
É o poder da dança, da tiração de onda e de mexer com os fãs. É acreditando nessas forças juntas que a turma da semana vem para remexer com você. A música transforma de muitos jeitos. Recife, Floripa, São Paulo e um monte de mineiros comandam nossa listinha da vez, nesta semana movimentada.

Sabe quando a personagem de Fernanda Torres avisa “Nós vamos sorrir!” em “Ainda Estou Aqui”. É meio o que o veterano grupo pernambucano Mombojó resolveu fazer em “Solar”. O mundo anda capenga e até a expectativa que gira em torno da banda é de canções mais melancólicas, mas eles vão sorrir. Gravado ao longo de três anos e nas comemorações de 25 anos da banda, a temperatura do trabalho é de festa. Não por acaso, os amigos que participam são muitos: tem Letrux, Laetitia Sadier (do Stereolab), Hervé Salters (do General Elektriks), Sofia Freire, Domenico Lancellotti, Queops Negão. Se a realidade está ruim, abaixo à realidade!
“Ontem eu comi uma bicicleta, eu vomitei, eu andei nela”. Tá aí um verso capaz de resumir bem o humor peculiar da banda catarinense Exclusive Os Cabides. A track, roqueira, homenagem a “Bike” de Sky Barret, nasceu com João Paulo Pretto, vocalista, guitarrista e compositor da banda, escrevendo a música de improviso no palco, interessado em provocar uns roqueiros ali reunidos com cara de mal. “Eu só queria deixar uns caras meio putos. E consegui”, se diverte. Rapidinha, a canção antecipa um EP novo previsto para maio.
Dá para dizer que nós aqui no Top 50 vimos de perto a transformação da Fresno segundo antes da pandemia, quando em mais uma virada sonora a banda se aproximou de uma sonoridade mais indie, papos mais adultos e fortaleceu ainda mais os laços com os fãs que não abandonam a banda nas boas e nas más. O novo fôlego fez eles apostarem em estratégias ousadas: lançar o novo disco apenas para fãs com ingressos para o show de lançamento no enorme Espaço Unimed. A ousadia deu certo, a turma chegou com as inéditas na ponta da língua. Apesar de levar o nome “Carta de Adeus”, a banda não está se despedindo neste álbum, mas está trocando de pele de novo. É assim que eles se mantêm vivos.
O mineiro João Carvalho, após aventuras com os projetos Sentidor, Rio Sem Nome e a banda El Toro Fuerte, chamou os amigos Bernardo Bauer e Felipe D’Angelo, outros dois mineiros de tantos projetos (Moons, Desastros, Sítio Rosa), para produzir seu primeiro disco solo. No primeiro single, João busca em um poema do argentino Roberto Juarroz (“no centro da festa está o vazio/ mas no centro do vazio há outra festa”) as camadas para seu texto aberto – pode estar falando de relacionamentos ou de busca espiritual. As boas vibrações da música são completadas pela voz suave de Clara Bicho, outra mineira, para fechar o esquema de formação de quadrilha. Ô povo que sabe se juntar para fazer umas belezuras.
Renan Benini, baixista da querida Lupe de Lupe, resolveu remexer nos seus arquivos de uma vida para recuperar composições antigas em sua estreia solo. “Valsas de um Bolero” é uma letra adolescente, a gravação é do Renan de hoje. “Foram 21 anos entre a escrita e o lançamento, e agora é o momento em que foi possível criar um conjunto onde a música coube esteticamente”, escreve Renan. O baú tem músicas escritas entre seus 13 e 21 anos e até o fim de maio teremos acesso a tudo.
As experimentações do mineiro FBC para além do rap sempre são interessantes: do miami bass (“Baile”) ao disco/soul (“O Amor, O Perdão e a Tecnologia Irão nos Levar para Outro Planeta”). Nessa experiência roqueira, uma paulada nos fãs do Bolsonaro, ficou faltando talvez um tiquinho daquele molho exclusivo que só ele pode dar. O som é bem Planet Hemp ou Rage Against the Machine, digamos. Dá para ir mais longe nesse rock.
“Ramal” não é a estreia na voz do baixista Marcelo Cabral, mas que voz, não? Por onde andou? Presença constante na cozinha dos seus favoritos (Criolo, Juçara Marçal, Sophia Chabalu & Felipe Vaqueiro, Rodrigo Campos, entre outros mil), aqui Cabral volta a tocar guitarra, seu primeiro instrumento. As canções apresentam riffs compostos no final da pandemia. Riffs de guitarra com gosto de rock, andar de jazz. Punk que frequenta samba. Skate à tarde, Pavement no walkman, show do Rumo depois. Dá para visualizar o presente, passado e futuro de Cabral. Entendemos seu pique ao notar a abertura para parceiros de todas as gerações: Sophia Chablau, Nefro Léo, Alice Coutinho, Douglas Germano, Fernando Catatau, Kiko Dinucci, Clima, Rodrigo Campos e Romulo Fróes.
“EQUILIBRIVM” é a volta de Anitta ao Brasil. Ao explorar a música brasileira e sua origem afro – indo do afro-samba de Baden e Vinicius até os Tincoãs – e se unir à produção esperta de nomes como Iuri Rio Branco, Papatinho e Carlos do Complexo, Anitta tem seu álbum mais sólido desde “Bang” (2015). Talvez depois de muito lutar para ser reconhecida lá fora, e pós-Bad Bunny, ela sentiu a firmeza de finalmente falar do Brasil a partir do Brasil. Falar daqui é mais fácil do que pôr em prática. Talvez tenha sido mesmo preciso fazer exatamente o oposto e ter lá sua “Girl from Rio” com uma visão norte-americana da bossa nova. O caminho agora é bem mais positivo. Tem também os defeitos de qualquer álbum pop de seu tempo. As músicas em outras línguas são dispensáveis, estão ali para o mercado externo. O mesmo vale para o excesso de feats., responsáveis por deixar Anitta em segundo plano por muito tempo. Ao emendar Marina Sena, Liniker, Luedji Luna e Melly, fica explícito demais onde Anitta foi beber. Precisávamos de mais uma versão da excelente “Várias Queixas” (aqui virou “Várias Quejas”)? Nessas, o disco anda no limite de parecer uma timeline, uma sequência de trends, o que estraga enquanto experiência. Já que é para ser um produto pop, é preciso iludir melhor. Madonna, Michael Jackson, Prince, mesmo Shakira, presente no álbum em “EQUILIBRIVM”. Nenhum deles deixa o mapa da mina de ouro em suas jóias.
Enquanto as pessoas estão na internet brigando para saber se o funk anda ou não colando com a machosfera de extrema-direita (e até mesmo brigando para saber se essa alegação faz sentido ou não), Marabu, MC e compositor do Capão Redondo, segue propondo caminhos novos para resolver a misoginia que ronda o gênero. “Manda Beijo” é mais um som “dimaloka”, bem do apaixonado, um funk suave da primeira escola; mas sem moralismo! Ou o som não seria dedicado a “todas as perigosas que seduzem por esporte”. A solução está no som.
A primeira aparição solo de Juliana Linhares foi em um som onde ela fala sobre um “Brasil a sós desde março”. Era o auge da pandemia. Daquelas coisas da vida, foi naquele período sombrio onde conhecemos o som suave, poderoso e luminoso dessa cantora, autora, diretora e atriz natalense. ““Até Cansar o Cansaço” será o segundo ato dessa jornada, álbum com 11 faixas entre autorais e releituras. O primeiro single vem justamente relembrar onde tudo começou e anunciar o novo. Agora estamos aqui, “Depois Do Breu”.
11 – Buhr – “Voaria” (1)
12 – Novíssimo Edgar – “Zum Zum Zum” (2)
13 – Silva – “ROLIDEI” (2)
14 – Tuyo – “Solamento” (2)
15 – Febem, Fleezus & CESRV – “M.P.B” (3)
16 – Rael – “Forma Abstrata” (3
17 – Jovem Dionísio – “Nada Mais” (3)
18 – Vandal – “AH VERDADEH DAH CIDADEH” (3)
19 – Marina Lima – “Um Dia na Vida (com Ana Frango Elétrico)” (4)
20 – Cidadão Instigado – “Medo do Invisível (com Kiko Dinucci e Jadsa” (4)
21 – Schlop – “Clássicos” (4)
22 – MINTTT – “Liberdade Trade Mark” (4)
23 – Ottopapi – “Meus Podres” (5)
24 – Ítallo França – “Tire uma Hora pra Lembrar de Mim” (5)
25 – Tiny Bear – “Mathpop” (5)
26 – Alice Caymmi – “Modinha para Gabriela” (5)
27 – Gabriel Leone – “Minhas Lágrimas” (6)
28 – Getúlio Abelha – “Zé Pinguelo” (6)
29 – Chococorn and the Sugarcanes – “Mais Gentil” (6)
30 – Jonnata Doll e os Garotos Solventes & YMA – “Calçadas” (6)
31– Thalin – “Vagando” com Nina Maia (6)
32 – Giovani Cidreira – “Denga” (7)
33 – Dany Roland e Pedro Sá – “Tudo Nada” (7)
34 – Pedro Lanches – “Vergonha” (7)
35 – Antropoceno – “Ayaba Oxum” (8)
36 – VHOOR – “Me Faz um Favor” (8)
37 – Mombojó – “É o Poder da Dança” (8)
38 – Romulo Fróes – “A Vida Que Já Era” (9)
39 – Julieta Social – “Cê La Vie” (9)
40 – Marcelo Callado – “Casca” (9)
41 – Lucas Santtana – “Liga (com Cocanha)” (10)
42 – Liniker – “Charme” (11)
43 – Vitor Araújo e a Metropole Orkest – “Toque N.3” (12)
44 – Isma – “Made In Cohab” com Tasha & Tracie, Carlos do Complexo e CARLO (12)
45 – Larissa Luz – “Marchona” (12)
46 – Borges – “Vença (com Emicida e Ajax)” (12)
47 – Criolo, Amaro Freitas e Dino d’Santiago – “E Se Livros Fossem Líquidos_ (Poeta Fora da Lei Pt II)” (13)
48 – Supervão – “Tudo Certo pra Dar Errado (com Carlinhos Carneiro)” (14)
49 – Guilherme Arantes – “Puro Sangue (Libelo do Perdão) (14)
50– Zé Ibarra – “Segredo – DJ Marky Remix” (14)
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* Entre parênteses tem a indicação de quantas semanas a música está neste Top 50.
** Na vinheta do ranking, .
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.