Top 10 Gringo – Cadê o telefone da Mitski? Kim Gordon indisponível hoje. E o SAULT no Abbey Road. Está bem assim?

É a temporada das mulheres e suas guitarras. Tá chovendo lançamento das principais compositoras na modalidade: Mitski, Courtney Barnett, Snail Mail, Kim Gordon. Claro, tem um SAULT destacado no ranking. É o SAULT, né? Também temos mais um capítulo da carreira solo do Flea e o retorno do Al Green para cantar Velvet Underground. Semaninha realmente legal.

Ela voltou! Uma das mulheres mais amadas do mundo, Mitski lança “Nothing’s about to Happen to Me” no dia 27 de fevereiro. O álbum será conceitual, com Mitski investigando uma personagem reclusa em casa, estranha ao mundo, mas livre em seu casulo. O primeiro single, “Where’s My Phone?”, já aborda temas como a falta de comunicação e o desejo em suprimir todo e qualquer pensamento. Denso, né? Isso causa um forte contraste com o pique da canção, toda animadinha. 

Não é segredo. Kim Gordon em seus trabalhos solo revela quem cuidava da maior porção criativa e anímica do Sonic Youth. Sempre investindo em novos rumos, seu próximo trabalho sozinha, “Play Me”, parece expandir o universo criado em “The Collective”, um trabalho atento ao hip hop e o trap. Desta vez o leme parece apontando para uma conexão maior com o krautrock, um foco em batidas e canções curtas. Podemos repetir as palavras da artista inglesa Bella Freud para Kim: “Não sabia que podia te amar ainda mais”. 

Os Beatles gravam “Come Together” e largam os instrumentos no estúdio para o almoço. Inflo, Cleo Soul e o resto do time misterioso do coletivo SAULT invadem Abbey Road e gravam uma jam com aqueles timbres, aquela temperatura. Bom, se contarem que foi isso que rolou na feitura de “Chapter 1”, vamos acreditar. A Janelle Monáe fecha nessa possibilidade com a gente. Viagem no tempo existe! “Chapter 1” já ilumina 2026 com sua pegada solta. Um disco menos no grito e mais no balanço.  

E outra amiga da Popload está de volta. Com um toquezinho country graças ao apoio vocal de Katie Crutchfield, aka Waxahatchee, Courtney Barnett anuncia seu quarto álbum. “Creature of Habit” está previsto para o fim de março. Mostrando seu lado mais doce, a australiana enche seu par de promessas otimistas por aqui: “E não vai demorar muito para eu me recompor/ De qualquer forma, por que não ficamos um pouco para ver o que acontece?”. 

Se Courtney está otimista, Snail Mail lamenta a ausência da pessoa em que ela pensa quando acorda na tristinha “Dead End”. “Diga-me, você não consegue nem olhar nos meus olhos?”, ela pergunta embalada por guitarras e bateria gordas se arrastando pela canção. “Ricochet” será o terceiro álbum da norte-americana Lindsey Jordan. E também sai na última semana de março! 

A parceria entre Flea e Thom Yorke vem de longe. O baixista do Red Hot Chili Peppers integrou a banda formada por Thom para tocar seu primeiro álbum solo ao vivo. Era o Atoms for Peace, que também contava com Nigel Godrich, Joey Waronker e Mauro Refosco. Fizeram até um álbum em 2013, “Amok”. Natural uma retribuição na primeira investida solo de Flea. Porém, quem se destaca na faixa é a inventiva guitarra de Jeff Parker, jazzista de primeira, e o balanço na percussão garantido pela presença do brasileiro Refosco, o quinto chili pepper. 

Com uma sútil referência a beatleniana “A Day in the Life”, Charli entrega uma faixa mais tranquilinha na abordagem sonora para discutir a impossibilidade de conter seus desejos. Ela tenta, tenta, tenta, mas algo sempre impede. É a paixão devastando tudo. Mais um som presente na trilha que Charli escreveu para a versão de “O Morro dos Ventos Uivantes”, o filme com Margot Robbie e Jacob Elordi.

Girl Scout é a próxima banda de rock da Suécia prontinha para dominar o resto da Europa. É o que diz a alta expectativa dos gringos. O que eles entregam? “Operator”, single do próximo álbum da banda, “Brink”, foi definido pela vocalista Emma Jansson assim: “Um riff de guitarra idiota, uma letras idiotas e uma batida idiota, e nós adoramos!”. Precisa dizer mais alguma coisa? 

O veteraníssimo Al Green ressurge aos 79 anos com um EP novo onde entrega umas covers de Bee Gees, R.E.M e duas da banda cult Velvet Underground! É beleza purinha tudo. Em especial as duas do Velvet. Não é como se ele reformasse as canções, mas acendesse a luz já presente nelas. Coisa finíssima. 

“Against the Dying of the Light” é o libelo de José González contra ideias horríveis e persistentes na humanidade: da supremacia branca até o patriarcado passando pela crença absoluta em todo desenvolvimento tecnológico. “Se tiver o potencial de nos tornar obsoletos, podemos nos rebelar contra isso”, escreve o compositor. A música em si não é tão brilhante quanto a bela “Pajarito”, destacada por nós no ano passado, mas nomeará seu próximo disco. 

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* Na vinheta do Top 10, a cantora Mitski.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix