
Ou a turma perdeu o rumo no Carnaval ou realmente quase ninguém se aventurou a lançar música nova no Brasil durante a festança. Talvez a resposta seja um pouco dos dois. Mas a gente aqui não deixa de lançar nosso Top 50 semanal, não!

Estrategicamente lançado na Quarta-Feira de Cinzas, “Boneca Russa” é o disco de Romulo Froes sobre o fim de um amor. Mas sua história pessoal é só um dos elementos que se encaixa nas perdas, saudade e vazios espalhados pelas letras do álbum. Ao escolher ter a voz escorada apenas pelo baixo de Marcelo Cabral, ambos produtores do disco, eles deixam no ouvinte também uma leve angústia pela falta do acompanhamento tradicional da canção brasileira. Tente ouvir “A Vida Que Já Era” sem imaginar um violão respondendo os versos ou um pandeiro ritmando e balançando a partir da segunda estrofe. A agonia aumenta ainda mais com a voz reverberada de Romulo sugerindo tantas possíveis harmonias. É um jeito encontrado de expor o exato e invisível instante onde o amor acaba. Ou melhor, acaba para recomeçar, já diria Paulo Mendes Campos.
Vale repetir: o “social” no nome do grupo Julieta Social não está ali por acaso. Rafael Bastos, João Durão e Rodrigo Mattos com diferentes line-ups fizeram um disco de estreia, recém-lançado, onde cada som soa como uma banda diferente da outra. É o multiverso das Julietas. Todas as Julietas possíveis. Nesta semana nos encantamos com “Cê La Vie”, outra música tristinha de “Julieta”, boa para aquecer qualquer fim de Carnaval.
Na pressa dos tempos atuais, muita música é casa feita com o desleixo dos dois primeiros porquinhos do conto infantil. Daí se nota de longe uma casinha bem construída, tijolos firmes, projeto bacana, que pára em pé. Apelemos aos porquinhos e suas casas porque “Casca” é uma reflexão sobre lar. Mais que isso: sobre sermos o nosso próprio lar: “Esteja onde estiver/ Minha casa sou”. Dueto e parceria firmeza de Marcelo Callado com o poeta Guilherme Lirio. Vai estar no próximo álbum solo de Callado.
VHOOR, produtor e DJ dos mais respeitados de BH, prepara para abril o sucessor de “Resenha”, álbum lançado em 2024. Não tá ligado? Bom, você certamente conhece o VHOOR de sua popular parceria com o rapper FBC em “Baile”, o mais tocado em 2021. Sabendo muito de funk, ele foi estudar melhor o house. E, nessa conexão dos graves de Chicago com os de BH, o resultado é de velhos amigos se trombando. Resta dançar.
Segue o projeto da banda paulista Chococorn and the Sugarcanes, de Santa Bárbara D’Oeste, de lançar uma música por semana em fevereiro. E desta vez os representantes do emo caipira surpreenderam geral com uma música (ligeiramente) carnavalesca com doses de ska. O que uma paixão e o Rio de Janeiro não fazem com as pessoas, né? O emo até sorri e samba. Sem jeito, mas é Carnaval. Tudo cabe.
Cocanha é uma dupla francesa formada por Caroline Dufau e Lila Fraysse que recupera canções tradicionais da Occitânia, região histórica onde hoje é o sul da França. Uma das missões delas é proteger a memória da língua occitana, uma língua românica antiga que foi sendo apagada pela força da imposição francesa. Ou seja, um projeto em perfeito diálogo com a ideia de “Brasiliano”, novo álbum de Lucas Santtana, onde o compositor quis exibir a vitalidade das línguas românicas, salvando o nosso português, por exemplo. “O brasiliano, o italiano, o occitano, o hauça, o francês… todas as línguas têm suas raízes… O bonito é ver como cada uma se transforma ao viajar pelos territórios através do tempo…”, escreveu Lucas em seu Instagram. Como definem de forma poética o trio: “Escuta tua língua, reconhece teu povo”.
Enquanto se prepara para os shows de despedida do álbum/fenômeno “Caju” fazendo show em estádios de futebol, Liniker soltou a versão de estúdio da inédita “Charme”, apresentada pela primeira vez no Tiny Desk Brasil. Talvez seja sua música mais pop até aqui. Pense na Marina Lima, no Lulu Santos e Gap Band. É disco, é pop, é muito radiofônica, enquanto a letra faz um relato encantado com charme da Ilha de Marajó, no Pará. “Charme” tem produção de Liniker, Fejuca e Nave. Estádio vai começar a ficar pequeno desse jeito. Praia de Copacabana tá aí.
Engatando na tristezinha tropical, vale ouvir Pedro Lanches aka o sadboy do Mato Grosso do Sul. Na preparação de um EP, “Adesivos” é coisa de Pedro, mas também de sua banda, formada por Pedro Zurma, Guido Almeida, Leonardo Sardela e Lucas Anderson, e por YMA, que não entra só como feat., mas também como compositora. O clima melancólico da faixa vem de um punhado de saudade e lembranças, os tais adesivos, por exemplo, e muita São Paulo cortando o horizonte.
Fã de Billie Eilish, Marina Lima deve ter pirado também no Bad Bunny e traz o reggaeton para uma pistinha mais comedida, mais caseira, para cantar aos sussurros sobre a festa de uma certa Olivia, a mulher da Virgínia. A festinha ferve, mas não no bom sentido. Tanto que ouvimos na música uma conversa que ou já saiu da nossa boca ou dá de algum amigo: “Gente louca do caralho! Ah, eu vou chamar um Uber agora!”. A faixa estará em “Ópera Grunkie”, novo álbum da cantora, previsto para o dia 24 de março.
De qual Carnaval você conhece Vitor Araújo? Pode ser do seu trabalho solo, das músicas compostas para filmes ou de sua incendiária participação no Tiny Desk do parceiro Arnaldo Antunes. E a Metropole Orkest, conhece? Sediada em Amsterdã, eles se apresentam como “uma orquestra de pop e jazz única, com um som inigualável”. Não é por menos, já colaboraram com nomes como Jacob Collier, Snarky Puppy e Louis Cole. Vitor agora entra para o seleto time com um álbum gravado ao vivo na Holanda em que viajam por diferentes “Toques”, a forma que eles nomearam as diferentes aventuras gravadas – indo da música instrumental brasileira mais tradicional (Villa-Lobos, Santos, Jobim) até experimentalismos mais modernosos e pop. Vamos ver qual diretor esperto de cinema vai chamar o Vitor para assinar uma trilha sonora completa de um filmão. O próximo Oscar brasileiro viria dali fácil.
11 – Isma – “Made In Cohab” com Tasha & Tracie, Carlos do Complexo e CARLO (3)
12 – Larissa Luz – “Marchona” (3)
13 – Borges – “Vença (com Emicida e Ajax)” (3)
14 – Teto e WIU – “À Beira (com Don L e Lamar)” (3)
15 – Rancore – “Eu Quero Viver” (3)
16 – Criolo, Amaro Freitas e Dino d’Santiago – “E Se Livros Fossem Líquidos_ (Poeta Fora da Lei Pt II)” (4)
17 – Lan – “Tão Bom Lembrar (com JOCA)” (4)
18 – Supervão – “Tudo Certo pra Dar Errado (com Carlinhos Carneiro)” (4)
19 – Guilherme Arantes – “Puro Sangue (Libelo do Perdão) (4)
20 – Zé Ibarra – “Segredo – DJ Marky Remix” (4)
21 – Marcelo Cabral – “O Herói Vai Cair” (5)
22 – Maria Bethânia – “Vera Cruz” (5)
23 – Thalin – “Salah Salah” (5)
24 – Letuce – “Baliza” (5)
25 – Ratos de Porão – “Direito de Fumar/Nós Somos a Turma” (5)
26 – Luiza Sonza – “Nós e o Mar” (5)
27 – Janine- “Dorotá ( p.0, p.1, p.2, p.3, p.4)” (7)
28 – Marina Sena – “Saí para Ver o Mar” (com Rachel Reis) (7)
29 – Tuxe – “Nada a Pulso” (7)
30 – Parteum – “10, Talvez 9” (7)
31 – Don L – “Iminência Parda” (7)
32 – Emicida – “Quanto Vale o Show Memo?” (7)
33 – Lia de Itamaracá e Daúde – “Bordado” (7)
34 – Tori – “Ilha Úmida” (7)
35 – Mateus Aleluia – “No Amor Não Mando” (7)
36 – Jadsa – “Big Bang” (7)
37 – Cajupitanga e Arthus Fochi – “Flamengo” (7)
38 – Joca – “BADU & 3000” (com Ebony) (7)
39 – Chico César – “Breu” (7)
40 – Clara Bicho – “Meu Quarto” (7)
41 – Nigéria Futebol Clube – “Preto Mídia” (7)
42 – BK – “Só Quero Ver” (7)
43 – Vera Fischer Era Clubber – “Lololove U” (7)
44 – Zé Ibarra – “Segredo” (7)
45 – Lupe de Lupe – “Vermelho (Seus Olhos Brilhando Violentamente Sob os Meus)” (7)
46 – Marabu – “Rubato” (7)
47 – Joca – “BADU & 3000” (com Ebony) (7)
48 – Mateus Fazeno Rock – “O Braseiro e as Estrelas” (7)
49 – Valentim Frateschi – “Mau Contato” (7)
50 – Eliminadorzinho – “Você Me Deixa Coisado” (7)
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* Entre parênteses tem a indicação de quantas semanas a música está neste Top 50.
** Na vinheta do ranking, o músico Romulo Fróes.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.