícil de acompanhar no “mundo real”, com cancelamentos frequentes de shows e compromissos que nem sempre chegam ao fim do caminho.
Ainda assim, “Make-up Is a Lie” entra em cena como uma espécie de contradição bem típica dele: enquanto a figura pública parece cada vez mais imprevisível, o disco vem recebendo elogios de imprensa especializada, com críticas destacando o reencontro dele com uma forma inspirada de escrever e cantar, além de um acabamento de estúdio que dá ao material aquela sensação de obra sem cara de rascunho.
Parte do interesse em torno do álbum também vem da novela dos outros discos que Morrissey vinha insinuando há tempos. Nos bastidores, ele passou anos falando de dois projetos diferentes, “Bonfire of Teenagers” e “You’re Right, It’s Time”, nenhum deles com este título, o que sempre alimentou a dúvida sobre o que, de fato, veria a luz do dia primeiro.
“Bonfire of Teenagers”, em especial, virou lenda, com Morrissey dizendo que gravadoras considerariam o álbum um “masterpiece”, mas teriam medo de lançá-lo por causa das controvérsias que o cercam. No fim, o que chegou às ruas reais e virtuais é este “Make-up is a Lie”.
O disco ainda traz um detalhe que conversa com a estética clássica do Morrissey, esse romantismo torto e britânico que sempre flertou com o glam e com o art rock na versão de “Amazona”, do Roxy Music, no meio do repertório. (E que também está no meio deste post).
Quem está com tempo para o Moz?