
Existe algo de despretensioso no trabalho do paulistano Pedro Amaro. Não no sentido calculado, mas naquela sensação de alguém que parece ter gravado as músicas primeiro para si mesmo e, só depois, decidido mostrá-las ao mundo. Essa impressão aparece antes mesmo de dar play em “A Vida É Muito Vibes”, EP lançado em abril deste ano sob o nome peculiar de Pra Sempre Pepito.
Nas fotos de divulgação do projeto, que é sua capa (foto da Marcela Andreosi), Pedro surge usando uma máscara caricata de homem adulto, (com bigode, gravata e uma expressão meio artificial), sentado num quarto improvisado entre teclados, discos, desenhos colados na parede e cartazes tortos. A imagem parece sintetizar perfeitamente o universo do disco: uma estranheza meio ridícula de tentar performar maturidade sem nunca se sentir realmente pronto para ela.

Em “A Vida É Muito Vibes”, Pepito transforma dúvidas ordinárias sobre crescer, pertencer e entender quem se é em singelas canções agridoces, delicadas e engraçadas na medida certa. Existe algo quase infantil na maneira como ele organiza esse universo visual e sonoro, mas também uma melancolia que atravessa tudo, como alguém que tenta encontrar conforto em meio ao próprio caos.
Com a bagagem de baterista da banda Florextra, Pepito assume sozinho todos os instrumentos do disco: bateria, guitarras, teclados, baixos e vozes. O resultado carrega justamente o charme imperfeito dos projetos feitos em casa. Gravado, arranjado e produzido em um home studio montado pelo próprio artista ao longo de 2022, o EP abraça suas limitações técnicas sem tentar escondê-las. Chiados e texturas viram parte da estética, como se cada canção estivesse mais interessada em transmitir uma emoção do que em soar impecável.

Talvez seja exatamente isso que torne o trabalho tão simpático. Em vez de assumir a postura de um personagem excêntrico ou de um novo nome “cool” da cena, Pra Sempre Pepito parece se preocupar com algo mais simples: registrar um momento confuso da vida com honestidade suficiente para que outras pessoas também se reconheçam nele. O resultado é um curto EP delicado, engraçado e melancólico sem exageros: entende o desconforto de crescer não como uma grande tragédia, mas como uma experiência comum e, às vezes, até meio engraçada.
Apresentação ao vivo!
Nesta sexta-feira, o projeto ganha nova dimensão ao vivo em uma apresentação nA Porta Maldita, como atração do projeto Inferninho Trabalho Sujo, evento comandado pelo jornalista Alexandre Matias, em São Paulo. Dividindo a noite com a dupla Nalu & Aninha e a banda Caruma, Pepito leva aos palcos as canções do EP de estreia. Tem ingressos aqui.