
Deve ser o frio. Pode ser a Copa. Ninguém vai lançar mais música neste país? Em uma semana de pouquinha coisa nova, juntamos os melhores ainda assim. E, te falar, coisinhas bem quentes, como a linda retomada de Linn da Quebrada e o encontro iluminado de Scandurra com Ema Stoned.

Djavan tem um pecado na carreira. Nunca gravou uma de suas melhores músicas, “Nuvem Negra”. Registrada em 1994 por Gal Costa como “O Sorriso do Gato da Alice”, a letra é uma descrição e tanto sobre depressão muito antes de a saúde mental ser um assunto diário. Regravada ainda por Nana Caymmi e pela francesa Camille Bertault, a canção ressurge através de uma parceria de Linn Da Quebrada com o cidadão Fernando Catatau. A melodia triste é transportada para 2026 e ganha aspectos de glitch. A textura eletrônica quebrada vai dar base para Linn trazer sua história também marcada por um longo período de depressão imediatamente ao seu momento de maior exposição na mídia após a participação no BBB – processo doloroso que fez muita gente se esquecer do seu excelente “Trava Línguas”, lançado em 2021. “Ela foi e continua sendo um amuleto para mim, reconectando-me com o que há de mais íntimo e sagrado na arte”. A tempestade passou. Bom te ouvir de novo, Linn.
Quem perdeu a maravilhosa turnê de despedida de Gilberto Gil (despedida essa das longas turnês e não dos palcos, diga-se) agora pode curtir os melhores momentos através de um álbum ao vivo que será lançado aos poucos. O Volume 1 contempla diversos palcos da tour – São Paulo, Fortaleza, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Belém. Será que as participações especiais inúmeras durante a tour vão aparecer no álbum ao vivo? Vamos ver.
É curioso. Com a distância entre as gerações aumentando cada dia a mais, cada encontro se torna mais simbólico. Ainda mais para matar o papo de que a música brasileira não vai mais tão bem assim. É bonito ver Ema Stoned (Alê Duarte, Elke Lamers e Theo Charbel) e Edgard Scandura (Ira!) junto sem um instrumental climático prenunciando uma parceria ainda maior – aliás, como revelou Pérola Matias em sua newsletter “Poro Aberto”, Edgard descobriu a banda em uma visita ao clube Porta, mostrando que basta sair de casa para trombar em música nova. Já fizeram show juntos e estão trabalhando em mais outras músicas inéditas.
Karen Jonz resolveu jogar um molho novo em alguma das músicas de seu álbum “Guizmo”, lançado ano passado. Em duas vão rolar feats especiais: um com Fernanda Takai e outro com a banda Mae. A primeira que surgiu é uma versão retrabalhada de “Superficial”, com letra e sons bem diferentes da original, outra música mesmo, praticamente. Trabalho de Karen e do Lucas Romero.
Ê, paixão. É o que indica a nova de Bruno Berle, mais uma pista de “Sem Fronteiras”, futuro álbum do alagoano. “Não Posso Viver Sem Você” é uma declaração de amor acompanhada de camadas de teclados unidos a um bonito quarteto de cordas trabalhando de forma bem minimalista. Um brilho clássico no modelo de inspiração lo-fi tocado pela produção de Bruno e Batata Boy. Para ouvir sentindo o dia perto da Lagoa Mundaú ou do Tâmisa.
Uma promessa antiga de Teresa Cristina é um disco composto apenas por sambas inéditos escritos por ela. Conhecida mais pela veia de intérprete e por ter criado a live mais acolhedora durante a pandemia em 2020, a cantora tem poucas músicas suas gravadas. O problema será resolvido finalmente com “Tudo Que Eu Tenho”, previsto para 24 de julho. O primeiro samba revelado é a bonita “Quando a Onda Passar”, uma parceria com Xande de Pilares e Mosquito sobre saber desistir de um amor na hora certa. Daquelas para cantar junto emocionado.
Mineiro vivendo em Londres já há algum tempo, Marcelo Frota continua dando corda à distância em uma música brasileiríssima. “Tum Tum Tum” é o segundo álbum de sua jornada londrina e segue pulsando corações e ritmos do Brasil. O jogo fica ainda mais ganho quando o piano de Marcos Vale surge para completar o toque de “Morena”, composição que ainda tem também as digitais do hermano Marcelo Camelo.
Por falar em cantar juntinho emocionado, se liga em “Perdido no Mesmo Lugar”, single do duo Os Fugitivos, formado em Maceió por Nayane Ferreira e Thiago Mata. Eles vão pelo caminho de um R&B e soul music para lá de chique e apaixonado, daqueles que vai te mostrar o quanto esses dois gêneros influenciaram o pagode dos anos 1990. Não estranharia o Thiaguinho resolver regravar essa.
Capsula é a união de metade do Skank com metade do Penélope. Mais especificamente a união de Erika Martins e Fernando Americano com Haroldo Ferretti e Lelo Zaneti. Voz e guitarra da banda de Salvador com a cozinha dos mineiros. Um projeto talhado na paciência do encontro e da curtição da criação, um ponto que gostam muito de frisar. Inteligência artesanal é o termo usado nas redes do grupo. Bom de se ouvir.
Lô Borges nos deixou ano passado. Nos arquivos, um disco póstumo contemplando muitas parcerias com seu irmão Márcio. Certamente, o plano não era esse, mas quis o destino que “A Estrada” com sua capa em preto-e-branco ficasse como uma grande despedida de um dos nossos maiores compositores. Em especial, as duas últimas faixas do trabalha falam com serenidade sobre conclusão, “Chegada”, inclusive é uma letra do próprio Lô, dono de poucas letras. Com sua sonoridade caipira de Liverpool, é para ficar com o peito apertado de saudade.
11 – Triste – “Falta” (2)
12 – Thiago Jamelão – “Apaixonado” (2)
13 – Alice David – “Terra Sem Rei” (2)
14 – Ítallo – “Nina do Avon” (3)
15 – Cidade Dormitório – “Vertigem Neon” (3)
16 – Deafkids – “Parasita” (3)
17 – ULTRALEVE – “Negativo” (3)
18 – João Carvalho – “Serra do Caraça/Itaúnas (Para Milton)” (3)
19 – Lulina – “Outras Vezes (com Ana Frango Elétrico)” (4)
20 – Luedji Luna – “Ela É o Que Há (com Jadsa)” (4)
21 – Michelle Abu – “Talvez Amor” (4)
22 – Papangu – “Taxidermia” (4)
23 – Bebé – “Meu Peito” (4)
24 – Exclusive Os Cabides – “Castelos de Areia” (5)
25 – Mauricio Pereira – “Casamata de Amoreiras” (5)
26 – Tangolo Mangos – “Vou Acordar com Essa Nova Ideia na Cabeça” (6)
27 – Marina Liori – “Água na Boca (com Tori)” (6)
28 – Juçara Marçal e Thais Nicodemo – “Cavaquinho” (7)
29 – Giovani Cidreira – “Música de Trabalho” (7)
30 – Seu Jorge – “River Man (com Beck)” (7)
31 – KUCZYNSKI – “MUSIC 4 A STRIP CLUB” (8)
32 – Zélia Duncan – “Agudo Grave” (8)
33 – Marcelo Cabral – “Grito” (10)
34 – Marabu – “Manda Beijo” (10)
35 – Buhr – “Voaria” (10)
36 – Novíssimo Edgar – “Zum Zum Zum” (11)
37 – Silva – “ROLIDEI” (11)
38 – Febem, Fleezus & CESRV – “M.P.B” (12)
39 – Rael – “Forma Abstrata” (12)
40 – Marina Lima – “Um Dia na Vida (com Ana Frango Elétrico)” (13)
41 – Cidadão Instigado – “Medo do Invisível (com Kiko Dinucci e Jadsa” (13)
42 – Schlop – “Clássicos” (13)
43 – MINTTT – “Liberdade Trade Mark” (13)
44 – Ottopapi – “Meus Podres” (14)
45 – Tiny Bear – “Mathpop” (14)
46 – Getúlio Abelha – “Zé Pinguelo” (15)
47 – Chococorn and the Sugarcanes – “Mais Gentil” (15)
48 – Jonnata Doll e os Garotos Solventes & YMA – “Calçadas” (15)
49 – Antropoceno – “Ayaba Oxum” (17)
50 – Romulo Fróes – “A Vida Que Já Era” (18)
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* Entre parênteses tem a indicação de quantas semanas a música está neste Top 50.
** Na vinheta do ranking, Linn da Quebrada, em foto de @liri______dreams.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.