Mac DeMarco volta ao Brasil mais sóbrio e tranquilo. Mas sem perder sua marcante esquisitice

Uma horda de indies (e alguns rockeiros) formaram filas quiilométricas em frente à Audio, na Barra Funda, em São Paulo, no sábado de Aleluia e neste domingo de Páscoa. O motivo? Os shows em São Paulo da aguardada turnê de Mac deMarco, no Brasil. 

Casa lotada. Muitas franjinhas e bonés da Bolovo em destaque na plateia. A expectativa era forte por essa volta de Mac ao Brasil, ele que não se apresentava no país desde 2018 até marcar este retorno na sexta-feira, no Rio de Janeiro, em outro show abarrotado, desta vez na Sacadura 154.

Falaremos aqui, então, do show de Mac DeMarco de ontem em São Paulo, o de domingo, A noite começou com a atração de abertura, conduzida pela banda do brasiliense Pedro Martins, que (coincidentemente) também atua como guitarrista na banda do show principal. Virtuoso nas cordas, nos vocais e também no synth, nosso brazuca trouxe uma performance de respeito, com uma estética “dreamy” que nos remete diretamente a referências como o marcante Clube da Esquina mineiro.

Daí, foi chegada a hora.

As luzes se apagam e DeMarco e sua banda entram calmamente no palco. Cada membro é devidamente introduzido pelo vocalista antes de atacarem com “Shining”,  faixa de abertura do mais novo disco “Guitar”, lançado ano passado.

Entre hits clássicos e o repertório (quase na íntegra) do álbum novo, o canadense conduziu o público com seu conhecido carisma e sua esquisitice que não se vê em qualquer lugar. Danças estranhas. Falas estranhas, bananeira em cima do palco. É só com ele mesmo.

A galera respondia com cantos de “Marquinhos” e atirava os mais diversos objetos no palco. Um deles, uma bandeira do Brasil com o rosto do próprio Mac, acabou virando adereço no palco, e posteriormente uma capa nas costas do baixista Daryl Johns.

O coro da plateia foi constante na totalidade do show, mostrando que o novo repertório foi bem aceito (e incorporado) pelo público. Mas foi durante hits como “Freaking Out the Neighbourhood”, “Chamber of Reflection” e “My Kind of Woman” que a galera realmente soltou a voz. E o corpo. Por alguns instantes, lembramos a fase mais rock and roll de Mac e os shows fulminantes e caóticos de seu início de carreira. 

Mas ele está diferente. Mais calmo. Mais sóbrio (o cantor não bebe e nem fuma mais há alguns anos). Mas não menos esquisito. Não menos nonsense. E isso prova que a sua genialidade e despojamento sempre estiveram ali. Na verdade, elas refletem de fato quem Mac deMarco é. Um músico único, indiferente. Hilário, mas romântico. Caótico, mas consciente. Ele está mais seguro do que nunca. Cantando falsetes com suavidade e notas graves com vigor. Um músico que atingiu a maturidade sem perder a essência do que o fez chegar até aqui. 

Acompanhado de uma banda de primeira (Pedro Martins na guitarra, Daryl Johns no baixo, Alec Meen nas teclas e Phill Melanson na bateria), vimos o canadense assumindo com propriedade não só a posição de frontman, mas também a de cantor. Recorrendo em poucas músicas à guitarra, conduziu grande parte do show focando apenas em seus vocais, que vêm se mostrando cada vez mais sólidos. E, claro, a suas danças inexplicavelmente únicas e divertidas.

Outro de seus shows para ficar na memória de seus fãs paulistanos. Uma prova de que a decisão por realizar a turnê em casas mais intimistas foi certeira. Mac estava à vontade, e foi capaz de trazer o sentimento de introspecção de seu novo álbum, “Guitar”, para o palco, sem deixar de lado a diversão e irreverência que acompanham todo o seu processo criativo. Para quem vem seguindo sua trajetória como artista, é possível perceber como esse show concretiza uma nova fase em sua carreira. Sóbrio, seguro, irreverente, sempre genial.

Agora, nosso Marquinhos se apresenta em Brasília nesta quarta-feira, dia 8, o quarto dos nove shows que ele vai completar por aqui.

Em um rápido papo com o cantor, no domingo pós-show perguntei se ele já tinha comido o seu prato favorito, pelo menos em São Paulo: o sanduíche de pernil do Estadão. Uma lembrança de uma de suas outras vindas ao Brasil que à época foi bastante divulgada. Ele respondeu que, infelizmente, não tinha tido a oportunidade ainda, mas que ficaria em SP até amanhã, terça.

E, para a nossa (não) surpresa, enquanto editávamos este texto, nos deparamos com um post da gravadora de Mac (@macsrecordlabel) com um belíssimo sanduíche de pernil do Bar e Lanches Estadão. O canadense realmente não perdeu tempo nesta segunda-feira, em seu dia livre em São Paulo.

Seguimos de olho nos próximos shows da turnê, e torcendo para que não esperemos outros tantos anos para ele voltar para cá, principalmente para São Paulo. Ou como DeMarco mesmo repetia ao longo do show de ontem: “SP Motherfucker”.

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* As fotos do show deste domingo de Mac DeMarco em SP são de Maiara Giacomini (@maiaragiacominiphoto) para a Balaclava Records (@balaclavarecords).