Mesmo nome, outro sonho: Por que você deve ouvir o novo álbum do estranho-cool Chanel Beads, que, certeza, vai estar na sua lista no fim do ano

Atenção aqui. Todo mundo distraído com Copa e de repente na última sexta-feira pode ter saído seu disco favorito do ano. Foi lançado o novo álbum da banda-projeto Chanel Beads, do americano Shane Lavers, de Nova York.

“Your Day Will Come”, frase com alguns sentidos bons e não tanto, é o segundo disco da banda desse rapaz adoradinho por gente como Lorde e Billy Eilish. O novo trabalho chega para suceder sua estreia de 2024, chamado “Your Day Will Come”. Você não leu errado. Ambos os álbuns têm o mesmo nome. Trollagem indie ou o rapaz é gênio?

Por algum motivo, este segundo disco está sendo considerado (e dito pelo próprio Shane), como o primeiro. Essa zoada fora-da-ordem dá a medida com quem estamos lidando aqui.

O Chanel Beads, cuja formação pode ser considerada um trio com uma menina, Maya McGrory, cantando absurdamente linda e com um integrante carregando um importantíssimo violino, o Zachary Paul, vinha cozinhando nosso cérebro em fogo baixo com um punhado de singles certeiros lançados no Bandcamp, daqueles que te fazem parar para caçar quem diabos está tocando e ir lá no Reddit para ver o que estão falando.

Agora, a espera acabou e “o dia chegou”.

O disco é uma paulada na orelha de quem achava que o rock de guitarra feito por moleques estava respirando por aparelhos. É pop, é sujo, é barulhento e é viciante, tudo ao mesmo tempo. E, talvez sua qualidade mais… digamos… cintilante: é algo perturbador, meio assombrado.

Essa constatação não é à toa, ouvindo o álbum e vendo as fotos de divulgação de Shanon-Chanel, tipo esta aí embaixo. Coisas que fizeram o jornal inglês “The Guardian” neste final de semana dar um bom espaço para a banda e o disco com a seguinte “chamada”: “Músicas assustadoras e gritos de gelar os ossos: como o Chanel Beads se tornou a grande revelação indie do ano”.

O som do Chanel Beads em “Your Day Will Come” é uma espécie de máquina do tempo que te joga direto no meio dos anos 2000, no meio de um show do Passion Pit ou do Black Kids no South by Southwest quando o festival ainda prestava. Mas com um motor sonoro tunado para os dias de hoje.

Ou algo como guitarras que parecem giletes cortando o ar, enquanto os vocais alternam entre o tédio e o desespero existencial e a explosão catártica que faz a gente querer quebrar o quarto.

A produção do trabalho (Shanon está sendo considerado um ótimo produtor) é um acerto crítico porque não tenta polir o que nasceu para ser desalinhado. As faixas grudam na cabeça logo na primeira audição, impulsionadas por linhas de baixo gordas e uma bateria que dita o ritmo de uma pista de dança indie que a gente não via há muito tempo, daquelas tipo do porão do clube Vegas, na Augusta.

Dizer qual é a melhor música aqui é tarefa ingrata, já que o disco merece seu looping antes da decisão. Mas ele começa bem demais com a estranha (ok, esse termo aqui é redundante) “Drums Only”, seguida do single-hino “Songs for the Messenger”, que saiu em abril.

O Chanel Beads consegue entregar aquele tipo de composição que parece simples, mas que carrega uma sensibilidade pop absurda por baixo daquelas camadas de distorção que a gente gosta demais. Eles sabem exatamente quando desacelerar para te dar um respiro e quando pisar no pedal para explodir tudo no refrão.

O veredito é curto e grosso: “Your Day Will Come” (capa acima) coloca o Chanel Beads direto no topo da lista de melhores lançamentos do ano e carimba o passaporte dos caras para os palcos principais dos grandes festivais de verão pela Europa no ano que vem.

Última coisa por agora, o segundo-primeiro álbum do Chanel Beads sai pelo selo indie americano Jagjaguwar, que Shane optou numa certa “corrida” de gravadoras querendo contratá-lo. Mas dá para perceber a razão da escolha. O Jagjaguwar só tem coisas lindas tipo Sharon Van Etten, Dinosaur Jr, Unknown Mortal Orchestra, Bon Iver, Angel Olsen e por aí vai.