
Liniker na praia de Copacabana? Não é informação, é previsão. Se “Caju” lota estádios, onde ela vai parar com esse novo sucesso chamado “Charme”? Para contrabalancear esse pop todo, um pouco de emo caipira e melancolia sul-mato-grossense.

Enquanto se prepara para os shows de despedida do álbum/fenômeno “Caju” fazendo show em estádios de futebol, Liniker soltou a versão de estúdio da inédita “Charme”, apresentada pela primeira vez no Tiny Desk Brasil. Talvez seja sua música mais pop até aqui. Pense na Marina Lima, no Lulu Santos e Gap Band. É disco, é pop, é muito radiofônica, enquanto a letra faz um relato encantado com charme da Ilha de Marajó, no Pará. “Charme” tem produção de Liniker, Fejuca e Nave. Estádio vai começar a ficar pequeno desse jeito. Praia de Copacabana tá aí.
O projeto do Chococorn and The Sugarcanes para fevereiro vai além do Carnaval. Os precursores do emo caipira prometem lançar uma música por semana neste mês. É o CHOCOCORN SUMMER, como eles mesmo apelidaram. A primeira novidade é uma velha conhecida dos fãs, “A Vida de Messi”, que é menos sobre o jogador argentino e mais uma tiração com “Oh Messy Life”, do grupo emo americano Cap’n Jazz. E pô, nada mais emo do que o refrão: “Ser o melhor pra sempre/ Se fosse o pior de todos sempre…”
Engatando na tristezinha tropical, vale ouvir Pedro Lanches aka o sadboy do Mato Grosso do Sul. Na preparação de um EP, “Adesivos” é coisa de Pedro, mas também de sua banda, formada por Pedro Zurma, Guido Almeida, Leonardo Sardela e Lucas Anderson, e por YMA, que não entra só como feat., mas também como compositora. O clima melancólico da faixa vem de um punhado de saudade e lembranças, os tais adesivos, por exemplo, e muita São Paulo cortando o horizonte.
Fã de Billie Eilish, Marina Lima deve ter pirado também no Bad Bunny e traz o reggaeton para uma pistinha mais comedida, mais caseira, para cantar aos sussurros sobre a festa de uma certa Olivia, a mulher da Virgínia. A festinha ferve, mas não no bom sentido. Tanto que ouvimos na música uma conversa que ou já saiu da nossa boca ou dá de algum amigo: “Gente louca do caralho! Ah, eu vou chamar um Uber agora!”. A faixa estará em “Ópera Grunkie”, novo álbum da cantora, previsto para o dia 24 de março.
De qual Carnaval você conhece Vitor Araújo? Pode ser do seu trabalho solo, das músicas compostas para filmes ou de sua incendiária participação no Tiny Desk do parceiro Arnaldo Antunes. E a Metropole Orkest, conhece? Sediada em Amsterdã, eles se apresentam como “uma orquestra de pop e jazz única, com um som inigualável”. Não é por menos, já colaboraram com nomes como Jacob Collier, Snarky Puppy e Louis Cole. Vitor agora entra para o seleto time com um álbum gravado ao vivo na Holanda em que viajam por diferentes “Toques”, a forma que eles nomearam as diferentes aventuras gravadas – indo da música instrumental brasileira mais tradicional (Villa-Lobos, Santos, Jobim) até experimentalismos mais modernosos e pop. Vamos ver qual diretor esperto de cinema vai chamar o Vitor para assinar uma trilha sonora completa de um filmão. O próximo Oscar brasileiro viria dali fácil.
“A gente é travesti, a gente não é medrosa”, explicou Isma em entrevista à youtuber Foquinha quando foi questionada sobre o fim no auge das Irmãs de Pau. E é nesse pique que ela apresenta seu primeiro álbum solo, “Made in Cohab”, lançado simbolicamente no dia 29 de janeiro, dia da Visibilidade Trans. Juntando produções de Cyberkills, Fuso, 2B e Clementaum, entre outros, Isma mantém a pegada consagrada pelas Irmãs de Pau e expande o contato com outros gêneros – afrobeat, hip hop, trap e drill. Repara na velocidade na faixa-título, 140 bpm para deixar qualquer um suado.
Por falar em recado bem dado, Larissa Luz chega assim em “Marchona”, seu single para o Carnaval: “Deixa a cabeleira do Zezé/ E ele ser o que ele quiser (Bicha!)”. Dando a letra sobre o Carnaval ser tocado pelas monas e pelas maria sapatonas. A “Marchona” não julga ninguém, mas tira onda com justiça com os moleques novos tomando remédio para aguentar o tranco, se é que me entende. Risos.
Coincidências da cena, rappers jovens convocando seus ídolos para um feat. celebratório. Borges convocou Emicida para homenagear o novo rap nacional em um salve gigantesco para geral. Já a parceria entre Teto e WIU conseguiu trazer Don L para o encerramento do álbum “Colapso Global”, onde eles provam serem seguidores de L desde os tempos de Costa a Costa.
Contrariando a lei das bandas que voltam preguiçosas de longos hiatos, a turma do Rancore quando retornou em 2023 agilizou dois singles e agora firma o compromisso de um álbum completo para este ano. “Brio” (alô, professor Clóvis de Barros?) chega 15 anos depois de “Seiva”. O primeiro single apresentado fala sobre a vontade de viver e sair do marasmo, escapar da morte. Também cita um certo “brilho dessa luz que não se apaga” (alô, Morrissey?). Gostamos.
11 – Criolo, Amaro Freitas e Dino d’Santiago – “E Se Livros Fossem Líquidos_ (Poeta Fora da Lei Pt II)” (2)
12 – Lan – “Tão Bom Lembrar (com JOCA)” (2)
13 – Supervão – “Tudo Certo pra Dar Errado (com Carlinhos Carneiro)” (2)
14 – Guilherme Arantes – “Puro Sangue (Libelo do Perdão) (2)
15 – Zé Ibarra – “Segredo – DJ Marky Remix” (2)
16 – Marcelo Cabral – “O Herói Vai Cair” (3)
17 – Maria Bethânia – “Vera Cruz” (3)
18 – Thalin – “Salah Salah” (3)
19 – Letuce – “Baliza” (3)
20 – Ratos de Porão – “Direito de Fumar/Nós Somos a Turma” (3)
21 – Luiza Sonza – “Nós e o Mar” (3)
22 – Janine- “Dorotá ( p.0, p.1, p.2, p.3, p.4)” (5)
23 – Marina Sena – “Saí para Ver o Mar” (com Rachel Reis) (5)
24 – Tuxe – “Nada a Pulso” (5)
25 – Parteum – “10, Talvez 9” (5)
26 – Don L – “Iminência Parda” (5)
27 – Emicida – “Quanto Vale o Show Memo?” (5)
28 – Lia de Itamaracá e Daúde – “Bordado” (5)
29 – Tori – “Ilha Úmida” (5)
30 – Mateus Aleluia – “No Amor Não Mando” (5)
31 – Jadsa – “Big Bang” (5)
32 – Cajupitanga e Arthus Fochi – “Flamengo” (5)
33 – Joca – “BADU & 3000” (com Ebony) (5)
34 – Chico César – “Breu” (5)
35 – Clara Bicho – “Meu Quarto” (5)
36 – Nigéria Futebol Clube – “Preto Mídia” (5)
37 – BK – “Só Quero Ver” (5)
38 – Vera Fischer Era Clubber – “Lololove U” (5)
39 – Zé Ibarra – “Segredo” (5)
40 – Lupe de Lupe – “Vermelho (Seus Olhos Brilhando Violentamente Sob os Meus)” (5)
41 – Marabu – “Rubato” (5)
42 – Joca – “BADU & 3000” (com Ebony) (5)
43 – Mateus Fazeno Rock – “O Braseiro e as Estrelas” (5)
44 – Valentim Frateschi – “Mau Contato” (5)
45 – Eliminadorzinho – “Você Me Deixa Coisado” (5)
46 – Douglas Germano – “Tudo É Samba” (5)
47 – Oruã – “Casual” (5)
48 – PUSHER174 – “Eu Sou do Contra” (5)
49 – Sophia Chablau & Felipe Vaqueiro – “Cinema Total” (5)
50 – Teago Oliveira – “Desencontros, Despedidas” (5)
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* Entre parênteses, agora, tem a indicação de quantas semanas a música está neste Top 50.
** Na vinheta do ranking, a cantora Liniker.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.