Os melhores do ano da Popload: os votos dos leitores. Blur seria “A Banda de 2023”?
A palavra agora está com a vossa excelência a leitora e a vossa excelência o leitor. O que nos orgulha na Popload é a variação de gostos e as opiniões que às vezes batem com a nossa, a “instituição”, mas outras consideráveis vezes, não.
Esse termômetro de abrir o voto dos melhores do ano para você nos traz confiança no trabalho sem amarras que é feito aqui, mas também nos dá muitas lições a serem aprendidas e apreendidas.
Houve uma vez em que a Popload era um lugar de quem gostava de bandas gringas de guitarrinhas. Estamos vendo, e já sabíamos, que já não é há muito tempo assim.
A Popload é lugar de quem vota para melhor disco na Lana Del Rey mas também no Lil Yachty. No Anohni and The Johnsons e nas New Jeans. Quem elege na CENA o disco da Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo e os que acham que o número 1 foi o Test. Quem para álbum gringo escolhe o Yo La Tengo e, a mesma pessoa, considera o do Xande de Pilares cantando Caetano Veloso como o melhor álbum nacional. E tudo certo.
Bom, nossos Top 50 da CENA e o Top 10 Gringo não saem religiosamente toda semana de bobeira.
No geral, deu a mulherada ou as não-binárias nos mais votados das categorias discos, tanto os daqui quanto os de lá. Era o esperado também. E é, acho, o que deve se repetir nos votos de melhores de 2023 de quem produz a Popload, em listas a serem divulgadas amanhã.
Então, vamos nesta logo conferir o que deu no voto dos leitores da Popload em vários quesitos. Não vemos a hora de ampliar essa pesquisa no fim de 2024, que também promete ser um ano daqueles.
Vale destacar também um considerável número de votos que tiveram os discos de Lana del Rey, o “Did You Know that There’s a Tunnel under Ocean Blvd”, e ainda o do Anohni and the Jonhsons, “My Back Was Bridge for You to Cross”, e o do Sufjan Stevens, “Javelin”.
Alguém justamente votou em “SOS”, da SZA, que é de 2022 e saiu tipo no meio de dezembro, depois das listas. Tipo a Pitchfork, que elegeu o disco da cantora-rapper americana como o MELHOR de 2023.
E um salve para o Damon Albarn que, apesar de estarmos na bronca com ele por não ter passado com o show do Blur na turnê latina, beliscou bons votos de melhores discos com o Blur em si e com o Gorillaz.
A gente brilha os olhos com um pódio, erguido por leitores, que contempla uma artista que resolveu já no título contar sua opção não-binária trazendo um dancepop carioca anos 80 misturado com vanguarda paulistana e samba; uma banda de rock fazendo caber inteligência nas melhores letras da CENA, seja para ser irônica ou seja para falar de amor (sem ironia); e um rapper-funkeiro mineiro que quebrou a linha de seu álbum anterior campeão para promover um trabalho novo que pode ser definido como uma disco music filosófica. Como dissemos no Top 50, “outro clima, mesmo rebolado”.
Tá vendo, Damon? Sem rancores por aqui. E 2023, pelo voto dos nossos leitores, vai ser conhecido também como o ano em que os “jovinhos” da Popload votaram em Beatles e os Rolling Stones como destaques, graças a seu discos novos ou velho-novos.
Ah, agora estamos entendendo a Marina nas listas. E uma música cantada em inglês estar entre as mais-mais nacionais é maravilhoso. tanto quanto a música em si. E fora a campeã, que tem a seguinte letra: “Olha no meio da minha cara Não vê que não há nada a esconder Me engole, me fode que eu sou sua Me engana, diz que eu presto Ou que você Quer saber dos equinócios Quero ouvir os violinos líquidos”
Está pensando que só a Popload dá dicas para bandas a serem descobertas?
*** * As fotos de Ana Frango Elétrico que ilustram este post são de Hick Duarte. E a da Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo tem crédito de Helena Ramos.