Top 50 da CENA – Textão para Marina Sena em primeiro. Mahmundi indie em segundo. O incrível duo Superafim fecha lindo o pódio lindo

Semana com lançamento gigante é semana de escrever um pouco mais que o habitual. Então, resolvemos explicar, ao nosso modo, por que você tem que dar uma escutada com atenção no novo da Marina Sena. 

O boom de Marina Sena com sua estreia, “De Primeira”, foi imenso. O tratamento eletrônico e pop de olho na tradição da MPB ganhou as pessoas e Marina foi de independente ao mainstream rapidamente, um processo sempre violento com o artista. Para dar um exemplo, o global “Fantástico” fez uma matéria com ela de olho no bullying da internet com sua voz tão particular. Quando o “Fantástico” precisa explicar algo é porque todo mundo está na febre. De trilha sonora da pandemia até a volta dos shows ao vivo, Marina foi ganhando fãs e haters na mesma proporção e via qualquer fala sua virar uma polêmica, em especial qualquer coisa envolvendo sexo. Seu segundo disco, “Vício Inerente”, capturava esse segundo momento, agora com grana e vivendo em SP. Deu certo, mas tinha algo de estranho no ar _ Marina parecia menos à vontade. Pouco tempo depois, romperia com Iuri Rio Branco, seu parceiro de vida e arte até ali. O que viria a seguir? “Coisas Naturais” é a melhor resposta possível. “Descalça numa ilha”, Marina parece se reencontrar com o que ama e dá um passo adiante no que “De Primeira” fez de melhor: recompor o que se entende como MPB sem não dar as costas para nossa latinidade e para os gêneros brasileiros e populares estigmatizados por serem periféricos: do arrocha ao funk. “Anjo”, nossa favorita até aqui, leva sua voz para lugares inéditos e conecta bossa nova com Mutantes. “CARNAVAL” é uma sacada e tanto – curtinha, safada, frenética e com bateria de escola sampleada (oi, Rosalía!). Gal Costa, sua referência maior e personagem presente na capa do novo álbum, ficaria orgulhosa. Essa proposta faz mais sentido que seu confuso show cantando o repertório da Gal. Aliás, será que os festivais vão finalmente dar um fim ao “canta e convida”? Para artistas respirarem fundo e livres como Marina faz aqui, seria fundamental o mercado andar junto com tal atitude. O mesmo vale para o público, parte dele parece mais engajado em chamar ela de subcelebridade por namorar um influenciador – homens não costumam receber essa cobrança, né? O artista não melhora sozinho. Mas Marina não se espanta com isso. Quando a jornalista e apresentadora Roberta Martinelli perguntou a ela o que é “Cultura Livre”, sua resposta não virou meme, mas foi reveladora: “Visão”. Enxergar a real é para poucos, de fato. E Marina Sena parece estar bem segura neste grupo.   

Cada novo movimento de Mahmundi expressa sua curiosidade infinita. “Irreversível”, sua primeira inédita desde o álbum “Amor Fati”, lançado em 2023, mostra sua conexão com um novo parceiro musical, Adieu – produtor que também aparece em dois sons do novo da Marina Sena. Dos velhos amigos, Marcelinha traz Castello Branco, parceria de dez anos já. Tem quem vai ver na faixa um restabelecimento de Mahmundi com seu período mais eletrônico do começo de carreira – aliás, por onde anda seu EP “Efeito das Cores”? O álbum não está nos streamings. Daqui soou mais como um passo novo, adiante. A faixa também marca outra mudança na carreira da artista carioca. Após uma fase numa major, Mahmundi trabalha agora com a  distribuidora estadunidense UnitedMasters, empresa norte-americana que se expande no Brasil com a promessa de colaborar com o mundo independente.  Acompanhemos.

Até agora há pouco, o duo Superafim era praticamente um segredinho que corria na CENA. A parceria dos ex-CSS Adriano Cintra e Clara Lima tinha soltado algumas coisinhas, mas agora é para valer. O EP “MOUTH” reúne cinco composições, tudo na linha que ficou consagrada no Cansei – indie rock/eletro do bom. O material é todo em inglês, o que talvez dificulte uma conexão imediata. Mas o bom humor característico da dupla e a incrível de construir canções pegajosas estão todos no disco. 

Adaptando uma salsa pouco conhecida de Rey Reyes, Julia Mestre mostra em mais um single do seu próximo álbum que pesquisa bem mais que a música brasileira dos anos 70. “Vampira” se conecta com a música gringa dos anos 80, em especial o Michael Jackson de “Thriller”, e também abraça a latinidade. “Sempre tive um fascínio por canções que transitam entre o português e o espanhol, até porque minha mãe é espanhola, e essa mistura sempre esteve presente na minha vida.” Estamos vendo. 

O humor peculiar da Fresno está em ação na edição deluxe de “Eu Nunca Fui Embora”. Com versões ao vivo de algumas músicas e versões alternativas, as que ganharam roupagem acústica ficaram nomeadas como “sabor churrasco” – uma homenagem à figura responsável pelo violão nos churrascos, tão injustiçada por sempre tocar mal ou sempre tocar as mesmas músicas. O erro da Fresno, talvez, foi apenas não deixar essas versões realmente toscas ou churrasquentas, digamos. Na real, na real, ficou um acústico beeeeem do chique.

Desde sua estreia com o brilhante “Olho de Vidro”, lá em 2021, Jadsa não saiu exatamente de férias. Fez coisas com YMA e também com seu projeto TAXIDERMIA. Mas este single “Big Bang” é sua retomada solo, anunciando um disco que vem por aí – o nome do álbum será “Big Buraco”. O single é caprichado: além da música em si ganhamos de uma vez uma faixa instrumental dele e também uma versão ao vivo. A produção é compartilhada entre Jadsa e Antônio Neves, que trouxe seu trombone para a música. A letra tem a ver com retorno. No caso, o retorno de Jadsa a São Paulo com o fim da pandemia. Ela ficou por Salvador durante o longo período de terror provocado pela covid-19 e na volta para o Sudeste ficou pensativa sobre o que queria da vida e do trabalho, mas sempre com fé na música, sua maior parceira. Apesar desse aspecto superpessoal, os desejos de Jadsa são os nossos também: “Indefinidamente viver bem, comer bem, dormir bem, falar legal”. Não é mole, mas vamo que vamo, juntos. E o caminho fica melhor cantando com ela: “Eu quero ser o que rolar pra mim/ Quero, de querer, de estar a fim/ Fazendo o certo independentemente/ Indefinidamente”.

Chico César, em entrevista para o “Toca UOL”, tentou definir Josyara como uma mistura de Baden, Gil, João Bosco e Djavan só que tudo melhorado. Faz sentido. O mix de Josyara é bem particular e poderoso. E o barato é que sua aventura artística começa a traçar novos caminhos sonoros, como vemos nos singles “Corredeiras” e “Sobre Nós”, onde seu violão passa a compartilhar mais o protagonismo, sem deixar de ter sua marca única. Nossa escolhida, “Sobre Nós”, é composição dela com Pitty, que também estará no álbum novo cantando junto na versão de “Ensacado”, de Cátia França. “Avia”, terceiro álbum de Josyara, chega no mês que vem. Que seja a ponte para mais e mais gente conhecer Josy. 

Para quem não sabe ainda, Clara Bicho é a nossa poploader Clara Campos, que você deve ter visto nos posts da “CENA Viva”, nossa mais nova seção. Mas não é só por isso que ela está aqui, óbvio. É por conta da maravilha de suas músicas fofas e principalmente seu novo single superpop com participação da Sophia Chablau. As vozes da dupla se encaixam perfeitamente nesse pensamento alto sobre o início da vida adulta e seus misteriosos caminhos _ fase que Clara e Sophia compartilham. A música antecipa o EP que ela prepara ainda para este semestre. Um outro detalhe do som é a banda base da track: parte da Pluma (Diego Vargas, Lucas Teixeira e Guilherme Cunha) com os guitarristas Gabriel Campos, irmão de Clara, e Felipe Martins, do Grilo. Que moral da Clara!

Expandindo suas conexões com o pop brasileiro, Rael traz para o seu álbum “Onda” nomes como Ivete Sangalo, Ludmilla, Luedji Luna e Marina Sena. É um movimento que ele toma aos poucos, disco a disco. Ao levar sua bela voz para mais e mais pessoas, Rael não deixa de lado seu lado rapper (e mais crítico também) e homenageia Cassiano ao lado de Brown e Dom Filó na dançante “Onda”, citação que ao mesmo tempo homenageia os Racionais. Os gambés num guenta.

Rock espertíssimo, na linha do post-rock, de Fortaleza é o Leve Passos. A dupla formada por Ayla Lemos e Felipe Couto soltou em 2023 seu álbum de estreia, o bom “Jamais Visto”, e agora começa a preparar a sequência. O tom pop, bom de cantar junto, de “Ecos do Invisível”, se chocam com seus diferentes moods ao longo de oito minutos da canção. Em outras palavras, amamos. 

11 – Cajupitanga e Arthus Fochi – “Flamengo” (6).
12  – Djonga – “Demoro a Dormir” (com Milton Nascimento) (7)
13 – Jovens Ateus – “Mágoas – Dirty Mix + Slowed Reverb” (8)
14 – Danilo Moralles – “Fervo de Amor” (9)
15 – Celacanto – “Dançando Sozinho” (10)
16 – Arnaldo Antunes – “Pra Não Falar Mal” (com Ana Frango Elétrico) (11)
17 – Ogoin & Linguini – “Vícios Que Eu Gosto” (12)
18 – Bufo Borealis – “Urca” (12)
19 – Terraplana – “Todo Dia” (14)
20 – Áurea Semiseria e  Deize Tigrona – “Isqueiro” (16)
21 – Charanga do França – “Charanga Pagodão” (17)
22 – Marina Melo – “Prometeu” (com Maurício Pereira) (18)
23 – Vera Fischer Era Clubber – “Fantasmas” (19)
24 – Apeles – “Mandrião (Vida e Obra)” (20)
25 – ÀIYÉ e Juan De Vitrola – “De Nuevo Saudade” (21)
26 – Nina Becker – “Praia, Cinema e Carnaval” (22)
27 – Dadá Joãozinho – “As Coisas” (com Jadidi) (23)
28 – Getúlio Abelha – “Toda Semana” (24)
29 – Siba – “Máquina de Fazer Festa” (com Ronaldo Souza) (25)
30 – Gabriel Ventura – “Fogos” (26) 
31  – Nyron Higor – “São Só Palavras” (27)
32 – BK – “Só Quero Ver” (com Evinha) (28)
33 – Jamés Ventura – “Noites de SP” (29)
34 – Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro – “Nova Era” (31)
35 – Heal Mura – “Wu Wei” (32)
36 – BK – “Só Eu Sei” com Djavan e Nansy Silvvz (33)
37 – Rei Lacoste – “Sem Paz” (35)
38 – Menores Atos – “Pronto pra Sumir” (36)
39 – Panteras Venenosas – “Ai Que Saudade” (37)
40 – Igor de Carvalho – “Pra Te Esquecer” (38)
41 – BaianaSystem – “A Laje” (39)
42 – Maré Tardia – “Já Sei Bem” (40)
43 – Bem Gil – “Sobe a Maré” (com Domênico Lancellotti) (41)
44 – Thiago França e Rodrigo Brandão – “Young Lion” com Sthe Araújo e Edgar (42)
45 – Vitor Milagres – “Um Barato” (43)
46 – Bruno Berle – “Te Amar Eterno” (44)
47 – Negro Leo – “Me Ensina a Te Castigar” (45)
48 – Tássia Reis – “Sol Maior” (46)
49 – Maria Beraldo – “Colinho” (47)
50 – Thalin, VCR Slim e Cravinhos… – “Todo Tempo do Mundo” (48)

***
* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Marina Sena, em foto de Gabriela Schmdt.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro Vinícius Felix.