15 minutos com Iggy Pop, Perfume Genius, Laurie Anderson e Matt Berninger. É o novo e ótimo EP da Anna Calvi, no caso

Anna Calvi está de volta daquele jeito que a gente gosta: sem tanto alarde assim, mas com um trabalho que já chega grande. Lançado hoje, 20 de março, o EP “Is This All There Is?” entra fácil na lista das coisas mais interessantes que saíram no ano até agora. É curto, direto, elegante e ainda tem um trunfo: as quatro faixas trazem convidados especiais, e nenhum deles está ali de enfeite.

O novo trabalho dura apenas 15 minutos e abre uma trilogia que mostra Calvi em uma fase especialmente inquieta, reflexiva e afiada. A maternidade aparece como ponto de virada desse processo. Segundo a própria artista, a experiência mexeu com sua percepção sobre o que é viver, amar, temer e seguir em frente, como se tudo pudesse mudar de lugar de uma hora para outra. E é dessa sensação de instabilidade, mas também de liberdade, que nasce a pergunta que dá título ao EP: “Is This All There Is?”. Parece simples, mas bate fundo, né?

Musicalmente, Anna continua operando naquele território entre o drama, o desejo, a estranheza e a beleza, sempre com guitarras que rasgam a música de dentro para fora. Só que aqui isso ganha uma dimensão extra porque cada faixa vem acompanhada por uma presença muito forte. 

“God’s Lonely Man”, com Iggy Pop, tem uma gravidade algo ameaçadora, meio magnética, que combina perfeitamente com ela. Perfume Genius aparece em “I See a Darkness”, releitura do clássico de Bonnie “Prince” Billy. A musicista expertimental, compositora e diretora artística Laurie Anderson entra em “Computer Love”, versão de Kraftwerk, levando a música para um lugar torto e fascinante. E Matt Berninger participa da faixa-título, fechando o EP com aquele peso emocional que a voz dele traz através das canções do The National.

Depois de passar os últimos anos expandindo seu trabalho para a composição de trilhas e projetos para TV, incluindo as músicas criadas para “Peaky Blinders”, Anna volta agora ao formato de canções com um EP enxuto, mas cheio de intenção. Seu último disco cheio, “Hunter”, saiu em 2018 e depois ganhou uma espécie de desdobramento com “Hunted”, em 2020. Desde então, ficou aquela sensação de espera por um novo capítulo mais definido. Ele chegou e pode ser conferido tipo agora.