Wet Leg desconstroi seu belo “Moisturizer”, leva para as pistas, para o “ao vivo” e relança melhorado seu segundo álbum

O Wet Leg está de volta de um jeito, digamos, “expansivo” para lançar, nesta sexta-feira, a versão deluxe de seu segundo álbum de estúdio, o elogiado “Moisturizer”. Se a edição normal lançada no ano passado já mostrava que as meninas (e os meninos) da Ilha de Wight sabiam driblar a tal “crise do segundo disco”, este novo “upgrade” chega para cravar de vez o quinteto como uma das coisas mais divertidas e pulsantes da atual cena indie britânica. Rhian Teasdale e Hester Chambers, cada uma na sua, continuam afiadíssimas, misturando aquele humor ácido de sempre com uma dose extra de guitarras barulhentas.

A grande graça dessa versão estendida é o recheio extra que elas arrumaram para atualizar a sua “fórmula de hidratação musical”. O grande destaque vai direto para o remix da viciante “CPR”, retrabalhada aqui pela misteriosa produtora alemã de eurodance/techno horsegiirl, injetando uma vibe frita de pista que a versão original nem sonhava ter.

Além disso, o pacote deluxe adiciona uns remixes espertos como para “Mangetout”, que veio pelas mãos do queridinho músico bombator nova-iorquino The Dare, e de “Catch These Fists”, retrabalhada pelos próprios integrantes dos heróis (nossos) irlandeses Fontaines D.C.

Mas não são apenas as pistas de dança que ganham espaço nessa atualização do Wet Leg. O lançamento de hoje traz quatro faixas ao vivo totalmente inéditas, que capturam perfeitamente o caos controlado que virou o show do agora quinteto oficial de palco. Ouvir essas versões cruas serve para entender como a banda evoluiu de um fenômeno de estúdio movido a hits virais para se transformar em um rolo compressor na estrada.

Musicalmente, este “Moisturizer Deluxe” funciona como um belo carimbo de maturidade de uma das bandas mais excêntricas do Reino Unido. Onde antes havia apenas piadas internas e vestidos indies, agora temos texturas de guitarras mais encorpadas, refrões maníacos sobre desilusões amorosas e aquela esquisitice pop deliciosa que fez todo mundo se apaixonar por elas lá atrás. É o tipo de disco perfeito para começar a animar a sua sexta-feira antes que comece um jogo da Copa.

O Wet Leg prova com esse lançamento que não foi apenas um “fogo de palha” de uma música só. Se você já tinha gastado o “Moisturizer” original no repeat, corra para as plataformas de streaming para conferir esse belo tratamento completo na pele indie rock de 2026.

Sempre lembrando que precisamos novamente da Wet Leg ao vivo no Brasil de algum jeito que não aquela maltratada que deram na banda em 2023, no confuso festival The Town daquele ano, quando os ingleses trombaram com o show do Foo Fighters no mesmo horário em SP e abriram para o grupo do Dave Grohl em Curitiba, numa apresentação curta. Tipo não valeu.

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