A semana tá grande. Seja nos shows gringos, seja nos brasileiros. De todos os tamanhos. Em teatro e em arenas. São Paulo enquanto Nova York ou Londres. Fora a rapa.

Só quem estava naquele Via Funchal, extinta casa de shows de SP, em um distante fevereiro de 2008, lembra bem a catarse que o grupo americano My Chemical Romance causou em uma primeira (e única) passagem pelo Brasil. Para quem não estava lá nessa apresentação (na época também passaram por Curitiba e Rio), pode ser bem difícil mesmo acreditar no tamanho da comoção e, principalmente, imaginar os decibéis alcançados naquelas noites, com público também barulhento (no ótimo sentido). É compreensível ainda que o My Chemical Romance acabe sendo uma daquelas bandas que ficam rotuladas e mais conhecidas por seus music videos e singles mais famosos. Com grande parte das canções sobre vampiros, fantasmas e, o tema preferido, a morte, mais uma mescla de sons variados e “pesados” demais para serem injustamente resumidos apenas a um “emo pop punk”, tudo faz que o grupo pertença a uma categoria bem diferente de bandas como Blink 182, por exemplo. Do trio de maiores bandas de seu movimento/geração, enquanto o Panic! At The Disco foi se dissolvendo e acabou virando projeto de homem só e com o Fall Out Boy tentando abranger diferentes estilos e se perdendo no caminho, o My Chemical Romance teve o bom senso de fazer uma pausa na carreira para, como tantas outras (seja pela força das canções ou pela tão em voga nostalgia), acabar voltando ainda maiores. Com duas noites na quinta 5 e sexta 6 no Allianz Parque, em SP (a primeira delas, já esgotada), o grupo de New Jersey apresenta sua tour dividida em duas partes. A primeira com execução na íntegra do aclamado terceiro disco, “The Black Parade” (que em 2026 completa 20 anos!!!), e um segundo set com alguns outros sucessos mas também sempre cheio de boas surpresas aleatórias. Total inusitado, os shows de abertura são por conta dos suecos do Hives, banda velha amiga nossa. Com apresentações sempre das mais energéticas e eletrizantes, show do Hives sempre vale a pena ser visto e revisto.
A diva Kali Uchis tem uma relação acidental com o Brasil. Primeiro, estava quaaaase fechada para vir ao Brasil em 2020, mas a covid-19 estragou os planos. Finalmente a cantora americana de ascendência colombiana veio ao país três anos depois, para o Lollapalooza, mas teve uma apresentação considerada morna em Interlagos, se perdendo na teatralidade. Era a época do disco então novo “Red Moon in Venus”, mas nem os hits antigos como “Telepatia” seguraram a performance. Agora ela vem com a tour do álbum “Sincerely”, o quinto de sua carreira, lançado no ano passado e elogiadíssimo. Agora vai, né, Kali?
O duo de irmãos Alejandro e Estevan Gutiérrez está de volta ao Brasil após menos de um ano de sua última vinda para duas apresentações por aqui. Conhecidos por sua mistura singular da música latino-americana tradicional, que vem de suas raízes equatorianas, com suas vivências contemporâneas, os Hermanos Gutiérrez trazem agora o repertório de seu mais recente álbum, “Sonido Cósmico” (2024), produzido por Dan Auerbach, da banda The Black Keys, que aprofunda o universo sonoro do duo.
O projeto Alto e Bom Som, manifesto indie ao vivo, segue firme e forte por mais uma semana. E neste sábado 7 de pré-Carnaval o Bar Alto recebe a revolução eletrônica indie que é a banda carioca Vera Fischer Era Clubber. As Veras são um quarteto de Niterói que tirou a CENA de sua zona de conforto no ano passado com seu mix perfeito de beats e letras instigantes. Tá aí o Carnaval indie que precisávamos.
Lançado em outubro do ano passado, “Guizo de Cascavel” é o segundo álbum de estúdio do cantor e compositor Rodrigo Alarcon e foi fruto de um amadurecimento do artista, um processo de pesquisas e experimentações que se deu principalmente na estrada nos últimos anos, até entender como desenvolver sua variante da música popular brasileira. Com participações especiais de nomes como Rashid e Nina Oliveira, que também estão no disco, este show marca o início da turnê deste trabalho para o artista paulistano, que segue para seis datas na Europa no próximo mês.
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E MAIS
SEGUNDA (2/2)
Nação Zumbi com a Orquestra Experimental de Repertório — Theatro Municipal, SP – esgotado
O manguebeat encontra a música de concerto em apresentação especial no Municipal em celebração dos 30 anos do álbum “Afrociberdelia”(1996).
Ná Ozzetti e Marco Ozzetti — “Música na Poesia” — Centro da Terra, SP
Show que cruza canção e palavra, em clima intimista e investigativo.
TERÇA (3/2)
Nação Zumbi com a Orquestra Experimental de Repertório — Theatro Municipal, SP – esgotado
Segunda noite do encontro entre a banda e a orquestra em celebração dos 30 anos do álbum “Afrociberdelia”(1996).
M. Takara & Carla Boregas — “Par Expandido” — Centro da Terra, SP
Improviso, eletrônica e experimentação sonora em diálogo aberto.
Ensaio aberto da Charanga do França — Mundo Pensante, SP
Pré-Carnaval informal, com sopros e festa.
A Day to Remember — KTO Arena, POA
Punk rock e metalcore em show de grande porte.
QUARTA (4/2)
Frevo no Asfalto — Pupillo convida Otto, Chinaína e Antônio Neves — Bona Casa de Música, SP
Frevo, experimentalismo e encontros entre artistas consagrados da música brasileira contemporânea no palco.
Manu Chao — Cine Joia, SP – esgotado
Segundo show de um dos nomes mais carismáticos da música alternativa global.
Ushan / Gabriel Thomaz — Porta, SP
Noite compartilhada entre pop torto, rock e ironia.
Imperatriz Leopoldinense e Ney Matogrosso — “Noite Camaleônica” — Vivo Rio, RJ
Carnaval, teatralidade e história da música brasileira em cena.
QUINTA (5/2)
Life Aquatic + Tutu Nana — Bar Alto, SP
Noite indie do projeto Alto e Bom Som com duas bandas novas da CENA.
Tiê apresenta “Cartas de Amor” — Bona Casa de Música, SP
Show delicado focado no lirismo e na canção.
Silibrina — “Sonambulando” (part. Antonio Nóbrega) — Casa Natura Musical, SP
Encontro entre tradição, movimento e experimentação.
Valentim Frateschi em “Lé e Cré” + Luna Gouveia em “Sara” — Casa Odette, SP
Dois projetos autorais em noite compartilhada.
Ana Spalter + Kim & Dramma — Porta, SP
MPB alternativa em dupla de shows interessantes da CENA paulistana.
Doja Cat — Suhai Music Hall,SP
Pop global em apresentação solo na capital.
Rodrigo Ogi & niLL — Sesc Pompeia, SP
Rap denso e autoral em show especial do álbum “Manual Para Não Desaparecer”.
SEXTA (6/2)
Cosmotel + Felipe Sanches + Eduardo Pavloski e os Pseudo Intelectuais — A Porta Maldita, SP
Noite alternativa e experimental.
Gaby Amarantos — Audio, SP
Pop amazônico, tecnobrega e presença de palco em que a artista apresenta ao vivo seu discaço “Rock Doido”.
Suco Digital — Bar Alto, SP
Noite indie do projeto Alto e Bom Som com bandas nova da CENA.
Douglas Germano — Bona Casa de Música, SP
Samba urbano, crítico e afiado.
Glue Trip + Mermaid Man (ALE) — Casa Rockambole, SP
Psicodelia pop e groove dançante.
Rappin’Hood — Cine Joia, SP
Show comemorativo de 25 anos de um clássico do rap nacional, “Sujeito Homem”.
Carnaval da Banda Eddie — Mundo Pensante, SP
Pré-carnaval com energia roqueira e repertório festivo.
Meyot, Turmalina, Tiny Bear e Danação – Fffront, SP
Noite de descobertas da nova CENA paulistana.
Bárbara Eugênia & Tatá Aeroplano — Casa Odette, SP
Parceria criativa em foco com show do disco “Vida Ventureira”.
Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo — Porta, SP – esgotados
Sessão dupla de uma das bandas mais relevantes da CENA num formato cada vez mais raro e intimista.
Adriana Calcanhotto com Partimpim — Sesc Pinheiros, SP
Show infantil (nem tanto) com o universo Partimpim baseado no novo álbum “O Quarto no Palco”.
Rodrigo Campos — Sesc Bom Retiro, SP
Canção brasileira contemporânea em alta.
Arrigo Barnabé e Maria Beraldo — Sesc Santo Amaro, SP
Vanguarda paulista em diálogo geracional.
Mônica Salmaso — Sesc Vila Mariana, SP
Show de lançamento do álbum “Minha Casa” apresentado pela primeira ao vivo.
Fernanda Abreu — “Na Estrada” — Sesc Belenzinho, SP
Repertório que atravessa décadas da conhecida cantora carreira.
As Mercenárias (part. Clemente) — Sesc Jundiaí
Show especial de uma das bandas fundamentais do pós-punk brasileiro. Com abençoada presença de Clemente em participação.
Joabe Reis — Sesc Sorocaba
Lançamento do novo álbum do instrumentista, “Drive Slow: A Última das Fantasias”.
Mariene de Castro — Circo Voador, RJ
Samba e religiosidade em grande palco.
Ensaios Monobloco — Fundição Progresso, RJ
Clássicos do Carnaval carioca em formato de ensaio aberto.
Jaloo — “#1 dez anos depois” — Autêntica, Belo Horizonte
Show celebrando uma década de trajetória.
SÁBADO (7/2)
Negro Leo e Micah Gaugh — Bona Casa de Música, SP
Improviso, ruído e experimentação.
Banda de Casinha — Casa Algohits, SP
Noite coletiva da cena underground em festival com shows de Ana Paia, A Terra Vai Se Tornar Um Planeta Inabitável, Dennehy, Funérea e Hibalta.
Explode Coração — 10 anos — Casa Natura Musical, SP
Show comemorativo do projeto.
Insônia + Cacofonia + Minissaia + Sutiã Rasgado — A Porta Maldita, SP
Punk e caos em alta voltagem com quatro showzaços.
Festival Chama — Casa Rockambole, SP
Festival com foco em novos nomes da cena com Baile do Peixe, Celacanto, Cianoceronte, Copo e Água, Los Otros, Naimaculada, Nevoara, e Nigéria Futebol Clube.
Big Up — Cine Joia, SP
Festa-show com clima de pista.
Adriana Calcanhotto com Partimpim — Sesc Pinheiros, SP
Show infantil (nem tanto) com o universo Partimpim e foco no novo álbum “O Quarto no Palco”.
Mônica Salmaso — Sesc Vila Mariana, SP
Show de lançamento do álbum “Minha Casa” apresentado pela primeira vez ao vivo.
Fernanda Abreu — “Na Estrada” — Sesc Belenzinho, SP
Repertório que atravessa décadas de sua carreira.
Cornucópia Desvairada — Sesc Bom Retiro, SP
Bloco carnavalesco em apresentação especial.
Amaro Freitas — álbum “Y’Y” — Sesc Bom Retiro, SP
Jazz contemporâneo com identidade brasileira.
Felipe Cordeiro — Sesc Santo Amaro, SP
Pop amazônico e groove eletrônico.
Yago Oproprio — Circo Voador, RJ
Rap introspectivo e autoral.
Ney Matogrosso — Bloco na Rua — Vivo Rio, RJ
Carnaval, teatralidade e repertório icônico.
Garage Fuzz — Tour 34 Anos — Infinu, BSB
Hardcore brasileiro celebrando sua trajetória.
DOMINGO (8/2)
Dani Black — Bona Casa de Música, SP
Canção autoral em clima intimista.
Adriana Calcanhotto com Partimpim — Sesc Pinheiros, SP
Show infantil (nem tanto) com o universo Partimpim e foco no novo álbum “O Quarto no Palco”.
Mônica Salmaso — Sesc Vila Mariana, SP
Show de lançamento do álbum “Minha Casa” apresentado pela primeira ao vivo.
Amaro Freitas — álbum “Y’Y” — Sesc Bom Retiro, SP
Jazz contemporâneo com identidade brasileira.
Cumbia Calavera — Sesc Casa Verde, SP
Ritmos latinos em clima dançante de Carnaval.
Maurício Pereira — “Mergulhar na Surpresa” — Sesc Belenzinho, SP
Show autoral com lirismo e humor do artista paulistano acompanhado por Daniel Szafran ao piano.
Weather Systems — Carioca Club, SP
Rock alternativo internacional em clube.
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FIQUE DE OLHO
O primeiro grande festival internacional deste ano está chegando e é o Lollapalooza Brasil. Com um dos melhores line-ups em muitos anos, são tantos artistas interessantes que até nos surpreendemos quando lembramos que nos dias 20, 21 e 22 de março o Autódromo de Interlagos receberá artistas como Deftones, Turnstile, Interpol, Lorde e Blood Orange, para citar alguns. Sem falar na presença em peso da CENA, representada em todos os gêneros desde o funk eletrônico do Crizin da Z.O. à MPB soul de Jadsa, à viagem experimental de Oruã e muito mais. Vamos, né?

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* Na vinheta do Top 5 Shows, o cantor Gerard Way, da banda americana My Chemical Romance.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Carolina Andreosi.