Top 10 Gringo – Kelela roqueira emplacado novo pódio em primeiro. This Is Lorelei salva o indie em segundo. Porque em terceiro vem um tal de Rolling Stones
POSTADO DIA 17/07/2026
Rashid observa as nuvens bravas do caminho. Gilberto Gil observa João Donato dormindo. E o Black Pantera observa a realidade engolindo a gente; ou pior, nós mesmos inimigos da realidade. Entre a paz e a guerra, mais um Top 50!

Cumulonimbus, de acordo com a Wikipédia, “é um tipo de nuvem (…) diretamente associada com a ocorrência de tempestades com raios, trovões, chuva forte, ventos fortes, granizo e, às vezes, tornados”. “Cumulonimbus” também é o nome do próximo álbum do Rashid, previsto para agosto. Este “YOWA”, primeiro single, dá uma ideia dos motivos por trás do título do disco – a faixa é tensa. Yowa é o cosmograma bakongo, uma representação gráfica dos ciclos da vida, do universo e do tempo. Ao formar uma cruz, o símbolo apresenta a encruzilhada constante da vida, o trânsito; para se ter o dia é preciso passar pela noite. A maturidade de Rashid se apresenta ao saber aceitar esse movimento. Lembram quando o rapper teve duas apresentações no Lollapalooza canceladas pela chuva? Ele lembra e avisa: “Pra quem viu o que eu vi, realidade deu só o que restou/ Sabem que a maior tempestade que eu vivi não foi a que parou meu show”. O conselho é “saber que o caminho de ida também é a volta”.
Por falar em encruzilhada: “Só a guerra faz nosso amor em paz”, versou Gil em melodia de João Donato. A imagem de paz e guerra surgiu na mente de Gilberto Gil ao ver João Donato dormindo enquanto ambos ouviam novas composições do pianista, suas diversas “Leilas”. Gil escolheu “Leila IV” e fez “A Paz”. A regravação ao lado de Mônica Salmaso será parte de “Viva Donato”, tributo promovido pelo selo Sesc.
O Black Pantera e sua habilidade para criar versos curtos que viram gritos de guerra. “Fim do Mundo é só uma fase/ Final Boss é a Humanidade” é um desses megaacertos, parte de ‘Start the Game”, primeiro som de “Continental”, o quinto álbum da banda formada por Charles Gama, Chaene da Gama e Rodrigo Augusto. À alusão ao mundo dos games está nos versos e segue no vídeo dirigido por Pedro Hansen que coloca o trio dentro de vários jogos – Guita Hero, Sim City, Mortal Kombat, Pac Man, entre outros.
Talvez você já conheça Manoel Cordeiro, o pai do guitarrista Felipe Cordeiro, dois nomes que todo mundo pensa quando se fala em guitarrada. E o tio Barata? É outro dos músicos da família de Felipe, um menos conhecido, mas que o sobrinho faz questão de resgatar a obra enquanto pensa no seu próximo trabalho, que será mais voltado a esta sonoridade que é a cara do Pará. “A Festa” apareceu pela primeira vez no terceiro álbum do tio, daqueles sons que você só vai encontrar no YouTube salvo por alguma boa alma.
Se o mundo ainda mantém suas fronteiras, azar do mundo. Talvez essa seja a ficha que caiu para Bruno Berle. O alagoano nos últimos anos atravessou muitos países; seja chegando virtualmente nos ouvidos de um BTS ou fisicamente fazendo turnês por aí – muitas vezes com os parceiros, como Batata Boy e Nyron Higor. Só nos últimos três meses ele passou por Portugal, Inglaterra, Alemanha, Dinamarca, Suécia e Suíça. A jornada tem sido intensa, mas compartilhada. Além de andar com os colegas, co-produziu Nyron e Phylipe Nunes Araujo, o que com certeza ajudou a elaborar ideias para suas próprias músicas. De timbres a soluções melódicas. Uma insistência saudável não só em soar autêntico ou novo ou algo do tipo, mas tentar respeitar a si mesmo e os outros. Sem cópia, sem pensar no mercado, basta soar bem aos ouvidos. E o play em “Sem Fronteiras” é bem isso: soa bem aos ouvidos. Transporta o ouvinte ao imaginário de Bruno, permeado por amores, noites e manhãs e muitos sonhos. Bom saber que a maioria está virando realidade.
“ATÉ QUANDO” vamos viver na era “PÓS-VERDADE”? Ainda que sejam muito populares, os livros de autoajuda foram transferidos para os feeds sociais e tentamos evitar o celular ouvindo pessoas falando ao celular sobre como evitar tanto celular. Tratamos os hormônios, “DOPAMINA” e “CORTISOL”, como drogas de olho na performance individual. Todos contra todos. Em “DELÌRIO” empurramos nossa “DISTIMIA”. É se aproveitando dos títulos das músicas que tentamos descrever a experiência de “DELÍRIOS ANARCO-NIILISTAS”, nova pancada do SEXCORP., um dos projetos de parte do Orphans Club, “selo fluminense de música MUITO barulhenta”, como se apresentam. O novo trabalho avança na proposta de funk bruxaria, dando som não à luta contra o neoliberalismo, santa inocência!, já fomos derrotados. Aqui é a trilha dos escombros.
A regravação de “Até Quando Esperar”, feita 40 anos depois do lançamento do hit nacional, respeita o original. Tanto que reaparece por aqui o improvável violoncelo de Jaques Morelenbaum para dar melancolia ao riff punk. O que emociona é um detalhe: a participação especial tanto de Herbert Vianna, produtor do álbum original, quanto de Clemente, incorporado à banda ja tem 20 anos. Sobreviventes de dramas pessoais intensos, seus backings adicionam à regravação um peso único. Não há tempo para esperar.
A parceria de João Bosco com a banda de jazz orquestral NDR Bigband de Hamburgo não é de hoje. Em 2008, rendeu o álbum “Senhoras do Amazonas” e agora gera “Horda”, uma gravação ao vivo em estúdio. O repertório é uma festa aos 80 anos de João e celebra desde material mais antigo (“Incompatibilidade de Gênios” e “Caça à Raposa”) até as invenções mais recentes (“Mano Que Zuera” e a absurda “Sinhá”, parceria com Chico Buarque). Dá para dizer categoricamente que João está de parabéns!
A cantora e campeã de skate (aqui nesta ordem) Karen Jonz continua com suas releituras especiais de seu “Guizmo”, álbum de 2025 que tem ganhado reinterpretações e convidados especiais para constituir sua versão “Deluxe”. Aqui, “Sessão de Horror”, uma das principais músicas do disco, conta com colaboração vocal da grande Fernanda Takai, do Pato Fu, segundo Jonze uma heroína sua na música. “O Pato Fu é uma das minhas maiores influências. Aprendi a tocar violão ouvindo a banda. O John anda de skate também, então sempre existiu essa identificação. E a Fernanda é uma mulher de uma banda dos anos 2000 que foi muito importante para a minha formação musical.” Ornou bem demais.
Na longa série de parcerias de Adrian Younge no projeto Jazz Is Dead, repleto de gênios da música brasileira, o nome da vez é a dupla Joyce e Tutty Moreno, em um álbum que teria originalmente a batuta do mestre João Donato. Sem João por perto, o trio superou a dor e deu continuidade à ideia, se rendendo a temas instrumentais amarrados com improviso no estúdio e esbanjando amor. Uma homenagem linda a João.
11 – Rincon Sapiência – “Homem Gol” com Marissol Mwaba e Péricles (2)
12 – Julia Guedes – “Contra o Medo” (2)
13 – Liniker – “Melhor Notícia” (2)
14 – Linn da Quebrada – “Nuvem Negra” com Fernando Catatau (3)
15 – Ema Stoned e Edgard Scandurra – “Conza das Horas” (3)
16 – Teresa Cristina – “Quando a Onda Passar” (4)
17 – MOMO. – “Morena” (4)
18 – Capsula – “Dopamina” (4)
19 – Lô Borges – “Última Parada”/”Chegada” (5)
20 – Triste – “Falta” (5)
21 – Thiago Jamelão – “Apaixonado” (5)
22 – Alice David – “Terra Sem Rei” (5)
23 – Ítallo – “Nina do Avon” (6)
24 – Cidade Dormitório – “Vertigem Neon” (6)
25 – Deafkids – “Parasita” (6)
26 – ULTRALEVE – “Negativo” (6)
27 – João Carvalho – “Serra do Caraça/Itaúnas (Para Milton)” (6)
28 – Lulina – “Outras Vezes (com Ana Frango Elétrico)” (7)
29 – Luedji Luna – “Ela É o Que Há (com Jadsa)” (7)
30 – Michelle Abu – “Talvez Amor” (7)
31 – Bebé – “Meu Peito” (7)
32 – Exclusive Os Cabides – “Castelos de Areia” (8)
33 – Tangolo Mangos – “Vou Acordar com Essa Nova Ideia na Cabeça” (9)
34 – Marina Liori – “Água na Boca (com Tori)” (9)
35 – Juçara Marçal e Thais Nicodemo – “Cavaquinho” (10)
36 – Zélia Duncan – “Agudo Grave” (11)
37 – Marcelo Cabral – “Grito” (13)
38 – Marabu – “Manda Beijo” (13)
39 – Buhr – “Voaria” (13)
40 – Novíssimo Edgar – “Zum Zum Zum” (14)
41 – Silva – “ROLIDEI” (14)
42 – Febem, Fleezus & CESRV – “M.P.B” (15)
43 – Rael – “Forma Abstrata” (15)
44 – Marina Lima – “Um Dia na Vida (com Ana Frango Elétrico)” (16)
45 – Cidadão Instigado – “Medo do Invisível (com Kiko Dinucci e Jadsa)” (16)
46 – Schlop – “Clássicos” (16)
47 – Seu Jorge – “River Man (com Beck)” (16)
48 – Kuczynski – “Music 4 a Strip Club” (16)
49 – Ottopapi – “Meus Podres” (17)
50 – Mombojó – “Abaixo a Realidade (com Letrux” (17)
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* Entre parênteses tem a indicação de quantas semanas a música está neste Top 50.
** Na vinheta do ranking, o rapper e produtor Rashid.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.