Top 10 Gringo – Mitski de novo no topo, fazer o quê? Jessie Ware glamurosa em segundo. E o Thundercat fez isso com ele mesmo

Olha ela! Voltamos a colocar Mitski no topo por motivos de excelência. Excelência e até referências brasileiras, já que ela apelou um pouquinho para a bossa nova, o ritmo do momento, hehehe. Ainda no pódio, duas belezuras retrofuturistas: a glamurosa Jessie Ware e o onipresente Thundercat. Só vamos!

Depois da delícia caótica “Where’s My Phone?”, Mitski apresenta como segundo single de “Nothing’s About to Happen to Me” a suave “I’ll Change for You”. É outra pegada mesmo: cordas superchiques e um clima quase bossa nova na levada. Poderia ser um standard do jazz, mas é só a Mitski escrevendo sobre tomar umas e começar a dar vexame. Em entrevista para a BBC, ela contou que quis fazer uma música sobre ser patético neste grau e completou: “Acho que todo mundo deveria ter a chance de expressar seus sentimentos, ligar bêbado para o ex, implorar para voltar. Aí pensei: Deveria haver uma música para isso”. Mitski, você já viu o Top 50 da CENA? 

“Superbloom”, novo álbum da Jessie Ware, chega em abril deste ano. Exatamente três depois do excelente disco retrô-futurista “That! Feels Good!”, álbum que merecia mais reconhecimento. Pelo visto, será uma espécie de parte dois do disco, inclusive com a volta de Stuart Price na produção em uma lista que também inclui figurinhas como James Ford e Barney Lister. Em entrevista Jessie comentou que pode não ser a popstar por excelência, mas que ama fazer música glamurosa. Por nós, a conta superfecha. 

Thundercat é tão onipresente que é estranho pensar que são seis anos sem um álbum novo. Mas quando você vê a lista de produtores e convidados de “Distracted” entende como ele cuidou bem do networking nessas andanças pelo mundo. Na produção, temos Greg Kurstin, Flying Lotus, Kenneth Blume e a galera da banda The Lemon Twigs. Nas participações especiais, Willow, Tame Impala, Channel Tres e Lil Yachty. Some aí também uma contribuição póstuma de Mac Miller. Ou seja, já pintou um candidato forte ao disco do ano.  “Distracted” chega no comecinho de abril.

Dua Saleh é artista norte-americana de origem sudanesa. Enquanto começava a escrever seu segundo álbum solo, “Of Earth & Wires”, sentiu seu mundo se apequenar com a intensificação da guerra civil no Sudão, conflito com mais de mil dias, e o crescimento estrondoso da inteligência artificial. Sua tentativa de seguir criando em um cenário tão instável e crítico resultou em sessões de composição catárticas. Em esquema de fluxo livre de ideias, brotaram algumas parcerias com Bon Iver, escritas ali no calor da hora. Essa liberdade/intensidade pode ser sentida nos dois sons já disponíveis. Ainda haverá um terceiro no álbum, que tem lançamento previsto para maio.    

Nossa amiga fofa Arlo Parks segue interessada em cantar sobre como o melhor do lugar do mundo é o aqui e o agora. Mais: segue interessada em falar sobre como o melhor espaço para ter esse feeling é na pista de dança. “Estar em uma sala cheia de estranhos suando, se conectando, se perdendo e se encontrando é um tipo de magia que transcende as palavras”, ela escreve sobre seu novo single, a boa “Heaven”. Pelo visto, essa vai ser a pegada todinha do seu novo álbum. “Ambiguous Desire” segue prometido para abril.  

Hayley Williams adotou um novo jeito de trabalhar pelo visto. Depois das mil voltas para lançar oficialmente seu álbum solo “Ego Death at a Bachelorette Party”, seu novo projeto também chega na miúda. Power Snatch é uma parceria com Daniel James, seu parça em “Ego Death…” e teve seu primeiro EP fragmentado entre o Bandcamp, que recebeu três músicas, e o streamings grandões, que ficaram com uma só. O trabalho segue a linha do disco solo, por razões óbvias, com uma pequena margem de experimentação a mais.   

No terreno intranquilo do rock, os canadenses Metric segue firme desde 2002 com a mesma formação: Emily Haines capitaneando James Shaw, Joshua Winstead, Joules Scott-Key. A banda já teve momentos de maior destaque, mas nunca parou de lançar discos. Chega em 2026 ao décimo da carreira: “Romanticize the Dive”. Talvez essa longevidade seja justamente por valorizar a imperfeição, o tema de “Victim of Love”. “É sobre deixar de lado a máscara da autoconsciência e da vaidade. Foi uma longa jornada para mim deixar de me atrapalhar.”

Aliás, o Metric vai sair em turnê com o Broken Social Scene – Emily Haines fez parte do coletivo tocado por Kevin Drew. O grupão também chega com disco novo e também versa sobre as dores do crescimento. São 30 anos de estrada. Já viram de tudo. Mas já viram de tudo mesmo? “Remember the Humans” sai em maio. 

Anna Prior, a baterista do adorado grupo inglies Metronomy, se sentiu meio sozinha em um período em que amigos, colegas e o mundo em geral pareciam não responder suas chamadas. Do silêncio fez uma música. Em suas palavras, transformou frustração em liberdade. Mais: o trabalho rendeu um EP solo. “Firefly” vai ser lançado ainda neste mês. Aliás, o Metronomy saiu da toca para anunciar um único show no ano de 2026 em Londres. Se você estiver por lá no verão, já sabe.

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* Na vinheta do Top 10, a cantora americana Mitski, sob foto de Lexie Alley.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix